JOVEM SEDUZIDA
É DESPREZADA PELO PRETENDENTE
Versão de Fortios (concelho de Portalegre). Transcrição de Ruy Ventura.
CANTIGA
Eu amava uma menina, tinha-lhe muita amizade.
Falava-lhe à meia-noite e todos os dias à tarde.
Um dia lhe perguntei qual era a sua intenção:
"Se não logro carinhos teus, rebento de paixão."
"Se tu lograsses carinhos meus, ai de mim, o que seria?
Matavas o teu desejo, casar comigo não querias."
"Casava, querida, casava. Junto ao pé de quem sou
Tenho o sentido perdido, já não sei onde estou.
Já não sei onde estou, minha terra onde fica.
Remédios para te ver já os não há na botica."
Desceu pela escada abaixo, na mão direita me pegou.
"Boa cama cidadão." Logo ali se deitou.
Logo ali se ajoelhou a um Senhor que ela tinha.
"Os cinco sentidos que eu tenho os emprego em ti menina."
Primeiro era cheirar o cheiro da linda rosa.
Corria-lhe a mão pelo rosto, era coisa preciosa.
Quando foi o nascer da aurora, estava em estado de cair.
"Deixa-me ir daqui embora, antes que me vejam ir.
Não quero que a sua mãe diga que eu vim aqui dormir."
"Vai-te falso, vai-te ingrato, já lograste carinhos meus.
Lá irás ao Purgatório fazer contas com Deus."
"Se eu for ao Purgatório, hei-de ir com boa tenção.
Quero que Deus me perdoe como perdoou ao bom ladrão."
Torradas, boas torradas, eu aqui bem as torrei.
Fazias-te fina comigo, mas eu bem te apanhei.
Torradas, novas torradas, torradas, café, cebola.
Difamei uma bela donzela, casar com ela? Xô rola!
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sexta-feira, 18 de julho de 2008
JOVEM PÕE NAMORADA À PROVA
Versão de Fortios (concelho de Portalegre), recitada por Antónia Grilo, de 83 anos. Recolhida em 2001. Transcrição de Ruy Ventura.
CANTIGA
"Onde vais ó padeirinha de pucarinha na mão?"
"Vou à fonte buscar água, olaré, para amassar o meu pão."
"Para amassar o teu pão, padeirinha faz-me um bolinho.
Eu já daqui não abalo, olaré, sem tu me dares um beijinho."
"Um beijinho não te dou, porque não to posso dar.
Se a minha mãe lá souber, olaré, não me faltaria ralhar."
"Se a tua mãe te ralhar, tu não lhe baixes a asa.
Se ela te quiser bater, olaré, tu foges para minha casa."
"Para tua casa não vou. Não tenho lá que fazer.
Se a minha mãe me ralhar, olaré, o meu remédio é sofrer."
"Gosto de ti, ó padeirinha, do teu modo de falar.
Se sempre falares assim, olaré, depressa vamos casar."
Versão de Fortios (concelho de Portalegre), recitada por Antónia Grilo, de 83 anos. Recolhida em 2001. Transcrição de Ruy Ventura.
CANTIGA
"Onde vais ó padeirinha de pucarinha na mão?"
"Vou à fonte buscar água, olaré, para amassar o meu pão."
"Para amassar o teu pão, padeirinha faz-me um bolinho.
Eu já daqui não abalo, olaré, sem tu me dares um beijinho."
"Um beijinho não te dou, porque não to posso dar.
Se a minha mãe lá souber, olaré, não me faltaria ralhar."
"Se a tua mãe te ralhar, tu não lhe baixes a asa.
Se ela te quiser bater, olaré, tu foges para minha casa."
"Para tua casa não vou. Não tenho lá que fazer.
Se a minha mãe me ralhar, olaré, o meu remédio é sofrer."
"Gosto de ti, ó padeirinha, do teu modo de falar.
Se sempre falares assim, olaré, depressa vamos casar."
JURAMENTO AMOROSO
Versão de Fortios (concelho de Portalegre). Recolha do Rancho Folclórico dos Fortios. Transcrição de Ruy Ventura.
SAIAS DO BALDIO
"Em Portalegre fui caixeiro, na Urra fui lavrador,
N' Alagoa carpinteiro, nos Fortios sou cantador."
"Tens uma voz tão trinada, que me chega ao coração.
Ainda estou na minha casa, já sei que andas na função."
"Ouve lá ó rapariga o que eu agora te digo:
Se tu gostares de mil, quero ter falas contigo."
"Ó cantador afamado, coração de pedra dura,
Mas se falas a verdade o meu peito se aventura."
"Se tu me quisesses tanto como eu te quero de mais,
No caminho se encontravam meus suspiros com teus ais."
"As estrelas miudinhas fazem um céu bem composto.
Já Deus me chegou a tempo de ter amores ao meu gosto."
"Jura, amor, juramos ambos. Façamos jura bem feita.
Jura lá que me hás-de dar na igreja a mão direita."
"Ó meu amor, anda, vamos à igreja dar a mão,
Tapar as bocas ao mundo, descansar meu coração."
Versão de Fortios (concelho de Portalegre). Recolha do Rancho Folclórico dos Fortios. Transcrição de Ruy Ventura.
SAIAS DO BALDIO
"Em Portalegre fui caixeiro, na Urra fui lavrador,
N' Alagoa carpinteiro, nos Fortios sou cantador."
"Tens uma voz tão trinada, que me chega ao coração.
Ainda estou na minha casa, já sei que andas na função."
"Ouve lá ó rapariga o que eu agora te digo:
Se tu gostares de mil, quero ter falas contigo."
"Ó cantador afamado, coração de pedra dura,
Mas se falas a verdade o meu peito se aventura."
"Se tu me quisesses tanto como eu te quero de mais,
No caminho se encontravam meus suspiros com teus ais."
"As estrelas miudinhas fazem um céu bem composto.
Já Deus me chegou a tempo de ter amores ao meu gosto."
"Jura, amor, juramos ambos. Façamos jura bem feita.
Jura lá que me hás-de dar na igreja a mão direita."
"Ó meu amor, anda, vamos à igreja dar a mão,
Tapar as bocas ao mundo, descansar meu coração."
JOANINHA E O ESTUDANTE
Versão de Fortios (concelho de Portalegre), recitada por Maria Esteves, de 78 anos. Recolhida em 2001. Transcrição de Ruy Ventura.
CANTIGA
"Olá menina Joaninha." "Boa noite, senhor Joãozinho."
"Está em casa sozinha?" "Estou à espera do meu paizinho."
"Está aqui sempre encerrada, já nunca quer aparecer.
Quando sai vai encantada, ninguém é capaz de a ver."
"Joãozinho, tenha paciência em eu lhe falar assim.
Não lhe deve fazer diferença, que não tem interesse em mim."
"Joaninha, não fales assim. Não digas palavras tais.
Eu não sofro de amor por ti, que é ainda muito mais."
"Joãozinho, eu bem sei que por mim não sofre nada.
Sei que sofre sim por quem, pela sua namorada."
"Namorada hei-de terr quando a Joaninha quiser,
Que eu não me quero prender ao amor de outra mulher."
"As juras do senhor estudante, desculpe eu dizer como são,
São tão firmes como a manteiga quando no focinho de um cão."
"Com essas tuas palavras quase me ias ofendendo.
Ainda um dia vem a saber o que por ti estou sofrendo."
"Joãozinho, eu bem sei que amanhã é doutor.
Eu bem sei que não mereço homem de tanto valor."
Versão de Fortios (concelho de Portalegre), recitada por Maria Esteves, de 78 anos. Recolhida em 2001. Transcrição de Ruy Ventura.
CANTIGA
"Olá menina Joaninha." "Boa noite, senhor Joãozinho."
"Está em casa sozinha?" "Estou à espera do meu paizinho."
"Está aqui sempre encerrada, já nunca quer aparecer.
Quando sai vai encantada, ninguém é capaz de a ver."
"Joãozinho, tenha paciência em eu lhe falar assim.
Não lhe deve fazer diferença, que não tem interesse em mim."
"Joaninha, não fales assim. Não digas palavras tais.
Eu não sofro de amor por ti, que é ainda muito mais."
"Joãozinho, eu bem sei que por mim não sofre nada.
Sei que sofre sim por quem, pela sua namorada."
"Namorada hei-de terr quando a Joaninha quiser,
Que eu não me quero prender ao amor de outra mulher."
"As juras do senhor estudante, desculpe eu dizer como são,
São tão firmes como a manteiga quando no focinho de um cão."
"Com essas tuas palavras quase me ias ofendendo.
Ainda um dia vem a saber o que por ti estou sofrendo."
"Joãozinho, eu bem sei que amanhã é doutor.
Eu bem sei que não mereço homem de tanto valor."
DESPIQUE ENTRE DOIS PRETENDENTES
Versão de Fortios (concelho de Portalegre), recitada por Maria José Paulo, de 85 anos. Recolhida em 2001. Transcrição de Ruy Ventura.
CANTIGA DO CARNAVAL
O Manuel e o Joaquim são dois jovens encantados,
Mas têm grandes problemas porque andam sempre zangados.
Não há quem na terra não veja, não há quem na terra não ouça.
Têm um grande problema: disputam a mesma moça.
Não há coisa mais bonita, nem coisa mais engraçada:
A rapariga é catita e eles brigam à desgarrada.
Um quer a Inês para si e diz que a faz feliz.
Outro nada lhe promete e em modo de verso lhe diz:
"Rapariga, pensa bem no que agora te digo,
Que só merece quem tem, eu mereço ficar contigo."
O Manuel já está zangado com a conversa do Joaquim:
"Já que és moço arrogado, chega-te cá para mim.
Ò Joaquim, assenta bem o que eu agora te digo:
Se ela pretende alguém, pretende ficar comigo."
"Dizes que fica contigo, já te digo que tem um preço.
A Inês fica comigo, pois sou eu que a mereço."
"Homem mais burro não conheço, julga que é o primeiro
E que a Inês o pretende porque tem muito dinheiro.
O dinheiro não é tudo, já te vou a ripostar.
Quando se acabar o dinheiro, como a vais governar?"
"Tu tens fala de enganar, e a resposta aí vai:
Quando o dinheiro acabar está o dinheiro do meu pai."
"Eu já te vou a dizer qual a nossa solução:
É preciso é amar, amar é ter coração."
"Se não te dou a razão, quem resolve é a Inês.
Não venhas com frases feitas, já não te digo outra vez."
"Agora tu tens razão e eu já estou decidido.
Vai acabar a discussão, fica contigo ou comigo."
"Sou apenas uma rapariga, não estou aqui para julgar.
Ainda não estou decidida qual dos dois levo ao altar."
E acabou a discussão, um sem fala, outro mudo.
Era apenas reinação que se faz no baile de entrudo.
Versão de Fortios (concelho de Portalegre), recitada por Maria José Paulo, de 85 anos. Recolhida em 2001. Transcrição de Ruy Ventura.
CANTIGA DO CARNAVAL
O Manuel e o Joaquim são dois jovens encantados,
Mas têm grandes problemas porque andam sempre zangados.
Não há quem na terra não veja, não há quem na terra não ouça.
Têm um grande problema: disputam a mesma moça.
Não há coisa mais bonita, nem coisa mais engraçada:
A rapariga é catita e eles brigam à desgarrada.
Um quer a Inês para si e diz que a faz feliz.
Outro nada lhe promete e em modo de verso lhe diz:
"Rapariga, pensa bem no que agora te digo,
Que só merece quem tem, eu mereço ficar contigo."
O Manuel já está zangado com a conversa do Joaquim:
"Já que és moço arrogado, chega-te cá para mim.
Ò Joaquim, assenta bem o que eu agora te digo:
Se ela pretende alguém, pretende ficar comigo."
"Dizes que fica contigo, já te digo que tem um preço.
A Inês fica comigo, pois sou eu que a mereço."
"Homem mais burro não conheço, julga que é o primeiro
E que a Inês o pretende porque tem muito dinheiro.
O dinheiro não é tudo, já te vou a ripostar.
Quando se acabar o dinheiro, como a vais governar?"
"Tu tens fala de enganar, e a resposta aí vai:
Quando o dinheiro acabar está o dinheiro do meu pai."
"Eu já te vou a dizer qual a nossa solução:
É preciso é amar, amar é ter coração."
"Se não te dou a razão, quem resolve é a Inês.
Não venhas com frases feitas, já não te digo outra vez."
"Agora tu tens razão e eu já estou decidido.
Vai acabar a discussão, fica contigo ou comigo."
"Sou apenas uma rapariga, não estou aqui para julgar.
Ainda não estou decidida qual dos dois levo ao altar."
E acabou a discussão, um sem fala, outro mudo.
Era apenas reinação que se faz no baile de entrudo.
MARIQUINHAS
Versão de Portalegre. Recitada por Maria Emília Miranda Franco, de 62 anos, natural de Reguengo (concelho de Portalegre). Recolha de Fernanda Franco em Novembro de 2000. Transcrição de Ruy Ventura.
"É chegada a ocasião de encontrar a quem eu queria.
Como passas, Mariquinhas, há muito que ná te via?
Agora que aqui te vejo, já tenho mais alegria."
"Que lhe importa como eu passo, sempre é bem impertinente.
Passe bem ou passe mal, o meu corpo é que o sente."
"Ai, se tu soubesses Mariquinhas, não me falavas assim.
Eu gosto muito de ti, tu é que não gostas de mim.
Dá-me a tua direita mão para séculos sem fim."
"Tenho duas, se lhe dou uma, decerto que fico mal,
Fico maneta de um braço, tenho que ir para o hospital."
"Não é assim como dizes, é falta de entendimento,
É um laço que se dá quando há um casamento.
Dá-me a tua qu' eu dou-te a minha para o nosso arrecebimento."
[..................................................] [.............................................]
Versão de Portalegre. Recitada por Maria Emília Miranda Franco, de 62 anos, natural de Reguengo (concelho de Portalegre). Recolha de Fernanda Franco em Novembro de 2000. Transcrição de Ruy Ventura.
"É chegada a ocasião de encontrar a quem eu queria.
Como passas, Mariquinhas, há muito que ná te via?
Agora que aqui te vejo, já tenho mais alegria."
"Que lhe importa como eu passo, sempre é bem impertinente.
Passe bem ou passe mal, o meu corpo é que o sente."
"Ai, se tu soubesses Mariquinhas, não me falavas assim.
Eu gosto muito de ti, tu é que não gostas de mim.
Dá-me a tua direita mão para séculos sem fim."
"Tenho duas, se lhe dou uma, decerto que fico mal,
Fico maneta de um braço, tenho que ir para o hospital."
"Não é assim como dizes, é falta de entendimento,
É um laço que se dá quando há um casamento.
Dá-me a tua qu' eu dou-te a minha para o nosso arrecebimento."
[..................................................] [.............................................]
DIÁLOGO ENTRE DOIS JOVENS
NA COLHA DA AZEITONA
Versão de Fortios (concelho de Portalegre). Transcrição de Ruy Ventura.
"De cima desta oliveira, vou-te fazer uma procura.
Diz-me cá, ó cantadeira, se a azeitona está madura."
"Valha-te Deus criatura, o que me vens procurar.
Uma mole outra mais dura, toda se tem que apanhar."
"Vai toda para o lagar para fazer azeite fino,
Para o Senhor se alumiar no sagrado altar divino."
"Eu já vi que és muito fino, percebo a tua intenção.
Põe a escada bem a pino, não deites ramos para o chão."
"Devagar se corre a mão, bem firme se põe a escada.
É Inverno, não é Verão, os ramos têm geada."
"Eu estou quase engadanhada, mas ao lume posso ir.
Para cantar à desgarrada, estou aqui para te ouvir."
"Contigo quero discutir para que tu me compreendas.
Não penses que eu vou cair nas malhas da tua renda!"
"A cantar nunca me ofendes, nem queiras imaginar.
Se és vendedor de fazendas, eu não te quero comprar."
"Vamos ter que mudar deste para outro olival.
Temos os panos a dobrar, já se não levam tão mal."
"O encarregado geral já deu ordem de partida.
Se a azeitona for igual, temos uma fega comprida."
"Azeitona bem miúda, fica depois em bagaço.
Cantando se leva a vida, é mais uma quadra que faço."
"Já vou sentindo cansaço de andar com escadas às costas.
Com o meu desembaraço, vou-te arranjando as respostas."
"Por aquilo que demonstras, vejo a tua dignidade.
Já vi que de mim não gostas, cantemos por amizade."
"Para te dizer a verdade, não tenhas essa ilusão.
No cantar não há maldade, no trabalho também não."
"Vamos pedir ao patrão que nos dê acabamento:
Café, fatias e pão, vinho, tomate e pimento."
"E um bailarico, lá dentro do quintal da laranjeira.
Para nosso divertimento nós fazemos a bandeira."
NA COLHA DA AZEITONA
Versão de Fortios (concelho de Portalegre). Transcrição de Ruy Ventura.
"De cima desta oliveira, vou-te fazer uma procura.
Diz-me cá, ó cantadeira, se a azeitona está madura."
"Valha-te Deus criatura, o que me vens procurar.
Uma mole outra mais dura, toda se tem que apanhar."
"Vai toda para o lagar para fazer azeite fino,
Para o Senhor se alumiar no sagrado altar divino."
"Eu já vi que és muito fino, percebo a tua intenção.
Põe a escada bem a pino, não deites ramos para o chão."
"Devagar se corre a mão, bem firme se põe a escada.
É Inverno, não é Verão, os ramos têm geada."
"Eu estou quase engadanhada, mas ao lume posso ir.
Para cantar à desgarrada, estou aqui para te ouvir."
"Contigo quero discutir para que tu me compreendas.
Não penses que eu vou cair nas malhas da tua renda!"
"A cantar nunca me ofendes, nem queiras imaginar.
Se és vendedor de fazendas, eu não te quero comprar."
"Vamos ter que mudar deste para outro olival.
Temos os panos a dobrar, já se não levam tão mal."
"O encarregado geral já deu ordem de partida.
Se a azeitona for igual, temos uma fega comprida."
"Azeitona bem miúda, fica depois em bagaço.
Cantando se leva a vida, é mais uma quadra que faço."
"Já vou sentindo cansaço de andar com escadas às costas.
Com o meu desembaraço, vou-te arranjando as respostas."
"Por aquilo que demonstras, vejo a tua dignidade.
Já vi que de mim não gostas, cantemos por amizade."
"Para te dizer a verdade, não tenhas essa ilusão.
No cantar não há maldade, no trabalho também não."
"Vamos pedir ao patrão que nos dê acabamento:
Café, fatias e pão, vinho, tomate e pimento."
"E um bailarico, lá dentro do quintal da laranjeira.
Para nosso divertimento nós fazemos a bandeira."
DESPIQUE ENTRE MARIDO E MULHER (2)
Versão de Carreiras (concelho de Portalegre), recitada por Ana Fernandes Martins, nascida em 1913 e falecida em 1997. Recolhida por Maria da Liberdade Alegria Bruno em 1985. Transcrição de Ruy Ventura.
"Deus te salve mulher ingrata, 'inda estás muito bem deitada.
'tás deitada à boa vida e não queres fazer nada,
Nem o jantar me tens feito, está uma boa empada!"
"Por que é que me chamas empada? Diz-me que mal te fiz eu.
Por não ter o jantar feito, podes comer como eu,
Pois se ele não for melhor, pode ser igual ao meu."
"Tu eras mal empregada a não teres um bom jantar.
'tás deitada à boa vida, eu farto de trabalhar,
'inda me dizes, velhaca, qu' eu que t' hei-de governar."
"Se tu assim o não querias, não procuraras tal estado.
Escusava d' agora ter dois filhinhos ao meu lado.
Quer de dia quer de noite, não é pequeno o enfado."
"A grande trabalhadora, com dois filhinhos que tem...
Há tal que tem seis e sete [..........................................]
Tratim deles com' às mais e ajudim seus homens também."
"Triste de quem atura homens, deve-se vestir de graça,
Ter paciência de Job, saber tudo quanto passa.
E os homens todos são maus, todos são da mesma raça."
"As mulheres são umas santinhas, umas falsas criaturas.
Inganim os pobres homens com palavras, formosuras.
Dizem umas certas razões, são cadeias d' imposturas."
"Toma conta dos teus filhos, qu' estão de boa idade,
P'ra me saber governar, tenho boa habilidade."
"O teu pai fez muito mal não te ter metido num convento.
Porque és flor muito mimosa, faz-te mal andar ao vento."
"Não nasci para ser freira nem senhora recolhida,
Só nasci para ser tua, para me dares tão má vida.
[De] contigo ter amores eu já 'tou arrependida."
"Esta mulher é o diabo, não a faço ter prudença.
Não tens emenda na língua, e acabo-te c' a irresistença!"
"Das contas que tu me deres, tu não ficas sem quinhão:
Davas-me uma bofetada, eu dava-te um bofatão,
E vinha o diabo s' eu levava pancadas da tua mão."
Versão de Carreiras (concelho de Portalegre), recitada por Ana Fernandes Martins, nascida em 1913 e falecida em 1997. Recolhida por Maria da Liberdade Alegria Bruno em 1985. Transcrição de Ruy Ventura.
"Deus te salve mulher ingrata, 'inda estás muito bem deitada.
'tás deitada à boa vida e não queres fazer nada,
Nem o jantar me tens feito, está uma boa empada!"
"Por que é que me chamas empada? Diz-me que mal te fiz eu.
Por não ter o jantar feito, podes comer como eu,
Pois se ele não for melhor, pode ser igual ao meu."
"Tu eras mal empregada a não teres um bom jantar.
'tás deitada à boa vida, eu farto de trabalhar,
'inda me dizes, velhaca, qu' eu que t' hei-de governar."
"Se tu assim o não querias, não procuraras tal estado.
Escusava d' agora ter dois filhinhos ao meu lado.
Quer de dia quer de noite, não é pequeno o enfado."
"A grande trabalhadora, com dois filhinhos que tem...
Há tal que tem seis e sete [..........................................]
Tratim deles com' às mais e ajudim seus homens também."
"Triste de quem atura homens, deve-se vestir de graça,
Ter paciência de Job, saber tudo quanto passa.
E os homens todos são maus, todos são da mesma raça."
"As mulheres são umas santinhas, umas falsas criaturas.
Inganim os pobres homens com palavras, formosuras.
Dizem umas certas razões, são cadeias d' imposturas."
"Toma conta dos teus filhos, qu' estão de boa idade,
P'ra me saber governar, tenho boa habilidade."
"O teu pai fez muito mal não te ter metido num convento.
Porque és flor muito mimosa, faz-te mal andar ao vento."
"Não nasci para ser freira nem senhora recolhida,
Só nasci para ser tua, para me dares tão má vida.
[De] contigo ter amores eu já 'tou arrependida."
"Esta mulher é o diabo, não a faço ter prudença.
Não tens emenda na língua, e acabo-te c' a irresistença!"
"Das contas que tu me deres, tu não ficas sem quinhão:
Davas-me uma bofetada, eu dava-te um bofatão,
E vinha o diabo s' eu levava pancadas da tua mão."
DESPIQUE ENTRE MARIDO E MULHER (1)
Versão de Fortios (concelho de Portalegre). Transcrição de Ruy Ventura.
CANTIGA
"Deus te salve mulher ingrata, que estás muito bem deitada,
Nem o jantar me tens feito, estás uma bela empada."
"Por que me chamas empada? Diz-me: que mal te fiz eu?
Por não ter o jantar pronto, tu podes comer do meu.
Além de não ser bom, será assim igual ao teu."
"Tu eras mal empregada de não teres um bom jantar.
Tu deitada à boa vida e eu farto de trabalhar.
Ainda não digas, velhaca, que eu te hei-de governar."
"Pois se tu assim não querias, não tomasses tal estado.
Quer de noite, quer de dia, dois meninos ao meu lado.
Ainda te parece, marido, que é pequeno o meu fado."
"Oh, que grande trabalhadeira, com dois meninos que tem.
A tal tem seis e sete, tratam deles como as mães
[..............................] alinham os maridos também."
"Pois se tu assim não querias, não pedisses à minha mãe
Sem falares com o meu pai [............................................].
Por isso te digo, marido, vai-te embora, não te quero mais."
Versão de Fortios (concelho de Portalegre). Transcrição de Ruy Ventura.
CANTIGA
"Deus te salve mulher ingrata, que estás muito bem deitada,
Nem o jantar me tens feito, estás uma bela empada."
"Por que me chamas empada? Diz-me: que mal te fiz eu?
Por não ter o jantar pronto, tu podes comer do meu.
Além de não ser bom, será assim igual ao teu."
"Tu eras mal empregada de não teres um bom jantar.
Tu deitada à boa vida e eu farto de trabalhar.
Ainda não digas, velhaca, que eu te hei-de governar."
"Pois se tu assim não querias, não tomasses tal estado.
Quer de noite, quer de dia, dois meninos ao meu lado.
Ainda te parece, marido, que é pequeno o meu fado."
"Oh, que grande trabalhadeira, com dois meninos que tem.
A tal tem seis e sete, tratam deles como as mães
[..............................] alinham os maridos também."
"Pois se tu assim não querias, não pedisses à minha mãe
Sem falares com o meu pai [............................................].
Por isso te digo, marido, vai-te embora, não te quero mais."
sexta-feira, 11 de julho de 2008
O PATRÃO E A CRIADA
Versão de Fortios (concelho de Portalegre). Recitada por Rosa Antão Carrilho, de 73 anos. Recolhida em 2001. Transcrição de Ruy Ventura.
"Deolinda, tu não sabes a dor que o meu peito sente,
Em te não vendo em casa, fico logo descontente,
Em ouvindo a tua fala, fico louco de repente."
"Olha a graça do patrão, dá-me vontade de rir.
Não me estejas com chalaças, que a patroa pode ouvir."
"A patroa está dormindo, não ouve o que a gente diz.
Faz o serviço bem feito, que ainda vens a ser feliz.
No dia que eu fizer anos vais comigo a Paris."
"Era agora o que faltava era eu ir para o estrangeiro
Para fazer essa viagem, patrão, não tenho dinheiro.
Tenho os meus três muito certos guardados no mealheiro."
"É por esses três, menina, que tu tens em teu poder.
Qual é que há-de ser o dia em que me os hás-de deixar ver?
Tenho coragem e dinheiro para o mealheiro encher."
"A patroa também tem um mealheiro já usado.
Ainda há pouco que eu lho vi, que está todo escangalhado.
Deve ser do dinheiro que o patrão lá tem deitado."
Versão de Fortios (concelho de Portalegre). Recitada por Rosa Antão Carrilho, de 73 anos. Recolhida em 2001. Transcrição de Ruy Ventura.
"Deolinda, tu não sabes a dor que o meu peito sente,
Em te não vendo em casa, fico logo descontente,
Em ouvindo a tua fala, fico louco de repente."
"Olha a graça do patrão, dá-me vontade de rir.
Não me estejas com chalaças, que a patroa pode ouvir."
"A patroa está dormindo, não ouve o que a gente diz.
Faz o serviço bem feito, que ainda vens a ser feliz.
No dia que eu fizer anos vais comigo a Paris."
"Era agora o que faltava era eu ir para o estrangeiro
Para fazer essa viagem, patrão, não tenho dinheiro.
Tenho os meus três muito certos guardados no mealheiro."
"É por esses três, menina, que tu tens em teu poder.
Qual é que há-de ser o dia em que me os hás-de deixar ver?
Tenho coragem e dinheiro para o mealheiro encher."
"A patroa também tem um mealheiro já usado.
Ainda há pouco que eu lho vi, que está todo escangalhado.
Deve ser do dinheiro que o patrão lá tem deitado."
Assassinato conjugal
A SALA DO MEU RECREIO
Versão de Fortios (concelho de Portalegre), recitada por Maria de Fátima Bicho, de 50 anos. Recolhida em 2001. Transcrição de Ruy Ventura.
"Ai eu fui ao jardim da nora, fui colher a flor do alecrim.
Só tua mãe te criou, lindos olhos para mim."
"Anda minha amiga, anda, comigo dar um passeio.
Vamos comer um jantar à sala do meu recreio."
"À sala do teu recreio, isso não, não pode ser.
É que está lá a tua mulher, que nem à sombra me quer ver."
"Minha mulher não está lá, nem por estes dias vem.
Foi fazer uma visita ao seu pai e sua mãe."
Logo ao primeiro prato, logo ao prato primeiro,
Ela lhe disse para ele quem seria o cozinheiro.
"Come, minha amiga, come, não te faças amarela.
Olha que estás comendo da mais mimosa vitela."
"Da mais mimosa não é, é que ela deita amargor.
Mataste a tua mulher e foste para mim um traidor."
"Matei a minha mulher, e isto para a gente é segredo.
Ai toma lá estes anéis que ela trazia nos dedos."
"Os anéis que tu me deste também te servem a ti.
E mataste a tua mulher e também me matas a mim.
Venha povo, venha povo! Venha povo, venha ver!
Venha também a justiça para este ladrão prender.
Matou a sua mulher e ainda me a veio dar a comer."
A SALA DO MEU RECREIO
Versão de Fortios (concelho de Portalegre), recitada por Maria de Fátima Bicho, de 50 anos. Recolhida em 2001. Transcrição de Ruy Ventura.
"Ai eu fui ao jardim da nora, fui colher a flor do alecrim.
Só tua mãe te criou, lindos olhos para mim."
"Anda minha amiga, anda, comigo dar um passeio.
Vamos comer um jantar à sala do meu recreio."
"À sala do teu recreio, isso não, não pode ser.
É que está lá a tua mulher, que nem à sombra me quer ver."
"Minha mulher não está lá, nem por estes dias vem.
Foi fazer uma visita ao seu pai e sua mãe."
Logo ao primeiro prato, logo ao prato primeiro,
Ela lhe disse para ele quem seria o cozinheiro.
"Come, minha amiga, come, não te faças amarela.
Olha que estás comendo da mais mimosa vitela."
"Da mais mimosa não é, é que ela deita amargor.
Mataste a tua mulher e foste para mim um traidor."
"Matei a minha mulher, e isto para a gente é segredo.
Ai toma lá estes anéis que ela trazia nos dedos."
"Os anéis que tu me deste também te servem a ti.
E mataste a tua mulher e também me matas a mim.
Venha povo, venha povo! Venha povo, venha ver!
Venha também a justiça para este ladrão prender.
Matou a sua mulher e ainda me a veio dar a comer."
Jovem enganada pelo namorado suicida-se
A COSTUREIRA
Versão de Fortios (concelho de Portalegre), recitada por Maria de Fátima Bicho, de 50 anos. Recolhida em 2001. Transcrição de Ruy Ventura.
Trabalhava a costureira uma noite inteira no seu intento
Para deixar concluído o seu vestido de casamento.
De manhã as raparigas, duas amigas da sua infância,
Levaram cravos, rosas, e flores mimosas com abundância.
No civil com atenção, com união, tudo exclamava.
Desmaiava a noiva em saber do noivo ter outra enganada.
Ela foi para o seu quarto e lá de dentro fechou a porta.
Quando foram para a arrombar já foram dar com ela morta.
Com o seu lindo vestido melhor tecido levou ao chão.
E as flores do casamento foi sentido sobre o caixão.
A COSTUREIRA
Versão de Fortios (concelho de Portalegre), recitada por Maria de Fátima Bicho, de 50 anos. Recolhida em 2001. Transcrição de Ruy Ventura.
Trabalhava a costureira uma noite inteira no seu intento
Para deixar concluído o seu vestido de casamento.
De manhã as raparigas, duas amigas da sua infância,
Levaram cravos, rosas, e flores mimosas com abundância.
No civil com atenção, com união, tudo exclamava.
Desmaiava a noiva em saber do noivo ter outra enganada.
Ela foi para o seu quarto e lá de dentro fechou a porta.
Quando foram para a arrombar já foram dar com ela morta.
Com o seu lindo vestido melhor tecido levou ao chão.
E as flores do casamento foi sentido sobre o caixão.
quinta-feira, 5 de junho de 2008
JOÃO SILVA DA COSTA
Versão de Carvalhal, freguesia do Salvador da Aramenha (concelho de Marvão), recitada por Maria Josefa Baptista, nascida em 1919. Recolhida por Ruy Ventura em 31.03.2001.
Sexta-feira da Paixão um caso se praticou:
O João Silva da Costa nesse dia se matou.
Nesse dia se matou p'la sua pouca vintura.
Foi lançar o seu pescoço à correia da cintura.
Deixou escrito no seu lenço
(Já 'tou a dezêr mal...)
"Vou fazer este serviço p'rò meu nome s' acabar.
Não me ponham jé mais faltas, por isso me vou matar."
Deixou escrita no lenço, é porque sabia ler:
"Vão dezêr à Fastina, que me venha também ver."
(Era a namorada dele.)
"Vem cá Maria, vem cá a ver o nosso João!"
Os gritos que ele dava erim gritos d' aflição.
"Vem cá Maria, vem cá, que está nosso filho morto,
Junto à Festa de Flores causou um grande desgosto."
"Mandim dezêr à Fastina que me venha também ver.
[......................................] [........................................]
[......................................] minha bela rapariga,
Levo-a no coração, adeus para toda a vida.
Adeus para toda a vida, adeus para nunca mais,
Levo no meu coração são os meus queridos pais.
Levem-me p'rò Porto Espada, dêem gritos de aflição,
Darei o meu último adeus a quem fechér meu caixão."
Coradas, novas coradas na flor da laranjeira.
Quem lhe fechou o caixão foi uma moça solteira.
Tudo isto aconteceu cá no sítio da Rebêra
[......................................] [........................................]
(Onde mora o ti' Julo.)
(A mesma que fez o outro [verso] foi a Emila Salgueira, mulher do meu primo Baptista.)
Versão de Carvalhal, freguesia do Salvador da Aramenha (concelho de Marvão), recitada por Maria Josefa Baptista, nascida em 1919. Recolhida por Ruy Ventura em 31.03.2001.
Sexta-feira da Paixão um caso se praticou:
O João Silva da Costa nesse dia se matou.
Nesse dia se matou p'la sua pouca vintura.
Foi lançar o seu pescoço à correia da cintura.
Deixou escrito no seu lenço
(Já 'tou a dezêr mal...)
"Vou fazer este serviço p'rò meu nome s' acabar.
Não me ponham jé mais faltas, por isso me vou matar."
Deixou escrita no lenço, é porque sabia ler:
"Vão dezêr à Fastina, que me venha também ver."
(Era a namorada dele.)
"Vem cá Maria, vem cá a ver o nosso João!"
Os gritos que ele dava erim gritos d' aflição.
"Vem cá Maria, vem cá, que está nosso filho morto,
Junto à Festa de Flores causou um grande desgosto."
"Mandim dezêr à Fastina que me venha também ver.
[......................................] [........................................]
[......................................] minha bela rapariga,
Levo-a no coração, adeus para toda a vida.
Adeus para toda a vida, adeus para nunca mais,
Levo no meu coração são os meus queridos pais.
Levem-me p'rò Porto Espada, dêem gritos de aflição,
Darei o meu último adeus a quem fechér meu caixão."
Coradas, novas coradas na flor da laranjeira.
Quem lhe fechou o caixão foi uma moça solteira.
Tudo isto aconteceu cá no sítio da Rebêra
[......................................] [........................................]
(Onde mora o ti' Julo.)
(A mesma que fez o outro [verso] foi a Emila Salgueira, mulher do meu primo Baptista.)
SOLDADO ESQUECIDO PELA NOIVA
EXPÕE-SE À MORTE NA BATALHA
Versão de Carvalhal, freguesia do Salvador da Aramenha (concelho de Marvão), recitada por Maria Josefa Baptista, nascida em 1919. Recolhida por Ruy Ventura em 31.03.2001.
António, que levara para a guerra um pombo de correio encantador
P'ra mandar notícias parà terra à sua noiva amada, Lianor.
À hora da partida o juramento. Ele disse a chorar: "Deus te dê sorte!"
[..............................................] Ela jurou ser dele até à morte.
E um dia pelo pombo, entre promessas, mandou-lhe dizer tristes infindas:
"Sou teu, sou pela Pátria, não me esqueças, sou vivo e se morrer sou teu ainda."
Um dia estando ele muito desorto, vendo o retrato dela, nostalgia,
Quando lhe cai aos pés um pombo morto com um simples bilhete que dizia:
"Cobrei meu juramento, eu bem sei, e tu não voltas mais à nossa terra.
Esquece-te de mim, qu' eu já casei. Desejo-te que sejas feliz aí na guerra."
António gargalhou em voz tremente, deu gritos cheio de raiva, cheio de dor.
Expôs o peito ao fogo heroicamente, morreu sempre a chamar p'la Lianor.
EXPÕE-SE À MORTE NA BATALHA
Versão de Carvalhal, freguesia do Salvador da Aramenha (concelho de Marvão), recitada por Maria Josefa Baptista, nascida em 1919. Recolhida por Ruy Ventura em 31.03.2001.
António, que levara para a guerra um pombo de correio encantador
P'ra mandar notícias parà terra à sua noiva amada, Lianor.
À hora da partida o juramento. Ele disse a chorar: "Deus te dê sorte!"
[..............................................] Ela jurou ser dele até à morte.
E um dia pelo pombo, entre promessas, mandou-lhe dizer tristes infindas:
"Sou teu, sou pela Pátria, não me esqueças, sou vivo e se morrer sou teu ainda."
Um dia estando ele muito desorto, vendo o retrato dela, nostalgia,
Quando lhe cai aos pés um pombo morto com um simples bilhete que dizia:
"Cobrei meu juramento, eu bem sei, e tu não voltas mais à nossa terra.
Esquece-te de mim, qu' eu já casei. Desejo-te que sejas feliz aí na guerra."
António gargalhou em voz tremente, deu gritos cheio de raiva, cheio de dor.
Expôs o peito ao fogo heroicamente, morreu sempre a chamar p'la Lianor.
MARIA FERNANDES PEREIRA
Versão de Carvalhal, freguesia do Salvador da Aramenha (concelho de Marvão), recitada por Maria Josefa Baptista, nascida em 1919. Recolhida por Ruy Ventura em 31.03.2001.
No dia dez de Janeiro houve uma grande paixão:
Maria Fernandes Pereira foi p'ra debaixo do chão.
Seu pai se vestiu de luto com uma grande ternura.
"Filha do meu coração, já lá vais p'rà sepultura!"
Sua mãe dava gritos, que todo o povo esturgia.
"Eras das mais lindas moças que nos Galegos havia."
(E ela era até a mais bonita de todas!)
A sua mana mais velha, que tinha grande paixão:
"Vais gozar a mocidade para debaixo do chão!"
(Fez vinte anos debaixo do chão.)
E a sua mana mais nova tinha grande sentimento.
"Adeus minha querida mana, foste nossa pouco tempo.
Criou-te Nossa Senhora para nossa companhia.
Deixas a nossa família, nunca mais tem alegria."
Coradas, novas coradas, raminho de laranjeira,
("uma flor de laranjeira", tanto faz!)
Tinha grande nomeada Maria Fernandes Pereira.
(A Maria Pereira era moça do meu tempo.)
Versão de Carvalhal, freguesia do Salvador da Aramenha (concelho de Marvão), recitada por Maria Josefa Baptista, nascida em 1919. Recolhida por Ruy Ventura em 31.03.2001.
No dia dez de Janeiro houve uma grande paixão:
Maria Fernandes Pereira foi p'ra debaixo do chão.
Seu pai se vestiu de luto com uma grande ternura.
"Filha do meu coração, já lá vais p'rà sepultura!"
Sua mãe dava gritos, que todo o povo esturgia.
"Eras das mais lindas moças que nos Galegos havia."
(E ela era até a mais bonita de todas!)
A sua mana mais velha, que tinha grande paixão:
"Vais gozar a mocidade para debaixo do chão!"
(Fez vinte anos debaixo do chão.)
E a sua mana mais nova tinha grande sentimento.
"Adeus minha querida mana, foste nossa pouco tempo.
Criou-te Nossa Senhora para nossa companhia.
Deixas a nossa família, nunca mais tem alegria."
Coradas, novas coradas, raminho de laranjeira,
("uma flor de laranjeira", tanto faz!)
Tinha grande nomeada Maria Fernandes Pereira.
(A Maria Pereira era moça do meu tempo.)
quinta-feira, 24 de abril de 2008
JOVEM SEDUZIDA
CONVENCE O NAMORADO A CASAR
Versão de Fortios (concelho de Portalegre), recitada por Joaquim Antunes Vicente, de 73 anos. Recolhida em 2001. Transcrição de Ruy Ventura.
DESPIQUE ENTRE RAPAZ E RAPARIGA
"Ó José, ó Josezinho, tu por aqui a passear?
Parece que de mim foges só para não me vires falar."
"Olha lá, ó Carolina, eu não escuto paixões.
Fala lá para quem quiseres, não quero cativações."
"Quando eras pequenino, eras muito meu amigo.
Fugias à tua mãe só para vires brincar comigo."
"Nesse tempo de criança eu brincava sem maldade
E agora eu não brinco, porque já não tenho vontade.
Ah, ah, ah! Deixa-me rir da boneca enfeitada.
Se não fossem os arreios, não valias uma pitada."
"O maroto e o atrevido, já de mim fazem mangação.
Quantas vezes pelo Céu me prometeste a direita mão!
Agora dizes que não, eu cá sigo o meu intento.
Quantas vezes pelo Céu me prometeste casamento!"
"Escuta lá, ó Carolina, esse teu falar sem tempo.
Mulheres bonitas e boas sempre ganham para o sustento."
"Já meu pai me abandonou, já de mim ninguém tem dó.
Se tu não casares comigo, vou para o fadinho liró."
"Anda cá, ó Carolina, tu é que és a minha amante.
Ainda hoje te vou receber. Quem quiser cantar, que cante."
Torradas, boas torradas. Por cima levam café.
Ainda bem que venceu a Carolina e o José.
CONVENCE O NAMORADO A CASAR
Versão de Fortios (concelho de Portalegre), recitada por Joaquim Antunes Vicente, de 73 anos. Recolhida em 2001. Transcrição de Ruy Ventura.
DESPIQUE ENTRE RAPAZ E RAPARIGA
"Ó José, ó Josezinho, tu por aqui a passear?
Parece que de mim foges só para não me vires falar."
"Olha lá, ó Carolina, eu não escuto paixões.
Fala lá para quem quiseres, não quero cativações."
"Quando eras pequenino, eras muito meu amigo.
Fugias à tua mãe só para vires brincar comigo."
"Nesse tempo de criança eu brincava sem maldade
E agora eu não brinco, porque já não tenho vontade.
Ah, ah, ah! Deixa-me rir da boneca enfeitada.
Se não fossem os arreios, não valias uma pitada."
"O maroto e o atrevido, já de mim fazem mangação.
Quantas vezes pelo Céu me prometeste a direita mão!
Agora dizes que não, eu cá sigo o meu intento.
Quantas vezes pelo Céu me prometeste casamento!"
"Escuta lá, ó Carolina, esse teu falar sem tempo.
Mulheres bonitas e boas sempre ganham para o sustento."
"Já meu pai me abandonou, já de mim ninguém tem dó.
Se tu não casares comigo, vou para o fadinho liró."
"Anda cá, ó Carolina, tu é que és a minha amante.
Ainda hoje te vou receber. Quem quiser cantar, que cante."
Torradas, boas torradas. Por cima levam café.
Ainda bem que venceu a Carolina e o José.
quarta-feira, 9 de janeiro de 2008
JOVEM ESPERA PELO NAMORADO
QUE MORREU NA GUERRA
Versão de Carvalhal, freguesia do Salvador da Aramenha (concelho de Marvão), recitada por Maria Josefa Baptista, nascida em 1919. Recolhida por Ruy Ventura em 31.03.2001.
Maria José
Que ainda se vê
Guardando o seu gado
Que adorava e cria
[..................................]
[..................................]
De tantos amores,
Esses dois pastores
Davim que falar.
Pelos trigais [...]
Quando se zangavam,
Punham-se a cantar.
"Dá-me um beijo Zé Maria,
Qualquer dia casaramos.
[.........................................]
Tenho fé nesse dia, que alegria!
Lá 'tá toda a freguesia
No casório da Maria mais do Zé."
Mas um dia a guerra
Foi buscar à terra
O bom Zé Maria.
Ele foi-se embora.
Ao longe a pastora
'Inda le dezia:
"Qualquer dia voltarás,
Eu tenho fé."
Mas quando o mal findou
Voltou a alegria,
Mas o Zé Maria
Nunca mais voltou.
E hoje a pastora
Sorri, canta e chora,
Vive na esperança
De ver um dia
O Zé Maria
Que morreu em França.
(Aprendi com uma rapariga que aprendeu com uma pessoa mais velha. Isto passou-se na Guerra da França.)
QUE MORREU NA GUERRA
Versão de Carvalhal, freguesia do Salvador da Aramenha (concelho de Marvão), recitada por Maria Josefa Baptista, nascida em 1919. Recolhida por Ruy Ventura em 31.03.2001.
Maria José
Que ainda se vê
Guardando o seu gado
Que adorava e cria
[..................................]
[..................................]
De tantos amores,
Esses dois pastores
Davim que falar.
Pelos trigais [...]
Quando se zangavam,
Punham-se a cantar.
"Dá-me um beijo Zé Maria,
Qualquer dia casaramos.
[.........................................]
Tenho fé nesse dia, que alegria!
Lá 'tá toda a freguesia
No casório da Maria mais do Zé."
Mas um dia a guerra
Foi buscar à terra
O bom Zé Maria.
Ele foi-se embora.
Ao longe a pastora
'Inda le dezia:
"Qualquer dia voltarás,
Eu tenho fé."
Mas quando o mal findou
Voltou a alegria,
Mas o Zé Maria
Nunca mais voltou.
E hoje a pastora
Sorri, canta e chora,
Vive na esperança
De ver um dia
O Zé Maria
Que morreu em França.
(Aprendi com uma rapariga que aprendeu com uma pessoa mais velha. Isto passou-se na Guerra da França.)
terça-feira, 27 de novembro de 2007
VIDA DE SOLDADO
Versão de Carvalhal, freguesia do Salvador da Aramenha (concelho de Marvão), recitada por Maria Josefa Baptista, nascida em 1919. Recolhida por Ruy Ventura em 31.03.2001.
"Adeus minha querida mãe, vou seguir o meu caminho,
Agora desprezado, já não tenho os seus carinhos.
Adeus rapazes amigos, que eu os vou abraçar,
Lembrem-se do infeliz que vai para melitar."
(A tropa era muito ruim...)
Assim qu' ò quartel cheguei, à secretaria fui chamado.
"Diga lá como se chama e im que terra foi criado."
Derim-me então um papel e eu fui ver o que dezia.
"Soldado número doze da segunda bataria."
"Agora vais ser soldado, paisana já o não és.
(Enganei-me...)
Ó primeiro sargento eu me fui apresentar.
Mandou-me tomar um banho e o meu cabelo cortar.
Eu fui a tomar um banho numa água muito fria.
Cortaram-me o meu cabelo, perdi a minha alegria.
"Agora vais ser soldado, paisano já o não és.
Vais a ser demudado da cabeça até aos pés.
Toma lá a tua roupa, a camisa veste já.
Veste também as calças e as botas estão acolá.
Veste o teu colete e veste o casacão
E veste também o capote e aperta o cinturão.
Agora já és soldado, esquecido da paisana,
Vai dezêr ao quartelêro que te dê a roupa da cama."
Eu subi mais uma escada um pouco atrapalhado.
Cheguei à porta, parei: "Dá licença senhor cabo?"
"O que é que tu queres?" - De má modo me falou.
"Venho buscar roupa da cama, o meu primeiro mandou."
"Toma lá a tua roupa, dois lençóis e duas mantas,
Vai fazer a tua cama na caserna número tantas."
(Não diz o número.)
Fui fazer a minha cama junto dos meus companheiros.
Não conhecia nenhuns, pareciam-me todos estrangeiros.
Quando foi no outro dia, tocou logo a alvorada.
"Põe-te de pé ó galucho, se não levas cinturada!"
E eu pus-me logo de pé, o meu café fui tomar
E no fim disto tudo, a instrução fui começar.
Depois da tropa acabada, dei a vida aborrecida.
"Ó meus belos camaradas, vou a dar a despedida.
Adeus rapazes amigos dum posto igual a mim,
Adeus amigo rancheiro, adeus amigo clarim.
Adeus ó fonte da estrada, onde eu água fui beber.
Adeus muéres e cavalos, nunca mais os quero ver.
Adeus senhor comandante, ó meu tenente-coronel,
Adeus ó meu aspirante, nunca mais volto ao quartel."
(Aprendi muito nova, mas nunca me esqueci por causa dos meus irmãos.)
Versão de Carvalhal, freguesia do Salvador da Aramenha (concelho de Marvão), recitada por Maria Josefa Baptista, nascida em 1919. Recolhida por Ruy Ventura em 31.03.2001.
"Adeus minha querida mãe, vou seguir o meu caminho,
Agora desprezado, já não tenho os seus carinhos.
Adeus rapazes amigos, que eu os vou abraçar,
Lembrem-se do infeliz que vai para melitar."
(A tropa era muito ruim...)
Assim qu' ò quartel cheguei, à secretaria fui chamado.
"Diga lá como se chama e im que terra foi criado."
Derim-me então um papel e eu fui ver o que dezia.
"Soldado número doze da segunda bataria."
"Agora vais ser soldado, paisana já o não és.
(Enganei-me...)
Ó primeiro sargento eu me fui apresentar.
Mandou-me tomar um banho e o meu cabelo cortar.
Eu fui a tomar um banho numa água muito fria.
Cortaram-me o meu cabelo, perdi a minha alegria.
"Agora vais ser soldado, paisano já o não és.
Vais a ser demudado da cabeça até aos pés.
Toma lá a tua roupa, a camisa veste já.
Veste também as calças e as botas estão acolá.
Veste o teu colete e veste o casacão
E veste também o capote e aperta o cinturão.
Agora já és soldado, esquecido da paisana,
Vai dezêr ao quartelêro que te dê a roupa da cama."
Eu subi mais uma escada um pouco atrapalhado.
Cheguei à porta, parei: "Dá licença senhor cabo?"
"O que é que tu queres?" - De má modo me falou.
"Venho buscar roupa da cama, o meu primeiro mandou."
"Toma lá a tua roupa, dois lençóis e duas mantas,
Vai fazer a tua cama na caserna número tantas."
(Não diz o número.)
Fui fazer a minha cama junto dos meus companheiros.
Não conhecia nenhuns, pareciam-me todos estrangeiros.
Quando foi no outro dia, tocou logo a alvorada.
"Põe-te de pé ó galucho, se não levas cinturada!"
E eu pus-me logo de pé, o meu café fui tomar
E no fim disto tudo, a instrução fui começar.
Depois da tropa acabada, dei a vida aborrecida.
"Ó meus belos camaradas, vou a dar a despedida.
Adeus rapazes amigos dum posto igual a mim,
Adeus amigo rancheiro, adeus amigo clarim.
Adeus ó fonte da estrada, onde eu água fui beber.
Adeus muéres e cavalos, nunca mais os quero ver.
Adeus senhor comandante, ó meu tenente-coronel,
Adeus ó meu aspirante, nunca mais volto ao quartel."
(Aprendi muito nova, mas nunca me esqueci por causa dos meus irmãos.)
quinta-feira, 15 de novembro de 2007
JOVEM PARTE PARA A TROPA NOS AÇORES
Versão de Fortios (concelho de Portalegre). Transcrição de Ruy Ventura.
CANTIGA
Desde 26 de Março
Que outra nova vou contar.
Quando desse dia me lembro,
Minha vida eu cismar.
Adeus gloriosa cidade.
Quando recebi a novidade,
Ninguém me pôde valer.
Disse adeus à minha querida mãe,
Meu pai e irmãos também,
Nunca me hei-de esquecer.
Em Portalegre embarquei,
Momentos a suspirar.
Em Santa Apolónia cheguei,
Perto das bocas do mar.
Um dia triste e chuvoso,
Estava muito desgostoso
Na gloriosa capital.
Entre lágrimas fui deixar
[.....................................]
Metrópole continental.
Assim que no barco entrei
Cercado de dor e mágoa,
Três dias e três noites andei
Vendo apenas céu e água.
No fim de três dias de viagem
Sem ver terra nem ramagem,
Sem ter grandes dissabores,
Terra ao longe avistei
Onde aí desembarquei
No arquipélago dos Açores.
Despedi-me então do barco
Às portas de São Miguel,
Onde abunda o tabaco
E a batata doce como o mel.
Lá os carneirinhos
Trabalham constantemente.
Fazem as vezes coitadinhos
Dos bois do continente.
Vinte centavos é uma sardinha
Na boca daquela gente.
Vejo-me cercado de mar
Para estas terras guardar
Junto de muitos soldados
Cheios de graça e glória,
Defendendo a memória
Dos nossos antepassados.
Batem-se de tal maneira
Do Nuno Álvares Pereira
Os campos de Aljubarrota,
Que há muitos, muitos anos
Defenderam os castelhanos,
Onde sofreram a derrota.
[......................................]
[......................................]
Começou por D. João,
Bravos heróis que havia
[......................................]
Em tempos que já lá vão.
[......................................]
Versão de Fortios (concelho de Portalegre). Transcrição de Ruy Ventura.
CANTIGA
Desde 26 de Março
Que outra nova vou contar.
Quando desse dia me lembro,
Minha vida eu cismar.
Adeus gloriosa cidade.
Quando recebi a novidade,
Ninguém me pôde valer.
Disse adeus à minha querida mãe,
Meu pai e irmãos também,
Nunca me hei-de esquecer.
Em Portalegre embarquei,
Momentos a suspirar.
Em Santa Apolónia cheguei,
Perto das bocas do mar.
Um dia triste e chuvoso,
Estava muito desgostoso
Na gloriosa capital.
Entre lágrimas fui deixar
[.....................................]
Metrópole continental.
Assim que no barco entrei
Cercado de dor e mágoa,
Três dias e três noites andei
Vendo apenas céu e água.
No fim de três dias de viagem
Sem ver terra nem ramagem,
Sem ter grandes dissabores,
Terra ao longe avistei
Onde aí desembarquei
No arquipélago dos Açores.
Despedi-me então do barco
Às portas de São Miguel,
Onde abunda o tabaco
E a batata doce como o mel.
Lá os carneirinhos
Trabalham constantemente.
Fazem as vezes coitadinhos
Dos bois do continente.
Vinte centavos é uma sardinha
Na boca daquela gente.
Vejo-me cercado de mar
Para estas terras guardar
Junto de muitos soldados
Cheios de graça e glória,
Defendendo a memória
Dos nossos antepassados.
Batem-se de tal maneira
Do Nuno Álvares Pereira
Os campos de Aljubarrota,
Que há muitos, muitos anos
Defenderam os castelhanos,
Onde sofreram a derrota.
[......................................]
[......................................]
Começou por D. João,
Bravos heróis que havia
[......................................]
Em tempos que já lá vão.
[......................................]
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- Herdade do João Martins (Carreiras - Portalegre)
- igreja da Misericórdia (Alegrete)
- Igreja da Misericórdia (Crato)
- igreja da Misericórdia (Portalegre)
- igreja de Nossa Senhora da Esperança (Escusa)
- igreja de Nossa Senhora da Esperança (Ribeira de Nisa)
- igreja de Nossa Senhora da Graça (Póvoa e Meadas - Castelo de Vide)
- Igreja de Nossa Senhora da Lapa (Besteiros - Alegrete)
- igreja de Nossa Senhora da Luz (Castelo de Vide)
- igreja de Nossa Senhora da Penha (Castelo de Vide)
- igreja de Nossa Senhora da Penha (Portalegre)
- Igreja de Sant' Ana (Portalegre)
- igreja de Sant' Iago (Marvão)
- igreja de Sant' Iago Maior (Castelo de Vide)
- Igreja de Sant' Iago Maior (Portalegre)
- igreja de Sant' Iago Menor (Urra - Portalegre)
- igreja de Santa Maria (Alegrete)
- igreja de Santa Maria (Marvão)
- igreja de Santa Maria a Grande (Portalegre)
- Igreja de Santa Maria da Devesa (Castelo de Vide)
- igreja de Santa Maria do Castelo (Portalegre)
- igreja de Santa Maria Madalena (Portalegre)
- igreja de Santo Amador (Castelo de Vide)
- igreja de Santo André (Portalegre)
- igreja de Santo António dos Barros Cardos (Marvão)
- igreja de São Bartolomeu (Portalegre)
- igreja de São Cristóvão (Atalaião - Portalegre)
- igreja de São Domingos (Fortios)
- Igreja de São Gregório Magno (Reguengo - Portalegre)
- igreja de São João Baptista (Alegrete)
- igreja de São João Baptista (Castelo de Vide)
- igreja de São Lourencinho (Portalegre)
- igreja de São Lourenço (Portalegre)
- igreja de são Lourenço do Picoto (Portalegre)
- igreja de São Mateus (Portalegre)
- Igreja de São Miguel (Alagoa - Portalegre)
- igreja de São Miguel (Castelo de Vide)
- igreja de São Paulo (Serra de São Paulo - Castelo de Vide)
- igreja de São Pedro (Alegrete)
- igreja de São Pedro (Alpalhão)
- igreja de São Pedro (Castelo de Vide)
- Igreja de são pedro (portalegre)
- igreja de São Roque (Castelo de Vide)
- igreja de são Salvador do Mundo (Castelo de Vide)
- igreja de São Sebastião (actual Misericórdia) (Póvoa e Meadas - Castelo de Vide)
- igreja de São Sebastião (Carreiras)
- igreja de São Sebastião (Fortios)
- igreja de São Sebastião (Galegos)
- Igreja de São Sebastião (Portalegre)
- igreja de São Tomé (Portalegre)
- igreja do Calvário (Portalegre)
- igreja do Espírito Santo (Castelo de Vide)
- igreja do Espírito Santo (Gáfete)
- igreja do Espírito Santo (Marvão)
- igreja do Espírito Santo (Portalegre)
- igreja do Espírito Santo ou da Misericórdia (Alpalhão)
- igreja do Salvador do Mundo (Castelo de Vide)
- igreja do Senhor Jesus do Bonfim (Portalegre)
- igreja matriz (Arronches)
- igreja matriz do Crato
- Imaginária
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- João Filipe Bugalho
- João Garção
- João Miguel Tavares
- João Salvador Martins
- Joaquim Baptista Ventura
- Joaquim Canário
- Joaquim Salvador Lacão
- Jorge de Oliveira
- jornal "Público"
- José Almeida
- judeus no Alto Alentejo
- Judiaria (Castelo de Vide)
- judiarias
- Lenda da construção do castelo de Marvão
- Lenda da Cova da Moura (Porto da Espada)
- Lenda da Escusa (Marvão)
- Lenda da Fonte do Capitão (Ribeira de Nisa)
- Lenda da Fonte do Martinho (Castelo de Vide)
- Lenda da Fonte dos Cães (Castelo de Vide)
- Lenda da fundação de Portalegre
- Lenda da Herdade da Cabaça (Portalegre)
- Lenda da igreja de são Domingos (Fortios)
- Lenda da igreja de São Sebastião (Carreiras - Portalegre)
- Lenda da imagem de Nossa Senhora da Estrela (Marvão)
- Lenda da imagem de São Pedro (Alegrete)
- Lenda da imagem do Mártir Santo (Carreiras - Portalegre)
- Lenda da Maia (Portalegre)
- Lenda da moura do Reguengo
- Lenda da moura dos Fortios
- Lenda da Pedra da Moura (Caia - Urra)
- Lenda da ponte da Portagem (Marvão)
- Lenda da serra da Penha (Portalegre)
- Lenda da Serra de Frei Álvaro
- Lenda da Serra de Matamores (Fortios)
- Lenda das santas da Aramenha (Marvão)
- Lenda das Sete Irmãs da Senhora da Estrela de Marvão
- Lenda de Marvão
- Lenda de Nossa Senhora da Alegria (Alegrete)
- Lenda de Nossa Senhora da Penha (Castelo de Vide)
- Lenda de Nossa Senhora da Penha (Portalegre)
- Lenda de Nossa Senhora dos Prazeres (Castelo de Vide)
- Lenda do ataque dos mouros a Marvão
- Lenda do castelo de Carreiras (Portalegre)
- Lenda do Mártir Santo (Fortios)
- Lenda do poço sem fundo do castelo de Marvão
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- Vídeos
- Vigia (Carreiras - Portalegre)
- Virgem com Menino
- Vítor Serrão
- Vocabulário
- Vocabulário da freguesia de Carreiras (Portalegre)
Fotografias
Património Religioso
- Alminhas da Outra Rua (Carreiras, Portalegre)
- Capela de Nossa Senhora das Dores (Reguengo, Portalegre)
- Capela de Nossa Senhora de Belém (Covas de Belém, Portalegre)
- Capela de São Bento (Quinta de São Bento, Ribeira de Nisa, Portalegre)
- Capela ou oratório de Nossa Senhora das Calçadas (Monte de Santo António, Portalegre)
- Capelas de São Bento e do Senhor da Forca (Portalegre)
- Convento de Santa Clara (Portalegre)
- Cruzeiros (fotografias)
- Igreja de S. João Baptista (Alegrete)
- Igreja de S. Tomé (Monte da Penha, Portalegre)
- Igreja de Sant' Iago Menor (Santiago de Caiola, Portalegre)
- Igreja de Santa Maria ou de Santa Ana (Alegrete)
- Igreja de Santo André (Portalegre)
- Igreja de Sta. Maria a Grande (Portalegre)
- Igreja de Sta. Maria Madalena (Portalegre)
- Igreja de São Bartolomeu (Portalegre)
- Igreja de São Lourencinho (Portalegre)
- Igreja de São Mateus (Portalegre)
- Igreja de São Paulo (Serra de São Paulo, Castelo de Vide)
- Igreja de São Pedro (Alegrete)
- Igreja de São Sebastião (Carreiras, Portalegre)
- Igreja e convento de Sta. Clara (Portalegre)
- Mosteiro da Provença de Vale de Flores (Ribeira de Nisa)
- Mosteiro de São Mamede (Reguengo, Portalegre)
- O Menino Jesus das Carreiras
- Património religioso do concelho de Portalegre (inventário)
- Pintura mural (fotografias)
- Pinturas murais da Matriz de Arronches (artigo de Patrícia Monteiro e Maria João Cruz)
- Retábulos (fotografias)
- Santo António na região de Portalegre
Património Militar
Património Civil
- Chaminés tradicionais (Carreiras, Portalegre)
- Habitação na Outra Rua (Carreiras, Portalegre)
- Habitação tradicional da Serra de São Mamede
- Habitação tradicional em Calçadinha (Carreiras, Portalegre)
- Habitação tradicional em Pomares (Carreiras, Portalegre)
- Herdade de João Martins (Carreiras, Portalegre)
- Monte da Gente (Carreiras, Portalegre)
- Torres senhoriais da freguesia de Carreiras (Portalegre)
Cancioneiro
Lendas e outras narrativas
- Lenda da construção do castelo de Marvão
- Lenda da Cova da Moura (Porto da Espada, Marvão)
- Lenda da Escusa (Marvão)
- Lenda da Fonte do Capitão (Ribeira de Nisa)
- Lenda da Fonte do Martinho (Castelo de Vide)
- Lenda da Fonte dos Cães (Castelo de Vide)
- Lenda da fundação de Carreiras
- Lenda da fundação de Portalegre
- Lenda da herdade da Cabaça (Portalegre)
- Lenda da igreja de São Sebastião (Carreiras)
- Lenda da imagem de Nossa Senhora da Estrela (Marvão)
- Lenda da imagem de S. Pedro (Alegrete)
- Lenda da imagem do Mártir Santo (Carreiras)
- Lenda da Maia (Portalegre)
- Lenda da Moura do Reguengo
- Lenda da moura dos Fortios
- Lenda da Pedra da Moura (Caia, Urra)
- Lenda da ponte da Portagem (Marvão)
- Lenda da serra da Penha (Portalegre)
- Lenda da Serra de Frei Álvaro
- Lenda da Serra de Matamores (Fortios)
- Lenda das santas da Aramenha (Marvão)
- Lenda de Marvão
- Lenda de Nossa Senhora da Alegria (Alegrete)
- Lenda de Nossa Senhora da Penha (Castelo de Vide)
- Lenda de Nossa Senhora da Penha (Portalegre)
- Lenda do ataque dos mouros a Marvão
- Lenda do castelo de Carreiras (Portalegre)
- Lenda do Mártir Santo (Fortios)
- Lenda do Porto da Espada (Marvão)
- Lenda do poço sem fundo do castelo de Marvão
- Lenda do rio Sever
- Lenda do tesouro da igreja de São Domingos (Fortios)
- Lenda do tesouro da Serra de São Mamede
- Lendas da Provença (Ribeira de Nisa)
Orações e outros textos religiosos
Romanceiro Tradicional
Romanceiro Religioso
Romanceiro Vulgar
- A sala do meu recreio
- Despique entre dois pretendentes
- Despique entre marido e mulher (1)
- Despique entre marido e mulher (2)
- Diálogo entre dois jovens na colha da azeitona
- Joaninha e o estudante
- Jovem enganada pelo namorado suicida-se ("A costureira")
- Jovem espera pelo namorado que morreu na guerra
- Jovem parte para a tropa nos Açores
- Jovem põe namorada à prova
- Jovem seduzida convence namorado a casar
- Jovem seduzida é desprezada pelo pretendente
- João Silva da Costa
- Juramento amoroso
- Maria Fernandes Pereira
- Mariquinhas
- O patrão e a criada
- Soldado esquecido pela noiva expõe-se à morte na batalha
- Vida de soldado
Toponímia e outros vocábulos
O Norte Alentejano na Literatura
Outros patrimónios materiais
Documentos
- Carreiras (Portalegre), alguns topónimos
- Carreiras (Portalegre), outros topónimos
- Carreiras (Portalegre), segundo Maria Guadalupe (1)
- Carreiras (Portalegre), segundo Maria Guadalupe (2)
- Carreiras (Portalegre), segundo Maria Guadalupe (3)
- Carreiras (Portalegre), segundo Maria Guadalupe (4)
- Carreiras (Portalegre), segundo Maria Guadalupe (5)
- Carreiras (Portalegre), segundo Maria Guadalupe (6)
- Censos 2011 (Portalegre)
- Da realidade quotidiana (Avelino Bento / Nicolau Saião)
- Fanal, memória dum suplemento cultural no Alentejo
- História da freguesia de São Simão da Serra (Nisa) (J. D. Murta)
- Ibn Maruán (on line)
- Igreja da Senhora da Penha (Castelo de Vide) (Tarsício Alves)
- Memórias paroquiais de Castelo de Vide (1)
- Memórias paroquiais de Castelo de Vide (2)
- Memórias paroquiais de Castelo de Vide (3)
- Memórias paroquiais de Castelo de Vide (4)
- Memórias paroquiais de Castelo de Vide (5)
- Memórias paroquiais de Castelo de Vide (6)
- Memórias paroquiais de Castelo de vide (7)
- Memórias paroquiais de Castelo de Vide (8)
- Normas para a defesa do património diocesano
- Portalegre vista por D. Antonino Dias
- Primeira República em Carreiras (Portalegre)
- Raízes indoeuropeias
- Raízes semitas
- Sobre a Ordem Terceira da Penitência de Portalegre (artigo de Fernando Correia Pina)
- Sobre as lendas religiosas (in INVENIRE nº 2, 2011)
- Sobre as origens de Santo António das Areias (Jorge de Oliveira)
- Sobre o hidrónimo "Xévora"
- Sobre o topónimo "Ammaia"
- Sobre o topónimo "Carreiras" (Maria Guadalupe Alexandre)
- Sobre o topónimo "Larou"
- Sobre os nomes "Urraca" e "Urra"
- Toponímia moçárabe
- Topónimos derivados de "burj"
- Topónimos derivados de AGER ou AGGER
- Topónimos derivados de KAR
Opiniões
- A arquitectura e o seu uso
- Aclarar a memória [s/ livro de Bonifácio Bernardo]
- Humilhar José Duro, exaltar D. João III
- Portalegre, alguns exemplos
- Ressurreição? [s/ nº 15 d' A Cidade]
- Um amigo e uma exposição [s/ pintura de João Salvador Martins]
- Um comércio moribundo
- Um exemplo discreto [s/ João Ribeirinho Leal]
- Um livro humilde e rigoroso [s/ livro de Rosário Salema de Carvalho]
Outras páginas de Ruy Ventura:
PORTALEGRE: CLASSIFICAR PATRIMÓNIO, APAGAR PATRIMÓNIO Segundo noticiou o jornal “Alto Alentejo”, na sua edição ...
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VOCABULÁRIO USADO NA FREGUESIA DE CARREIRAS (Serra de São Mamede, Alentejo) Tenho consciência de que ao publicar este vocabulário es...
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Angelina gloriosa 1 Versão de Carreiras (Portalegre), recitada por Ana Fernandes Martins (1913-1997) e recolhida por Maria da Liberda...
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EREMITÉRIO DE SÃO MAMEDE (Reguengo) São escassíssimas as informações existentes sobre a história do eremitério de São Mamede, situa...