segunda-feira, 20 de abril de 2020

IGREJA DE SANTA MARIA DA DEVESA
Castelo de Vide

Ruy Ventura
(texto e foto)


Com provável origem moçárabe, a primeira igreja de Castelo de Vide a assumir a função de matriz foi a do Rei Salvador do Mundo, situada nos arredores da vila. Assim o diz uma tradição muito antiga, a qual afirma que a segunda foi a de Santiago Maior, talvez resultante da adaptação ao culto cristão de uma mesquita. Anterior a Santa Maria da Devesa terá sido ainda outra igreja medieval, existente no castelo e antepassada da actual ermida de Nossa Senhora da Alegria (a padroeira do burgo).
O templo imponente que hoje se eleva – um dos mais amplos de todo o Alentejo – resulta da reconstrução iniciada em 1789 e concluída já na segunda metade do século XIX, ocorrendo a abertura solene a 28 de Setembro de 1873. A primitiva ermida dedicada à Virgem, edificada na devesa ou rossio extramuros da vila, terá nascido na segunda metade do século XIII. Em 1311, aí instituíram Lourenço Pires e Domingas Joanes uma capela, à qual deixaram os seus bens, entregues à administração dos “confrades da albergaria de Santa Maria”. Entre essa data e 1321 terá sido elevada ao estatuto de paróquia, juntando-se a outras quatro (Santiago, Salvador, São Pedro e São Lourenço).
Na sequência dessa promoção, o pequeno edifício terá recebido uma ampliação gótica. Se a igreja isolada que podemos ver num desenho de Duarte d’ Armas datado de 1509-1510 é, de facto, a matriz de Castelo de Vide, então na primeira década do XVI já teria essas características, exibindo uma estrutura típica do gótico depurado, adoptado por todo o país, nomeadamente nas igrejas paroquiais. Se as três naves, com a central mais elevada, evidenciam uma construção medieval, a capela-mor quadrangular, com contrafortes a meio dos panos murários, ladeada por uma torre sineira, denuncia uma intervenção posterior, datável já do período manuelino, talvez ainda de finais do século XV. Nada de estranhar, sendo Santa Maria a cabeça de uma comenda da Ordem de Cristo.
Um desenho inédito anónimo, de execução não posterior aos primeiros anos do século XVIII, nem anterior a 1680, dá-nos uma imagem mais concreta da matriz. Nessa panorâmica de Castello da Vide, Santa Maria da Devesa é representada com destaque volumétrico no meio de um denso casario, tendo a rodeá-la, no entanto, um adro espaçoso. A sua aparência não era já aquela que Duarte d’Armas registou. A largura da fachada, com três janelões, uma janela mais pequena e um pórtico grandioso (que parece de volta perfeita), denuncia uma estrutura interna com três naves, coberta, todavia, por um telhado com duas águas. A sul da capela-mor, elevava-se uma sineira de grandes dimensões, edificada diagonalmente em relação à Casa da Câmara. Essa torre ocuparia, assim, um lugar hoje aberto, poucos metros a norte do sítio onde se ergue o pelourinho.
Embora com dimensões menores do que o actual edifício, a primitiva matriz não se instalaria num espaço muito distinto daquele que agora ocupa a sua sucessora. Em 1758, o P.e João Aires Baptista fala-nos já de uma igreja integrada no Padroado Real, mas “aruinada, não pello terramoto do anno de 1755 mas por muito velha”. A paróquia estava então instalada na Colegiada do Espírito Santo, pois em 1749 o bispo de Portalegre, D. Fr. João de Azevedo, havia dado ordem para a sua demolição e reedificação. Pelos apontamentos desse pároco ficamos a saber que as suas três naves possuíam nove altares, aí estando instaladas seis confrarias.
O edifício desaparecido foi recebendo várias campanhas de obras. Regista-se, por exemplo, a intenção de substituir o retábulo-mor em pintura mural, considerado um “escandalo”. Para executá-lo, chegou a ser contratado em 1610 o marceneiro lisboeta Manuel Ribeiro, mas tal obra nunca chegou a fazer-se. Só em 1662 o pintor portalegrense Manuel de Faria celebraria escritura para a execução dessa peça retabular. Em 1678-1679, o pintor José de Carvalho, também de Portalegre, dourou o altar de Nossa Senhora do Rosário, onde se incluía uma Árvore de Jessé. Pela mesma data, o elvense Afonso Vaz foi encarregue de dourar o retábulo do Santíssimo Sacramento, tendo ainda a obrigação de pintar a abóbada, os frisos e o frontispício da capela-mor, bem com as suas grades. Não obstante estas intervenções artísticas, entre 1682 e 1684 Santa Maria da Devesa sofreu uma intervenção importante, ao ponto de o culto ter de passar para outra igreja. Talvez date dessa época a substituição do portal, modificado cerca de 1748, o qual ainda hoje subsiste como entrada principal do novo imóvel, ao qual foi adaptado, apesar das suas dimensões algo desajustadas em tão alta e larga fachada.
O edifício actual demorou 84 anos a concluir, se estabelecermos como data limite o ano da sua inauguração, 1873. A construção terminou em 1822, mas a ornamentação do interior demoraria mais algumas décadas. O projecto quase catedralício de Santa Maria da Devesa, ainda hoje anónimo, mostra uma gramática barroca que, a pouco e pouco, se foi adaptando nos pormenores ornamentais a novas estéticas, sem deixar uma atitude simplificadora, habitual nas traduções regionais de arquitecturas eruditas. Podemos assim encontrar elementos do Rococó a par de evidências neoclássicas, ombreando com outras que já denotam um certo romantismo, aquele que recuperou sem preconceitos apontamentos de estilos anteriores ao século XVIII. A organização do amplo espaço interior – em cruz latina, com capela-mor larga e pouco funda, transepto, cruzeiro coberto por enorme cúpula, nave com vários tramos divididos por pilastras, entre as quais existem arcos encimados por tribunas, e coro a toda a largura, sustentado por uma abóbada muito abatida – lembra alguns edifícios lisboetas das eras pombalina e pós-pombalina, v.g., a basílica do Sagrado Coração de Jesus, à Estrela, ou a igreja de São Domingos, traçada por Manuel Caetano de Sousa.  
Povo e elites, paróquia, confrarias, município e até o Estado suportaram os enormes custos da edificação da hodierna igreja. Construção levantada de raiz, não deixou ela de aproveitar subsistências da antiga matriz. Tal reciclagem correspondeu não só à necessidade racionalizar os recursos disponíveis, mas também a uma atitude eclética, vigente nos tempos em que os trabalhos se iniciaram e desenvolveram, que aceitou e promoveu a inclusão em edifícios modernos  de elementos mais antigos.
Na actual estrutura vislumbram-se, pois, várias peças arquitectónicas e ornamentais mais antigas, como um arco maneirista na entrada do baptistério ou, talvez, uma escadaria manuelina numa das torres sineiras. O retábulo-mor, com ornamentação neomaneirista, é das peças mais recentes, tendo sido executado pouco depois de 1867, a partir de um risco do arquitecto lisboeta Manuel Afonso Rodrigues Pita. No transepto e na nave encontramos, contudo, obras anteriores, destacando-se o retábulo de Nossa Senhora do Rosário (1771) e o de São Pedro (hoje de São José, saído da mesma mão), bem como o do Senhor dos Passos ou das Almas (talvez de inícios do século XIX, mas modificado em 1885). O retábulo do Santíssimo Sacramento, em mármores, data de 1829, não devendo ser muito posterior aquele que se eleva no lado oposto, dedicado a Nossa Senhora do Carmo. Bastante mais recente é o de Nossa Senhora de Fátima, o qual, numa estética revivalista, imitou em 1954 o que lhe está fronteiro. As paredes laterais da capela-mor acolhem, por seu turno, um conjunto de pinturas figurativas, consequência das grandes obras promovidas na igreja entre 1945 e 1950. Tirando o Regresso do Filho Pródigo e o Repouso na Fuga para o Egipto, saídos do pincel anacrónico de Luísa Salema Cordeiro e Alice Gordo Barata, respectivamente, todas as restantes foram executadas entre 1952 e 1953 por Adolfo Bugalho, mostrando uma estética menos apegada ao passado. São especialmente interessantes aquelas que ilustram o versículo 2 do Salmo 42 (41) e o versículo 17 do capítulo 19 do Evangelho segundo São Mateus.
Esta igreja acolhe uma numerosa colecção de obras de arte sagrada, parte delas integradas na reserva visitável denominada Museu de Arte Sacra Cón.º Albano Vaz Pinto. Com peças que vão dos finais da Idade Média ao século XX, aí se salientam várias esculturas pétreas: Santa Maria da Devesa (século XV, acaso da órbita do escultor coimbrão João Afonso); uma Trindade quatrocentista; um Santiago Peregrino da mesma época; um Santo não identificado, do mesmo autor que esculpiu um Santo André do Museu Nacional de Arte Antiga; um mutilado São Lourenço (talvez de João de Ruão); um decapitado São Pedro e um São Roque, ambos já de Quinhentos. Entre as obras lígneas, merecem referência a barroca Sacra Parentela, uma Nossa Senhora do Loreto (saída no primeiro quartel do século XVIII das mãos dos calipolenses Francisco Freire e Manuel de Oliveira), além da série de Santos da Ordem Terceira de São Francisco, cujas cabeças denotam a intervenção de muito boa oficina lisboeta da segunda metade de Setecentos.
           


Bibliografia fundamental:
DIAMANTINO SANCHES TRINDADE, Castelo de Vide – Subsídios para o Estudo da Arqueologia Medieval, Lisboa, Assembleia Distrital de Portalegre, 1979; DIAMANTINO SANCHES TRINDADE, Castelo de Vide – Arquitectura Religiosa, I, 2.ª ed., Lisboa, Câmara Municipal de Castelo de Vide, 1989; PEDRO CID, As Fortificações Medievais de Castelo de Vide, Lisboa, Instituto Português do Património Arquitectónico e Arqueológico, [2005]; ROSÁRIO SALEMA DE CARVALHO, Igreja de Santa Maria da Devesa, Matriz de Castelo de Vide, [Castelo de Vide], Câmara Municipal de Castelo de Vide, 2006; CÉSAR VIDEIRA, Memoria Historica de Muito Notavel Villa de Castello de Vide, 3.ª ed., Lisboa, Edições Colibri-Universidade de Évora, Centro Interdisciplinar de História, Culturas e Sociedades, 2008; PATRÍCIA ALEXANDRA RODRIGUES MONTEIRO, A Pintura Mural no Norte Alentejo (Séculos XVI a XVIII: Núcleos Temáticos da Serra de S. Mamede, Universidade de Lisboa, Faculdade de Letras, 2012 (dissertação de Doutoramento em História da Arte apresentada à Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa); RUY VENTURA, A Vide e o seu Castelo – Notas sobre a Toponímia, a História e a Heráldica de Castelo de Vide, Évora-Castelo de Vide, Editora Licorne – Grupo de Amigos de Castelo de Vide, [2016].


segunda-feira, 10 de junho de 2019




CARTA ABERTA A JOÃO MIGUEL TAVARES

Caro João Miguel,
Tomo a liberdade de tratar-te por tu. Somos afinal conterrâneos, apesar de não nos conhecermos. A nossa idade é muito próxima. Imagino que, como eu, tenhas nascido no velho Hospital da Misericórdia, em pleno Rossio portalegrense; tu, em Setembro, eu dois meses depois. Escrevo-te depois de ter escutado pela televisão, comovido, a tua intervenção como responsável pelas comemorações do Dia de Portugal. Não poderia deixar de fazê-lo ao ouvir-te evocar o teu avô que, ao fundo da Rua de Elvas, dava sopa àqueles que dela precisavam, ao sentir o significado daquela casa ao cimo da Avenida Frei Amador Arrais que foi e é a tua e, sobretudo, ao ter contido com alguma dificuldade as lágrimas quando te ouvi mencionar o destino de tantos portalegrenses que, para cumprirem o seu destino, se viram obrigados a deixar o seu concelho.
Poderia ficar por aqui e agradecer-te, com a maior profundidade. Mas cortaria metade da verdade. Poderia dizer que o meu destino foi igual ao teu e ao de tantos da nossa terra. Mas não contaria a história toda, porque é mentira.
Se bem conheces o nosso concelho, e acredito que sim, sabes que o destino daqueles que nasceram e cresceram com a democracia não foi igual para todos. Os filhos do funcionalismo público e das elites locais, seja lá isso o que for, nascidos e criados na cidade, nunca tiveram o mesmo tratamento que os filhos dos operários, das costureiras e dos pequenos agricultores que tiveram como destino crescer nas aldeias da serra e dos arredores. Os sacrifícios, acredito, seriam semelhantes em cada família; mas enquanto os sacrifícios da classe média citadina podiam oferecer aos seus a universidade, fora de Portalegre, quem vinha de outros meios era obrigado a contentar-se com os cursos ministrados pelas escolas do Instituto Politécnico de Portalegre, mesmo que tivesse notas e capacidades para marchar até outras paragens. Como dizia uma grada senhora, era uma espécie de prémio de consolação.
Estou grato à democracia por ter criado instituições de ensino superior em pequenas cidades de província; se assim não fosse, ter-me-ia ficado pelo ensino secundário e ver-me-ia transformado num apagado empregado bancário ou de secretaria, talvez num contabilista, mesmo que tivesse asas para outros voos. Assim sendo, filho de um operário da Robinson e de uma costureira, vindo das serranias das Carreiras, não tirei (é certo) o curso de História que sempre ambicionei ou o de Geografia e Planeamento Regional para o qual tinha altas classificações, apesar de ter sido um dos agraciados com o Prémio Francisco Fino para os melhores alunos do secundário do nosso município, mas desenrasquei-me com uma licenciatura em ensino de Português e Francês, tirada na nossa cidade, porque para ela ainda ia havendo dinheiro, sabe Deus com que esforço e privações, embora para mais fosse impossível. Sem cunhas e sem parentes que me abrissem a porta fora de Portalegre, tive de me contentar com o que havia e dar o meu melhor, sabendo bem demais, mas tentando esquecer, que partia para a meta da vida numa posição diferente da de outros meus conterrâneos...
Foi no final dessa licenciatura que comecei a tomar consciência de outra realidade. Aluno no último ano do nosso saudoso Carlos Garcia de Castro, poeta grande cujo mérito, refugiado na interioridade, nunca foi reconhecido como deveria ter sido pelo "meio literário", foi ele quem me abriu os olhos para o que Portalegre era há 25 anos e, infelizmente, continua a ser. Nunca esquecerei a sua frase: "Concorra para sair daqui. Nesta terra nunca lhe perdoarão ser filho de um operário e de uma costureira." Concorri, mas passados anos caí na tentação de aceitar um convite para regressar. Durante três anos, fui professor na instituição de Ensino Superior onde recebera a minha formação inicial. Seduzido para a política por estratégias ardilosas, estive quase a entrar para o partido que agora nos governa. Acontece que, no momento decisivo, me deu para ser independente e recusei atravessar para esse lado. Paguei caro. Não tardou muito que deixasse de haver lugar para mim e, apesar de ter o meu mestrado concluído e iniciado o doutoramento, fui preterido. Eu tive de regressar ao exílio e quem ficou, apenas com a licenciatura (!), teve o lugar garantido durante vários anos, talvez por ser filha de um ex-autarca do Partido da mão fechada. Só então percebi tudo quanto Carlos Garcia de Castro me dissera. Em Portalegre, cópia em miniatura do Portugal que abomina o mérito e tu hoje denunciaste com a firmeza que te conhecemos, não se perdoa a falta de currículo familiar e muito menos pensarmos pela nossa cabeça, sobretudo se isso fizer sombra a alguém bem instalado ou puser em causa o seu pequeno poder ou a sua mediocridade.
Sou hoje um portalegrense exilado que bem gostaria de curar-se dessa doença que se chama Portalegre. Teria uma vida muito mais tranquila. Não nego: o exílio tem-me trazido muitos momentos felizes, algumas alegrias que nunca atingiria se tivesse ficado pelo Corro lagóia. Mas, confesso-te, são alegrias amargas que, a cada momento, me recordam essa condição de migrante por vontade alheia. A minha árvore tem raízes e custa-me saber que os seus frutos são colhidos por outros porque da minha terra existe uma incessante e nefasta ventania que lhe vergou o tronco e fez crescer a copa noutra direcção.
Sabes, João, ao ouvir o teu discurso de hoje - que só não me fez verter lágrimas porque, caramba!, um homem não chora - vi pela televisão os meus pais aplaudindo-te. Também devem ter sentido fundamente as tuas palavras, lembrando o seu filho único que a várias centenas de quilómetros as ouvia. Portugal ainda é uma Portalegre ampliada, porque, como dizia Raul Brandão a propósito de Gomes Freire de Andrade, aqui não ganham os inteligentes, mas (para nossa desgraça colectiva) os mais espertos.
Bem hajas pelas palavras que tiveste a coragem de dizer. Espero que a voragem deste país não as apague tão depressa. Um abraço firme e comovido do teu conterrâneo

quinta-feira, 2 de maio de 2019


… E A MEMÓRIA DA CIDADE QUE SE LIXE

Lê-se na página da sucursal portalegrense do Partido Socialista que, em Assembleia Municipal, fez aprovar – apenas com a abstenção do PSD – a atribuição do nome de Mário Soares à “popularmente conhecida rotunda do navio”. Parece que esta decisão já mereceu a concordância da comissão municipal de toponímia. Tanto quanto vim a saber, a sucursal concelhia do Partido Comunista Português, para não ficar atrás e cobrando, quiçá, o voto favorável dos seus eleitos, propôs ou vai propor que outra rotunda ou avenida ou rua lagóia venha a ter o nome de Álvaro Cunhal. (Se tal se concretizar, o que não duvido, teremos uma verdadeira geringonça portalegrense – só faltando o beco Miguel Portas ou João Semedo ou Francisco Louçã ou Catarina Martins ou Fernando Rosas para a trempe ficar completa...)
Ainda correu pela cidade e arredores que a ideia inicial dos comunistas era rasurar a designação “Avenida do Bonfim”, nascida do santuário homónimo onde tem início, tão querido das gentes da cidade onde nasci. Mas parece que a coisa ficou pelo caminho, talvez por saberem que o regulamento municipal impede (ou desaconselha) a substituição de nomes históricos oficialmente consagrados – ou, mais provavelmente, por se lembrarem que essa artéria passaria a desembocar na rotunda agora soarista, o que provocaria não poucos engulhos aos dois adversários políticos, caso cá estivessem, vendo-se assim de braço dado, quase aos beijinhos, na pública rotunda. Mas adiante. Confesso que gostaria de ouvir, vinda das profundas, a voz cava do nunca desmentido devoto das práticas e doutrinas soviéticas dizendo ao meu ouvido: “Olhe que não, olhe que não…” A mais de duzentos quilómetros de Portalegre tenho todavia informações seguras de que tal má nova é mesmo certa – verdade, verdadinha. E lamento. Funda e fundadamente lamento!
Não está em causa o mérito ou demérito das figuras que, agora, em vésperas de eleições, um punhado de políticos do burgo quer reverenciar à custa da identidade da urbe, nem sequer o facto de tais personalidades pouco ou nada terem que ver com a cidade. Tiveram qualidades e defeitos como toda a gente. Nalgumas situações contribuíram para o bem do povo, noutras prejudicaram-no e noutras foram impedidos (graças a Deus!) de prejudicá-lo. Estão em causa os critérios e os jogos políticos e sociais que movem a exaltação de Cunhal e Soares e apagam, ao mesmo tempo, Fernando Pessoa (sim, esteve em Portalegre!), Humberto Delgado, Salgueiro Maia, Matilde Rosa Araújo (sim, viveu na cidade!), Ramalho Eanes, Amaro da Costa ou, até, para falar nos portalegrenses de nascimento ou de coração, Soror Isabel do Menino Jesus, Eusébio Leão, Joaquim Miranda da Silva, Pe. José Patrão, Carlos Garcia de Castro ou Carrilho da Graça... Está sobretudo em causa o modo como se desrespeita e/ou menospreza com estas e outras decisões a memória urbana e histórica de Portalegre, expressa no nome legítimo dos seus lugares, criado pelo povo que neles viveu ao longo de séculos. (Seria indigno, pergunto, o nome ancestral do local, “Moinho de Vento”? Causaria brotoeja uma referência à Fábricas das Sedas que aí existiu?)
Estudei com demora a toponímia da cidade e as motivações que a foram criando, alterando, rasurando ou apagando. Vem tudo num longo artigo intitulado “Toponímias de Portalegre: da Idade Média ao século XX”, publicado há uns anos no nº. 12 da “Ibn Maruán – Revista Cultural do Concelho de Marvão” (hoje a necessitar de reedição revista e aumentada). Sei bem o que valem as chamadas “comissões de toponímia”, como são nomeadas, o que as move, a sua competência e os regulamentos que fazem, desfazem e aplicam. Não esqueço a ligeireza do conhecimento que, salvo raras excepções, possuem da História e da memória colectiva – e o (des)respeito que têm por ela. Basta-me recordar muitas e muitas das suas incompreensíveis (ainda que bem intencionadas) decisões – valorizando gente com escasso valor e ostracizando os que deveras o tiveram. Chega-me relembrar pelo menos um dos seus pretéritos membros (entretanto falecido) que, além de ter inventado uma “Rua dos Aleatórios” na toponímia setecentista de Portalegre, defendia a eliminação de grande parte dos nomes antigos como coisa bolorenta e pouco civilizada… Já não me deixa, pois, boquiaberto a forma leviana e por vezes caricata com que nomeiam as novas vias de circulação. Não me espanta, ainda, que as mudanças toponímicas continuem a ser uma triste realidade, mesmo que a população portalegrense não as queira – pois nunca sobre tal assunto foi, é ou será consultada. Pelos vistos a salvaguarda, valorização e divulgação deste património imaterial ainda não chegou à terra onde nasci (nem a boa parte do nosso país, diga-se em abono da verdade). Com desgosto o escrevo.
Dir-me-ão que as tentativas de rasura não são de agora, que as homenagens interesseiras são já velhas. Têm toda a razão. Começaram, ainda que timidamente, no século XIX, com o regime liberal. O nome das praças, das alamedas, das ruas, das travessas e até dos becos passou a ser campo fértil de todas as propagandas, de todos os interesses e de todas as vaidades. Houve é certo boas intenções, embora com maus resultados. Graças a Deus nunca tivemos em Portalegre autarcas que durante o seu mandato impusessem o seu nome a ruas e edifícios, como sucedeu noutras terras do Alto Alentejo e do Entre Douro e Minho. Mas o fluído canino das várias tendências políticas e de muitas vaidadezinhas individuais ou de grupo foi manchando não poucos nomes ancestrais da nossa cidade e de quase todas as terras do nosso país.
Ironia das ironias, o povo (que nunca foi tido nem achado nessas artimanhas e sobrancerias) esteve-se sempre lixando para os nomes novos, a não ser quando atribuídos a espaços urbanizados de novo – e ainda assim nem sempre. Passados muitos decénios (por vezes mais de um século) sobre essas alterações decretadas pelo sectarismo político das vereações, continuou a usar os topónimos antigos. Os exemplos em Portalegre são eloquentes. A rua Alexandre Herculano continua a ser de Santo André, a 31 de Janeiro teima em ser dos Canastreiros, o parque Miguel Bombarda, a avenida George Robinson e a rua de Olivença nunca deixarão de ser Corredoura, a rua 5 de Outubro nunca abdicou de ser Direita, o largo 28 de Janeiro pertence ainda à Fonte Nova, a rua Mouzinho de Albuquerque apenas do Pirão é chamada, não esquecendo a Luiz Barahona que do Castelo nunca se livrará, a Cândido dos Reis que nunca esconderá o Cano, a Almeida Garrett que nos conduz ainda ao Mercado (embora ele já esteja noutras partes), a França Borges que persiste na sua referência ao Bargado, o largo Serpa Pinto que adoptou (demolida a igreja da Madalena aí existente) a boneca de uma fonte...
A lista poderia continuar, mas não vale a pena aborrecer os leitores. Convém todavia registar com irónico agrado as designações populares bem recentes que os sábios transeuntes vão já dando a outros lugares com urbanização contemporânea, ignorando com orgulhosa altivez o desrespeito de que são alvo – neste e noutros domínios – por uma boa parte dos seus representantes eleitos. Ou alguém tem dúvidas de que a agora chamada “Rotunda Mário Soares” continuará a ser para todos a tão simples “rotunda do navio”? Não tenho quaisquer dúvidas. Afinal, nestes e noutros achados, “o povo é quem mais ordena”. Por mais que isso provoque comichões nalguns que se têm como procuradores sobranceiros da população.

RUY VENTURA 
(Texto publicado a 2/5/2019 no jornal portalegrense "Alto Alentejo"; foto de RV.)

quarta-feira, 25 de julho de 2018



MILAGRE QUE FEZ
Ex-voto do Senhor dos Aflitos reaparece
mais de 40 anos depois de “perdido”


         Nunca estaremos suficientemente gratos aos coleccionadores de arte sacra do nosso país. Pensemos o que pensarmos sobre o seu amor às peças que foram e vão juntando ao longo de uma vida, quantas vezes com sacrifício pessoal, temos de reconhecer que graças à sua actividade se salvaram e salvam muitas obras da nossa cultura. Essa gratidão deve ser ainda maior quando, em determinado momento da sua vida, se sentiram na obrigação de devolver as peças adquiridas ao usufruto público, cedendo-as ou vendendo-as a museus ou a outras instituições que, de algum modo, continuaram e/ou continuam a sua devoção àqueles objectos, onde as mãos dos criadores humanos tentaram expressar a sua interpretação da palavra de Deus, da religiosidade humana ou das figuras e narrativas que, ao longo de séculos, edificaram a história religiosa de Portugal e de outras paragens. Nunca é demais lembrar as palavras do Papa Francisco que, num livro intitulado “La Mia Idea di Arte” (infelizmente indisponível em português), sublinha o papel evangelizador da pintura, da escultura, da arquitectura, da música e de outras artes, ao serem, mais do que muitos discursos teológicos, vias eloquentes de interpretação da revelação apostólica. Essa sua capacidade não se esbate nem desaparece quando as peças, levadas por circunstâncias diversas, saem dos edifícios religiosos. Tornam-se antes vias especiais que continuam a levar, subtilmente, mesmo aos descrentes, a mensagem divina.
         Não podemos esquecer o quanto devemos agradecer aos coleccionadores “de santos”. Sem eles, muito património ter-se-ia perdido, levado pela ignorância e pela arrogância dos homens (clérigos e leigos), pela ambição e pela estupidez que moveu tantas épocas da nossa História, pelas “modas” que, frequentemente, lançaram para a poeira das arrecadações das igrejas esculturas, pinturas, livros, alfaias e outros objectos valiosíssimos e belíssimos, só porque não correspondiam aos padrões “estéticos” daqueles que eram os seus fiéis depositários. Dizia-me há anos um importante responsável eclesiástico do nosso país que, “muitas vezes, até os ladrões valorizam mais as peças que a Igreja possui do que muitos dos seus detentores, cuja única preocupação é vender ou atirar para o lixo o que parece velho e inadequado à sua miopia ou mandar repintar nos santeiros de Braga e de Fátima as peças que os nossos antepassados nos legaram…” Acrescentava: “Pelo menos os ladrões e os coleccionadores dão valor ao que temos…”
         Na altura, as suas palavras deixaram-me sem resposta e puseram-me a pensar. Embora reconhecendo as várias excepções que há pelo país, cujo mérito nunca será demais realçar (sobretudo perante os que agem de outro modo, vandalizando o que no fundo não lhes pertence), vi-me obrigado a concordar com esse prelado. E, cá entre nós, o tempo tem-lhe dado razão.
         Homens como José Régio, Ruy Sequeira, Ernesto Vilhena e alguns mais cumpriram um papel importantíssimo na nossa cultura. Podemos discutir os seus métodos e o seu sentido de oportunidade, o cuidado que nem sempre tiveram no registo da proveniência das obras de arte que foram comprando, mas temos de nos vergar à lógica da sua actuação e à maneira como, depois, devolveram o património ao público mais ou menos crente. Se nem todas as instituições a quem legaram ou venderam as suas colecções se mostram dignas desse património recebido, é outra conversa que não cabe neste artigo. Pensemos nas que têm trabalhado de outro modo, dando bons exemplos, como o Museu Nacional de Arte Antiga, a Casa-Museu José Régio, a Casa-Museu Padre Belo, o Museu da Consolata em Fátima ou a Fundação Robinson.

*

         Vem esta introdução a propósito de uma peça portalegrense recentemente redescoberta pelo autor deste artigo. Trata-se de um dos ex-votos pertencentes ao espólio do Santuário do Senhor Jesus dos Aflitos, situado na paróquia de São Domingos dos Fortios, no concelho de Portalegre.
         Local de culto nascido por volta de 1713 à sombra de uma pequena cruz de madeira, onde foi pintada a figura de Cristo paciente e sofredor, é ainda hoje um eixo da religiosidade do Alto Alentejo, movendo devotos e peregrinos, sobretudo no dia da sua festa, actualmente celebrada no início de Maio. O trabalho meticuloso e incansável do Cónego Bonifácio Bernardo tem permitido aos interessados um conhecimento pormenorizado da sua história, cuja leitura enriquece o nosso entendimento das múltiplas dimensões da vida dessa parte de Portugal nos últimos trezentos anos. É imprescindível ler o seu livro “Senhor Jesus dos Aflitos, Origens – 1713-1845” (Edições Colibri, 2000), sendo ainda muito importante consultar outro volume em que editou um parte da documentação do santuário; prevê-se para breve um terceiro – e com impaciência o aguardamos.
         Entre o património dessa igreja, situada numa herdade, entre sobreiros, avulta a sua colecção de ex-votos, pequenos quadros gratulatórios oferecidos ao longo de séculos pelos devotos, manifestando e dando graças pelos prodígios que viveram por intercessão do Senhor. O conjunto não tem a dimensão dos que se podem admirar no Senhor Jesus da Piedade (Elvas), na Senhora do Carmo (Azaruja, Évora) ou na Senhora d’ Aires (Viana do Alentejo), mas ultrapassando a meia centena são um importante testemunho artístico, antropológico, sociológico e religioso da devoção secular. Podem hoje ser admirados por quem se disponha a folhear o catálogo da exposição itinerante “Imagens de Fé”, promovida pela Diocese de Portalegre – Castelo Branco; o conjunto portalegrense foi, aliás, o motor dessa mostra. Se a exposição não se preocupou com o enquadramento histórico das peças (o que se lamenta), tal não diminui de modo algum o seu valor e oportunidade.
         Desde há algumas décadas que se sabia, contudo, que faltava à colecção dos Aflitos um dos seus mais interessantes ex-votos, ainda do século XVIII. Observado e registado pela investigadora Maria Tavares Transmontano, que copiou e publicou a sua inscrição na sua “Monografia de Portalegre” (1997), terá levado descaminho entre 1965 e 1975. Era dado como perdido, sem se saber sequer se o desaparecimento seria devido a roubo ou a venda indevida. Nem uma foto ficara dele…
         Há poucos dias, folheando o volumoso catálogo intitulado “Christus”, editado no Porto pela Irmandade dos Clérigos como veículo de divulgação da colecção de imagens de Cristo que agora aí se expõem, após doação da colecção do Dr. António Miranda, deparei-me na página 171 com o ex-voto desaparecido do Santuário do Senhor dos Aflitos. Calcularão o que sentiu este investigador e defensor do património religioso da sua terra e de outras terras…
         Registado com o número de inventário ICP 1576, tem 24,6 cm de altura por 39,4 de largura. É uma pintura a óleo sobre madeira, datada de 1777, com a seguinte inscrição (sou fiel à ortografia original): “Milagre que fes o Senhore dos Afelitos a Francico Antonio que foi cazeiro na erdade do Alcade que sendo acometido por hum lobo deramado este ce lhe lancou aos peitos de que resultou o bradar pelo Senhore dos Aflitos imediatamente o dito lobo se retirou ficando o dito devoto sem nen huma lezaõ foi feito este milagre no anno de 1777”. A mão, popular, que executou esta obra foi também autora de outras pinturas existentes no Santuário, tendo inclusive repintado os ex-votos mais antigos.
         Impõem-se, agora, todas as necessárias diligências para que o seu volte ao seu dono e o “prodígio” se complete. A Paróquia dos Fortios e a Diocese não deixarão morrer decerto o assunto. Sabemos agora onde está e quem lá o depositou. Só não sabemos como chegou às mãos do coleccionador…
         Tantos anos depois, bem podem os portalegrenses dizer como escreviam os antigos autores dessas pinturinhas: “Milagre que fez o Senhor dos Aflitos…”


RUY VENTURA
(Artigo publicado no jornal "Alto Alentejo", nº. 584, de 25 de Julho/2018.)

sábado, 9 de dezembro de 2017

JUDEUS E CRISTÃOS-NOVOS DE CASTELO DE VIDE
em livro imprescindível


O Laboratório de Estudos Judaicos vai editar mais dois volumes, o n.os 6 e 7, da colecção de Estudos Judaicos, respeitantes a Castelo de Vide, sob o título Judeus de Castelo de Vide e Cristãos-Novos. Da Identidade às Linhagens [Séculos XV a XX] , da autoria de Luís Projecto Calhau.
Os dois volumes totalizam 680 páginas, nas quais se procurou estudar detalhadamente a genealogia de 45 famílias cristãs-novas de Castelo de Vide, terra natal de Garcia d’Orta e, também, de Salgueiro Maia, capitão de Abril, que descendia de cristãos-novos.
Pelos processos-crime sabemos que muitos judeus de Castelo de Vide rumaram para Curaçao (Antilhas Holandesas), Amesterdão, Veneza, Toledo, Constantinopla, Rouen (França), Salónica. México, Peru, Haia e Jerusalém.

Se pretender beneficiar do preço de subscrição, até ao próximo dia 21 de Dezembro, deverá contactar Nuno Borrego (ngpborrego@gmail.com). Mais informações estão disponíveis em: http://www.nunoborrego.pt/books/





Índice


Apresentação
Introdução
1. Castelo de Vide e o seu enquadramento geográfico
2. Primeiras referências à presença judaica na região
3. A proximidade com a fronteira e a importância da alfândega de Marvão
4. A convivência entre judeus e cristãos
5. A judiaria e o seu enquadramento geográfico
6. Práticas e cerimónias
7. Rumo à diáspora
8. Confissões e denúncias
9. O manuscrito de autor desconhecido
10. Ilustres, da região de Castelo de Vide, descendentes de cristãos-novos
e de judeus .. 00
11. Mito ou realidade
12. Indicadores estatísticos
13. Limitações, dificuldades e barreiras à investigação
Título I – Carrilho e Aldana, de Castelo de Vide
§ 1.º - Carrilho | Castro | Aldana | Barreto de Sousa
§ 2.º - Carrilho de Matos | Sousa | Machado Homem, de Rio de Janeiro
Título II – Henriques, de Castelo de Vide
§ 1.º - Henriques | Castro | Godinho | Leitão
§ 2.º - Castro | Leitão | Fernandes
§ 3.º - Mendes | Álvares ou Gonçalves
§ 4.º - Berenguer de Andrade
§ 5.º - (Desentroncados) Vaz Colaço
Título III – Lopes e Ilhoa de Aldana, de Castela para Castelo de Vide
§ Único - Lopes
Título IV – Albuquerque, de Castela para Castelo de Vide
§ Único - Albuquerque
Título V – Álvares e Luna, de Castelo de Vide
§ 1.º - Álvares | Luna | Cardeira, de Vila Viçosa | Franco, de Borba
§ 2.º - Luna
Título VI – Gonçalves, de Castelo de Vide
§ 1.º - Gonçalves | Mendes | Henriques
§ 2.º - Gonçalves | Lopes | Gomes | Rodrigues
Título VII – Aires Pais, de Castelo de Vide
§ 1.º - Gomes | Lopes | Rodrigues
§ 2.º - Pais | Rodrigues | Aires Samorano
§ 3.º - Rodrigues | Aires | Gonçalves
Título VIII – Santilhana, de Castelo Branco para Castelo de Vide
§ 1.º - Santilhana | Henriques Brandão | Cunha Falcão | Cunha de Oliveira ... 000
§ 2.º - Santilhana
Título IX – Orta, de Castelo de Vide rumo à diáspora
§ 1.º - Orta | Soares | Pinto
§ 2.º - Orta | Pimentel | Canis | Pimentel | Abeniacar
§ 3.º - Pimentel
§ 4.º - Henriques | Senior | Marchena | Senior y Calvo
§ 5.º - Marchena | Senior
§ 6.º - Marchena | Senior | Simmonds
§ 7.º - (Desentroncados) Orta, da Covilhã e de Portalegre
§ 8.º - (Desentroncados) Orta, de Castelo Branco
Título X – Gomes, de Castelo de Vide
§ Único - Gomes | Lopes
Título XI – Dias Machorro, de Castelo de Vide
§ 1.º - Dias | Rodrigues Machorro | Fernandes
§ 2.º - (Desentroncados) Machorro, de Póvoa e Meadas | Semedo | Costa
§ 3.º - (Desentroncados) Rodrigues | Álvares
Título XII – Garcia Medelhim, de Castela para Castelo de Vide
§ Único - Garcia Medelhim | Fernandes
Título XIII – Lopes Chaves, de Castelo de Vide
§ Único - Lopes | Chaves | Gonçalves
Título XIV– Fernandes Carrilho, de Castelo de Vide
§ 1.º - Fernandes | Carrilho | Sanches
§ 2.º - (Desentroncados) Carrilho | Lourenço
Título XV – Cáceres, de Cabeço de Vide com ligações a Castelo de Vide
§ Único - Cáceres | Costa
Título XVI – Delgado, de Castelo de Vide
§ Único - Delgado | Matos
Título XVII – Antunes de Figueiredo, de Fonte Arcada para Castelo de Vide
§ Único - Figueiredo | Pires de Sousa | Vargas
Título XVIII – Barrento, de Castelo de Vide
§ Único - Barrento | Leitão
Título XIX – Álvares Chaves, de Castelo de Vide
§ Único - Chaves | Álvares | Gomes
Título XX – Loução, de Castela para Castelo de Vide
§ Único - Loução, de Évora | Fernandes, de Évora | Espinosa, de Évora
Título XXI – Lopes Torres, de Castelo de Vide
§ 1.º - Dias | Torres | Fernandes | Martins
§ 2.º - (Desentroncados) Torres
§ 3.º - (Desentroncados) Garcia | Barrento | Vidal | Gomes Vieira, da vila de Redondo
Título XXII – Alva de Guevara, de Castela para Castelo de Vide
§ 1.º - Alva | Brandão
§ 2.º - Alva Brandão
§ 3.º - Brandão | Gomes | Cáceres | Leitão |Canelas, de Alpalhão | Sousa
| Bagorro | Tavares de Oliveira | Sousa Ferrão | Sousa de Lacerda
§ 4.º - Brandão | Barradas | Vieira de Andrade
§ 5.º - Gil Freire | Alva de Guevara | Brandão
§ 6.º - Alva de Guevara | Brandão
Título XXIII – Dias Tirado Ortega, de Castelo de Vide
§ 1.º - Ortega | Dias | Pinhão | Tristão | Matos | Carrilho Vilhana | Gonçalves de Mena | Vaz Botelho | Parente | Simões | Guerra | Serra | Manso
§ 2.º - Dias Tirado | Fernandes | Barrento Veludo | Martins Taçalho
| Tavares Rosa | Ramalhete | Figueiroa | Coelho | Costa | Palmeiro | Barros
§ 3.º - Dias Ortega | Rosa, de Chancelaria
§ 4.º - Biscaia, de Gáfete | Biscaia Hortas | Hortas Botelho
§ 5.º - (Desentroncados) Barrento Veludo | Escudeiro | Carvalho
§ 6.º - (Desentroncados) Barrento Veludo | Rosa | Abelho | Ramilo | Portugal
§ 7.º - (Desentroncados) Gonçalves Veludo
§ 8.º - (Desentroncados) Gonçalves Veludo | Valdegas
§ 9.º - (Desentroncados) Dias Ortega
§ 10.º - (Desentroncados) Ramalhete | Velez | Alexandre | Cruz
Título XXIV – Barba Manita, de Castelo de Vide
§ 1.º - Fernandes Barba | Ortega | Mouzinho | Vaz Barba | Freire
§ 2.º - (Desentroncados) Manita
§ 3.º - (Desentroncados) Manita
Título XXV – Gomes de Castro, de Viseu para Castelo de Vide
§ Único - Gomes de Castro | Fernandes | Moniz | Pinheiro | Mourato | Tristão
Título XXVI – Rodrigues Pinheiro, de Nisa para Castelo de Vide
§ 1.º - Rodrigues | Gomes | Morão Pinheiro | Ramos
§ 2.º - Rodrigues | Pinheiro | Franco | Ramos
§ 3.º - Pinheiro
Título XXVII – Álvares Mergulhão, de Castelo de Vide
§ 1.º - Mergulhão | Carrilho Gil | Sequeira | Pinheiro | Rouqueiro
§ 2.º - Mergulhão
§ 3.º - Carrilho | Salgueiro Maia, do Capitão de Abril
§ 4.º - Sequeira
§ 5.º - (Desentroncados) Mergulhão | Dias
§ 6.º - (Desentroncados) Mergulhão | Costa
§ 7.º - (Desentroncados) Mergulhão
§ 8.º  - (Desentroncados) Mergulhão
Título XXVIII – Dias Narigão, de Castelo de Vide
§ 1.º - Vaz Narigão | Martins Estrada | Sequeira | Barrento | Correia | Tavares Maggessi
§ 2.º - Correia
§ 3.º - Sequeira
§ 4.º - Vaz Narigão | Baptista | Pedro
§ 5.º - Sequeira | Videira
§ 6.º - (Desentroncados) Dias Narigão
§ 7.º - (Desentroncados) Dias Narigão
§ 8.º - (Desentroncados) Dias Narigão | Travassos
§ 9.º - (Desentroncados) Dias Narigão
§ 10.º - (Desentroncados) Dias Narigão | Carrilho Valente | Lopes
Título XXIX – Gonçalves Tolosa, de Castelo de Vide
§ 1.º - Gonçalves Tolosa | Matos | Aires
§ 2.º - Ronquilho | Tavares Rosa
§ 3.º - (Desentroncados) Tolosa | Leitão
Título XXX – Carrilho e Albuquerque, de Castela para Castelo de Vide
Notas Preambulares
§ 1.º - Fernandes Carrilho | Mouzinho Barba
§ 2.º - Carrilho | Lobo da Gama
Título XXXI – Pais, de Castelo de Vide
§ Único - Pais | Gomes | Rodrigues
Título XXXII – Gomes Fernandes, de Montalvão para Castelo de Vide
§ 1.º- Lopes | Fernandes | Gonçalves
§ 2.º - Gomes | Rodrigues
§ 3.º - Mendes | Pinheiro, de Alandroal | Couto, de Vila Viçosa
§ 4.º - Mendes | Gomes | Carvalho
§ 5.º - Rodrigues Ramos
6.º - Melo e Lacerda, de Elvas | Melo e Lacerda Brederode de Andrade, de Elvas
§ 7.º - (Desentroncados) Bártolo | Rodrigues | Dias | Estrada
Título XXXIII – Fernandes Pinheiro, de Castelo Branco para Castelo de Vide
§ Único - Fernandes | Pinheiro | Cepeda
Título XXXIV – Gonçalves Henriques, de Castelo de Vide
§ 1.º - Gonçalves | Pecheiro | Silva | Paredes
§ 2.º - Gonçalves
§ 3.º - Henriques | Gonçalves
§ 4.º - Henriques
Título XXXV – Gonçalves Crato, da região da Guarda para Castelo de Vide
§ Único - Gonçalves | Rodrigues
Título XXXVI – Cáceres Rodrigues, de Fronteira para Castelo de Vide
§ 1.º - Cáceres | Gonçalves | Rodrigues
§ 2.º - (Desentroncados) Cáceres | Pires | Carrilho
§ 3.º - (Desentroncados) Cáceres
Título XXXVII – Lopes Gomes, de Fronteira
§ Único - Lopes | Gomes | Mendes
Título XXXVIII – Mendes Carrilho, de Portalegre
§ Único - Mendes | Gomes
Título XXXIX – Lopes Nunes, de Portalegre para Castelo de Vide
§ Único - Lopes | Orta | Fernandes
Título XL – Rodrigues de Luna, de Castelo Branco com ligações a Castelo de Vide
§ 1.º - Rodrigues | Brandão | Luna | Santilhana
§ 2.º - Montalto, do Doutor Elias Montalto
§ 3.º - Dias | Santilhana, de Castelo Branco | Aires
Título XLI – Fernandes Calcinas, de Castelo de Vide
§ Único - Fernandes Calcinas
Título XLII – Asnalhos e Oreia, de Castelo de Vide
§ Único - Asnalhos e Oreia
Título XLIII – «Perpétuos», de Castelo de Vide
§ Único - Rodrigues | Fernandes | Sarzedas | Dias Bijos
Título XLIV – Lopes, de Castelo de Vide
§ Único - Lopes
Título XLV – Pinto e Aranha, de Monforte e de Arronches para Castelo de Vide
§ Único - Pinto, de Monforte e Arronches | Aranha | Gomes | Machado
Outros Cristãos-Novos em Castelo de Vide
Judeus da Fase Pré-Édito
Judeus da Fase Pós-Édito
Documentos Anexos
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