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sábado, 25 de julho de 2020



PORTALEGRE:
CLASSIFICAR PATRIMÓNIO,
APAGAR PATRIMÓNIO


            Segundo noticiou o jornal “Alto Alentejo”, na sua edição de 15/7/2020, os vereadores da Câmara Municipal de Portalegre aprovaram por unanimidade o início do processo de classificação de cerca de quatro dezenas de bens culturais existentes no concelho. Fizeram bem. É uma decisão honrada. Tal iniciativa só pode merecer o aplauso de quem reconhece valor inalienável à herança histórica, arquitectónica e artística dessa parte do Alto Alentejo.
            Propor uma classificação não é, contudo, classificar. É apenas dar início a um longo processo, decidido fora dos gabinetes municipais. Um rol tão grande, diz-se, pode mesmo criar obstáculos intransponíveis à classificação dos bens em causa. Bem sabemos o quanto os organismos que tutelam o Património Cultural português carecem gravemente de meios humanos e financeiros para acudir a todo o serviço que lhes cai sobre a secretária. Há quem lembre que propor a salvaguarda de tantos monumentos de uma só vez costuma ser estratégia usada por autarcas que desejam mostrar serviço perante os seus eleitores quando, na realidade, não têm qualquer desejo de classificar seja o que for (sabendo bem demais que a avalanche assim provocad será razão bastante para que tudo seja arquivado no fundo das gavetas). Isto afirma quem há mais de 20 anos trata desses assuntos… e tem sido responsável pela organização e tramitação de processos de classificação ao mais alto nível. Quero crer, todavia, que a intenção de quem fez tal proposta conjunta terá sido séria. O futuro confirmará ou não a minha percepção. Para já, merecem reconhecimento aqueles que a votaram favoravelmente, pondo a Cultura acima de outros interesses menos dignos.
            Não me pronuncio sobre os cerca de 40 bens culturais a classificar. Não há nenhum que não mereça a distinção. Ainda assim, sublinho a minha satisfação por ver entre eles vários edifícios de boa arquitectura do século XX, cuja dignidade e valor não são menores por não terem sido elevados em séculos anteriores, normalmente mais prestigiados. Não deixo todavia de estranhar que alguns edifícios sejam propostos para classificação depois de terem sido total ou parcialmente demolidos e, de seguida, abastardados ou substituídos por réplicas sem qualquer valor. Não me pronuncio sobre o rol proposto pelos gestores da Câmara Municipal de Portalegre e aprovado pela unanimidade dos vereadores. Espero apenas que a classificação seja concluída com sucesso e tenha como consequência a valorização, recuperação e/ou revitalização desse património concelhio, doravante – se assim se concretizar – mais protegido contra intervenções e vizinhanças que deveriam envergonhar toda a gente, a começar por quem as aprovou e/ou promoveu.
            Não obstante, parece-me justo manifestar a minha estranheza – e até a minha indignação – por tudo quanto foi apagado da proposta municipal. Refere o jornal “Alto Alentejo” que a lista incluiu imóveis arrolados no PDM de 2011, juntando-lhe propostas diversas que recebeu (não se sabe de quem e em que circunstâncias). Pretende proteger “casas brasonadas, conventos, igrejas, um conjunto habitacional popular e edifícios modernistas e contemporâneos, de elevado valor arquitectónico”. Perante essa justificação (aceitável, mas parcial), estranha-se a quase inteira exclusão do rico património arqueológico concelhio, que Portalegre teima em não cartografar nem inventariar, contribuindo para a sua destruição. Urge ainda perguntar se a parte norte do concelho de Portalegre ainda faz parte desse município ou, se fazendo parte dele, é conhecida por quem governa, administra e gere a edilidade há pelo menos uma década.
            Poderia referir a ausência nessa proposta de classificação de qualquer bem das freguesias de Alagoa e de São Julião ou, ainda, o estranho apagamento de vários bens valiosíssimos da freguesia da Ribeira de Nisa, como as ruínas medievais da Provença, a igreja de Nossa Senhora da Esperança (antigo Convento de Santo António) ou a Quinta de São Bento. É como se não tivessem, entre as suas fronteiras, património relevante… Mas têm. Na Ribeira de Nisa, propõe-se a classificação de um “convento de S. Francisco”, mas como tal edifício não existe nem nunca existiu na freguesia, é o mesmo que nada propor…
            Mais grave se me afigura todavia o tratamento discriminatório dado à freguesia de Carreiras, que já no inventário do património distrital, elaborado em 1943 por Luiz Keil, foi completamente ignorada. Naquele tempo, não havia estradas para lá chegar. Hoje essas estradas existem, o seu património está divulgado, mas parece que os gestores da edilidade portalegrense querem continuar uma lamentável tradição…
            Para a Câmara Municipal de Portalegre, pelos vistos, não tem qualquer valor o património carreirense. Nada valem a anta da herdade de João Martins, o povoado neolítico do Veloso e as ruínas da Alta Idade Média existentes nas suas proximidades, as estruturas megalíticas do Fraguil, as ruínas romanas ou medievais do Monte da Gente, a medieval Torre Alta ou Torre da Ribeira (ligada à família de D. Nuno Álvares Pereira), a calçada medieval que ligava Portalegre a Castelo de Vide e outros troços viários da mesma época, a quinhentista Torre Caldeira (mandada construir pela família dos alcaides-mores de Portalegre), a igreja de São Sebastião (edificada na primeira metade do século XVI, com capela dessa época, retábulos maneiristas já estudados a nível nacional, fachada barroca e pinturas murais tratadas em tese de doutoramento), um cruzeiro único de cantaria e azulejos (do século XVIII), pórticos de cantaria do século XVI, casas com varandas do mesmo século ou da centúria seguinte, a sua Torre do Relógio, etc. Nada disto teve valor para os autores do PDM de 2011, que ignoraram esse património, pondo-o em risco e contribuindo para a descaracterização de uma aldeia a que, com ironia, chamam “presépio”. A mesma opinião parecem ter agora, nove anos depois, aqueles que propuseram uma lista de património a classificar, ignorando esses e outros bem valiosos – e voltando a pôr em causa a sua sobrevivência.
            Há muitos anos que se fala no abandono dessa freguesia histórica do concelho de Portalegre, abandono que tem revestido várias manifestações indignas (a mais grave das quais foi a sua “extinção”, baseada em argumentos fraudulentos). É, assim, justo perguntar que destino teria essa parcela do território portalegrense se estivesse incluída num dos municípios vizinhos, Castelo de Vide ou Marvão. Na certa, Carreiras veria o seu património valorizado de outro modo – e não esquecido por pessoas que, com boa ou má intenção, com consciência ou sem ela, parecem querer apagar do concelho uma das suas mais belas e valiosas partes.
            Felizmente, a Lei permite que os requerimentos de classificação partam de simples cidadãos. A seu tempo, não deixarão de agir. Pode ser que essas iniciativas tenham mais sucesso do que a proposta de classificação da igreja carreirense feita há uns anos por técnica-superior do ex-IPPAR e que gente ardilosa enterrou sabe Deus onde…

RUY VENTURA
(artigo publicado no jornal "Alto Alentejo", de 22/7/2020)

segunda-feira, 11 de junho de 2012

sexta-feira, 10 de fevereiro de 2012



MARIA LUCÍLIA MOITA
(Alcanena, 1928 - Abrantes, 2011)


Aprendi com ela o que é a Arte, acompanhando-a em silêncio enquanto pintava o Arco da Fonte Nova. Muitos ainda se lembrarão da sua figura esguia, carregando a tela e os pincéis pelas ruas de Carreiras ou encaminhando-se para a casa da ti' Ana Rita, na Rua Nova, onde almoçava e descansava. Só hoje soube que faleceu, em Abrantes, no verão passado. Que a terra lhe seja leve!

quarta-feira, 25 de janeiro de 2012

Escultura de São Sebastião
do século XVI
venerada em Carreiras (Portalegre)
desde 1936
(antes do restauro de 2011)

A mesma escultura
depois do restauro de 2011.
Escultura de São Sebastião
venerada em Carreiras (Portalegre)
entre o século XVI e 1936
(antes do restauro de 2011).

A mesma escultura depois do restauro de 2011.

terça-feira, 20 de dezembro de 2011

terça-feira, 11 de outubro de 2011

Angelina gloriosa




1

Versão de Carreiras (Portalegre), recitada por Ana Fernandes Martins (1913-1997) e recolhida por Maria da Liberdade Alegria Bruno em 1985. Transcrição de Rui Pedro Ventura.



Andorinha gloriosa,
Tão formosa c’m’ à rosa.
Quando Deus quis nascer,
Toda a Terra esclareceu.
Veio o anjo São Gabriel
Procurando p’la pastorinha.
“Pastorinha do bom dia!”
Já lá vem Santa Maria
Por aquele perro cão
Rezando uma oração
C’ o seu livrinho na mão.
Nem pus a mão na cruz,
Nem disse “Amém Jesus”.
Mas anda cá, Luís Teixeira,
Que serás meu embaixador.
Vás além àquele castelo,
Qu’ hás-de ver um mouro perro.
Procura-lhe se é cristão.
Se ele disser que não,
Pega no teu cutelo,
Espeta-le no coração.
Ó cutelo para estimar!
Tem as relicas do perdão
Com que foi asseteado
O mártir São Sabastião.



2

Versão de Ribeira de Nisa (Portalegre), recolhida por Maria Tavares Transmontano (Transmontano, 1989: 57).



Andorinha gloriosa
Tão formosa como a rosa
Quando Deus em ti nasceu
Toda a terra esclareceu.
Vinde, vinde, pastorinha
Pastorinha do bom dia.
Lá vem Santa Maria
Com seu livrinho na mão
Rezando uma oração
Por aquele perro cão
Que pôs a mão na Cruz
E não disse Amém Jesus.

quinta-feira, 6 de outubro de 2011

[Ao entrar no cemitério]




"Cruz das Almas", no cemitério de Carreiras (Portalegre)

[Deus vos salve, corpos santos]



1

Versão de Carreiras (Portalegre), recolhida e publicada por Maria Tavares Transmontano (Transmontano, 1976: 127). Transcrição rectificada por Rui Pedro Ventura.



Deus te salve, ó finado,
Que estás por baixo de mim.
Tu já foste como eu
E eu hei-de ser com’ a ti.
Tu pede a Deus por mim
Que eu peço a Deus por ti. (1)



2

Versão de Carreiras (Portalegre), recitada por Cesaltina Esperança Mena (n. 1921) e recolhida por Rui Pedro Ventura em 2001.



Deus vos salve, corpos santos,
Que já foram como nós.
Pécim a Deus por mim,
Que eu rezarei a Deus por vós.



3

Versão de Carreiras (Portalegre), recitada por Rosária da Conceição Pedro (1926-2008) e recolhida por Rui Pedro Ventura em 1994.



Deus vos salve, ó almas santas,
Que já foram como nós,
Peçam a Deus por nós
Que peço a Jesus por vós.



(1) Esta versão, a mais antiga, era recitada quando se entrava na igreja, ou seja, no tempo em que os enterramentos aí se faziam. Era antecedida pela oração de entrada no templo, “Deus te salve, casa santa”, e terminada com a fórmula de conclusão: “Quem a souber que a diga, / Quem a não souber que a aprenda, / Que no Dia do Juízo / Lá terá quem na pretenda.” Trata-se de uma oração cripto-judaica, uma versão da “oração dos mortos” ou de “entrada no cemitério” dos cristãos-novos de Belmonte, publicada por Samuel Schwarz: “Deus vos salve lá passados, / fostes vivos como nós, / nós seremos como vós, / lá nesse céu onde estais / pedi ao Senhor por nós, / que, neste vale de lágrimas, / pediremos ao Senhor por vós.” (Schwarz, 1925: 96 – 97).

terça-feira, 4 de outubro de 2011

Lugar onde se diz ter existido um torre.

O castelo das Carreiras (Portalegre)






1

Versão de Carreiras (Portalegre), recitada por Ana Fernandes Martins em 1994 e recolhida por Rui Pedro Ventura.



Carreiras teve castelo,
Já foi grande e amuralhada,
Onde moravam as lindas mouras
Nos lindos tempos passados.



2

Versão de Carreiras (Portalegre), contada por Maria Tavares Transmontano em 2009 e recolhida por Rui Pedro Ventura.



O castelo era no sítio que tem esse nome, no cimo do povo. Está muito diferente de quando eu era gaiata, escavaram o terreno quando fizeram a fonte [em 1948].
Onde era a quadra das bestas do professor Casa Nova antes havia uma casa quadrada por dentro e redonda por fora, que tinha a porta por fora ao nível do primeiro andar e lá dentro descia-se por umas escadas estreitinhas. O Casa Nova derrubou tudo quando fez a casa.
No outro lado da rua, por detrás de uma casa, está lá um terraço a que se sobe por uma escada estreita. Era o assento de uma torre. A gente ia p’ra lá brincar em gaiatas, porque a escola feminina era ao lado, e achávamos graça a um nicho que lá está que parece o duma ermida, feito com umas pedras.
Dizem que lá morava o capitão da freguesia.
Ali perto havia duas ogivazinhas, a porta de uma casinha que está ao pé da casa mortuária e outra nas traseiras da casa que comprou o Mateus da Catrina.





quarta-feira, 21 de setembro de 2011

A vida de Jesus Cristo

Versão de Carreiras (Portalegre), recolhida por Augusto Relvas em 1949. Recitada por Maria Lopes, avó do colector (Relvas, 1992). Transcrição revista por Rui Pedro Ventura.



Martírios do Senhor



Nasceu Cristo em Belém.
Ali se viu a Virgem magoada,
Sozinha.
Jesus Cristo tinha.
Com São José se via.
Logo ali lhe acudia
Um preto e uma cigana
A Jesus, neto de Ana,
Visitar.
Deu o Céu em abaixar,
Dando a casa resplendores,
Onde vieram os três pastores
A trazer,
A Jesus Cristo oferecer
Suas fazendas e bens,
Onde vieram os Santos Reis
Também para o adorar.
O Céu, a Terra e o Mar,
Tudo ali ajoelhou
E a Virgem sempre ficou
Pura.
Já temos a salvação segura
Só com este nascimento
E o Augusto Sacramento
Aqui é que principia.
É o Filho de Maria
Que já hoje foi nascido,
Já hoje foi concebido
Por obra e graça
Do Divino Espírito Santo,
Que nele o seu divino poder tanto,
Que é Senhor do mundo inteiro,
Por Deus e homem verdadeiro
Se aclama.
É a fé que se derrama
Por toda a Palestina,
Que é uma fonte de doutrina
Cristã.
É aquela manhã
Que [a]o mundo deu claridade.
É o Sol da Divindade
Que apareceu.
É o maná que choveu
Lá no deserto de Cima.
É a hóstia divina,
Consagrada.
É de Jacob a escada
Por onde o anjo desceu.
Agora é que o mundo se ergueu
De pecar.
Aquele é que foi palpitar
Nas margens do Jordão,
Que lhe pôs seu primo João
“Jesus de Nazaré”.
Jesus de Nazaré,
Salvação, graça e fé,
Disso está o mundo cheio.
Está servindo de recreio
Às almas puras.
Para se cumprir as Escrituras
Se obrigou Cristo a padecer.
E agora é que vamos ver
Os tormentos que o Senhor passou,
As gentes que sustentou.
Com cinco pães e dois peixes
Se fartaram cinco mil pessoas
E ainda sobejou comida.
É bem que o autor da Vida
Fabrique destes banquetes.
Deram-se doze ramalhetes
Ao lava-pés.
Os mandamentos são dez,
Que são os dez cordeiros.
Judas por trinta dinheiros
Vendeu o seu Redentor,
Sendo-Lhe um falso e traidor.
Usou-lhe dessa traição,
Levou seu Mestre à prisão
Por um ósculo de paz.
Junto a casa de Anás
Vai o Senhor conduzido
Entre algozes metido.
Vai preso
Com um ódio tão aceso,
Que lhes terriquem os dentes.
Nem amigos nem parentes!
E consentistes!
Oh mundo, ainda não vistes
Outro como este padecer.
Ouvireis o sangue a correr,
Soando.
É o maldito povo gritando
“Crucifica! Crucifica!”
E é o ódio que implica
Na maldade
E o Senhor com piedade
Tudo isto aguentou,
Todo porque tentou
Deixar o mundo em paz.
Lá em casa de Caifás,
Onde Pedro se negou,
O Senhor disse: “Eu é que sou
O Filho do Padre Eterno,
Que do Inferno
Hei-de tirar as almas.”
O ministro bate as palmas,
Dá um grito violento.
“Faz das pedras sustento,
Se podes!
Lá irás para o rei Herodes.
Lá terás morte de cruz.”
Lá verás, meu bom Jesus,
De Herodes para Pilatos.
Leram seus lindos actos,
Nunca o acharam criminoso.
E o maldito povo raivoso
Sempre gritando que morra.
Morreu Cristo em Jerusalém
Sem cometer nenhuns delitos.
Eram tantos os gritos
Que entoam
E muito longe soam.
Na rua da amargura
Apareceu a Virgem Pura
Chorando,
Que ia procurando
Pelo seu Filho adorado,
Que naquele estado
O via
Feito vale de agonia,
Tal outro não podia haver.
E o Senhor, sem poder,
Caiu com a cruz no chão.
Disse Cristo para Simão:
“Ajuda-me, Simão,
A esta cruz tão pesada!”
E caiu de joelhos na calçada.
Simão foi com a cruz ao Calvário
Onde o Senhor foi crucificado
À força de violência.
Deixou Cristo com paciência
Cravar Seus divinos pés e mãos.
Talvez seus passos vãos
Lhes causassem pensamentos,
Lhes causassem tormentos,
Lhes causassem os espinhos
Para a cabeça
E para que o mundo conheça
O mar em que eu navego.
Um caso se achou. Um cego
Com uma lança,
Que é cego e não alcança,
Só pelo tacto é que feriu.
Logo daquele peito saiu
O sangue da divindade.
Deixou Cristo à Cristandade
Suas chagas em aberto.
Vieram soldados por duas vezes
Com martelos e torquezas
Para Cristo despregar,
Para o irem sepultar
Numa sepultura nova.
Ali foi o Senhor descido à cova,
Onde o Sol perdeu a luz,
Onde o Sol se encerrou.
Só a Mãe de Jesus chorou.
O evangelista João
Chorava que esmorecia.
Onde vieram as três Marias
Numa noite nebulosa e escura
Buscar Cristo à sepultura.
Respondeu um serafim:
“Jesus não está aí.
Ressuscitou.
Foi triunfante para o Céu,
Para a companhia do seu Divino Pai,
Da Senhora com o seu manto,
Do Divino Espírito Santo,
Da Estrela Matutina,
Da Santíssima Trindade.”
Ámen.

Virgem Maria no Calvário
(Casa-Museu José Régio, em Portalegre)

sexta-feira, 6 de maio de 2011



Interpretação do Percurso


por Ruy Ventura



1 – Carreiras

Aldeia situada a 600 m de altitude. Existem nesta freguesia vestígios de ocupação humana muito antiga. Do Neolítico, identificaram-se o povoado do Veloso e a anta da herdade do João Martins, próxima da anta do Soveral, já no concelho de Castelo de Vide. Descobriram-se, entretanto, moedas do século I d. C. e vestígios de povoados da alta Idade Média. A aldeia, com mais do que provável origem medieval, terá nascido de um ponto de reunião dos pastores (cabreiros) da região, no Rossio. Nas proximidades situava-se um pequeno reduto fortificado, talvez com origem anterior, que deveria servir para acolher o gado e a população em caso de necessidade. A igreja de São Sebastião, nascida talvez sobre um santuário antigo, deverá ter sido edificada na Baixa Idade Média. Teve reconstruções em finais do século XVI e nos últimos decénios do século XVIII. A urbanização da aldeia terá pretendido ligar núcleos habitacionais mais antigos, identificável nos locais denominados Castelo, Castelinho, Arrabalde e Cabril. Embora tenha um traçado adaptado às curvas de nível da encosta da serra de Castelo de Vide, manifesta preocupações de regularidade. Deverá datar de inícios do século XVI.





2 - Fonte dos Carvoeiros

Altitude 670 m. A fonte e o parque de merendas foram construídos nos anos 60 do século XX. A sua designação é muito mais antiga, não tendo relação com carvoarias, mas com um termo semita relacionado com sítios de pastagem. Magnífica vista panorâmica; à esquerda na direcção sudeste avista-se o pico de S. Mamede (1025 m de altitude), o ponto mais elevado a sul do Tejo.





3 – Início da calçada medieval

Aqui inicia-se a descida pela calçada medieval, é possível observar o travamento estrelado da calçada. A via a percorrer é uma parcela da estrada que ligava Portalegre a Castelo de Vide. No estado actual, a sua construção deve remontar à Idade Média, mas terá sido instalada sobre uma rota muito mais anterior, seguramente da época muçulmana, talvez até da época romana.



4 - Fonte Branca e Água Todo o Ano

Altitude 545 m. Trata-se de uma fonte de mergulho, com arquitectura que deve remontar à Idade Média, embora com remodelações posteriores. Serviria para abastecimento dos viajantes e para sua purificação (o que é sugerido pelo seu nome, derivado do árabe “baraka”). Perto existe a quinta da Água Todo o Ano, que terá sido um local de veraneio dos padres da Ordem de Malta, que paroquiavam a igreja de S. João de Castelo de Vide.



5 Monte da Gente

Desta zona da calçada pode avistar-se um pequeno cabeço arborizado com sobreiros onde se situam ruínas de edifícios. Segundo alguns arqueólogos, pertencerão a um fortim romano, não sendo no entanto impossível que sejam de um pequeno povoado medieval.



6 Torre de Caldeira

A sudoeste da Fonte de Branca situam-se os edifícios abandonados de uma antiga herdade, onde se destaca uma torre, datada de finais do século XVI ou de princípios do século XVII. Foi mandada construir pela família Caldeira de Tavares, de onde saíram alguns alcaides-mores de Portalegre.



7 Horta das Cinco

Perto desta pequena quinta há ruínas de uma estalagem medieval, onde ainda se pode observar um forno de cozer pão. No final da calçada, vê-se o edifício da Quinta do Prior, talvez do século XVIII. Perto está o monte do Morujo, onde há um chafurdão arruinado (abrigo de pastores anterior à nacionalidade).



8 Calçada medieval secundária

Calçada medieval de acesso a Carreiras. Ramal da via principal acabada de percorrer. À esquerda vê-se um cabeço pedregoso, o Fraguil, no cimo do qual existe um afloramento granítico com configuração fálica (talvez um menir ou o bétilo de um santuário anterior aos romanos).

sexta-feira, 25 de março de 2011

"Anunciação", pintura de Fra Angelico


SENHORA DA ENCARNAÇÃO


Versão de Carreiras (concelho de Portalegre), recitada por Rosária da Conceição Pedro, nascida em 1926 e falecida em 2008. Declarou tê-la aprendida com seu pai, Manuel Pedro (1887-1958), na infância. Recolhida, em 1985, e transcrita por Ruy Ventura.


Senhora da Encarnação,
Senhora do Verbo Divino,
Deitai-me a Vossa divina bença,
Que eu vou por este caminho
À procura da salvação,
Do Sacramento Divino.
Ó meu Pai todo poderoso,
Filho dum Pai tão amoroso,
Uma alma que me deste
Não a deixeis morrer triste.
Se já Deus te quer levar,
Vai-te confessar.
Quem a souber, que a diga.
Quem a ouvir, qu' àprenda,
Saberá no Dia de Juízo
O bem que lhe pretenda.
Quem esta oração disser
Um ano, dia a dia,
Terá a su' alma tã' pura
C'mà c'roa da Virgem Maria.

segunda-feira, 14 de fevereiro de 2011

Verso com efígie de Augusto coroado de louros
Legenda: PERM. IMP. CAESA[...]
Reverso com junta de bois fundacional
Legenda: EMERITA [...]


Moeda romana (dupôndio?) em bronze
 cunhada em Emerita Augusta (Mérida)
na época do imperador Augusto (sécs. I a. C. / I d. C.).
Encontrada numa horta da Granjeira
na freguesia de Carreiras (Portalegre) em 1987.
(Colecção de RV)

terça-feira, 18 de janeiro de 2011

Nossa Senhora da Alegria
(madeira policromada, de roca, sécs. XVII/XVIII)

Senhor dos Passos
(madeira policromada, de roca, séc. XIX/XX)

Cristo Crucificado
(madeira policromada e dourada, séc. XIX? - proveniente da região de Setúbal, tendo integrado o património paroquial em 2008.)


Carreiras (Portalegre):
imaginária existente na igreja paroquial (devidamente inventariada) (4)

(Fotos de RV.)
Santo Isidro
(barro policromado e dourado, séc. XVIII)

São Sebastião
(madeira policromada, sécs. XVI/XVII?)

São Sebastião
(madeira policromada e dourada, séc. XVI - proveniência desconhecida, tendo integrado o património paroquial na década de 1930.)


Carreiras (Portalegre):
imaginária existente na igreja paroquial (devidamente inventariada) (3)

(Fotos de RV.)
São Joaquim
(madeira policromada, sécs. XVI/XVII - proveniente de uma doação efectuada em finais do século XIX)

Sant' Ana e a Virgem
(barro policromado, 1774)

Nossa Senhora do Rosário
(madeira policromada, séc. XVIII?)

Menino Deus
(madeira policromada, séc. XVIII?)

São João Baptista
(madeira policromada e dourada, séc. XVI)

Carreiras (Portalegre):
imaginária existente na igreja paroquial (devidamente inventariada) (2)

(Fotos de RV.)
São Bento de Núrsia
(madeira estofada e policromada, séc. XVII? - proveniência desconhecida, tendo integrado o património paroquial já na primeira metade do século XX.)

São Francisco de Assis
(madeira policromada, 1ª. metade do século XVIII)

Santo António de Lisboa
(madeira policromada, sécs. XVI/XVIII - proveniente da igreja do convento de Santo António de Portalegre, tendo integrado o património paroquial em 1878.)

Santo António de Lisboa
(madeira policromada, sécs. XVI/XVII)

Carreiras (Portalegre):
imaginária existente na igreja paroquial (1)
(devidamente inventariada).

(Fotos de RV.)

segunda-feira, 13 de dezembro de 2010




Pontinha (Carreiras, Portalegre):
pequena ponte sobre o Ribeiro do Buraco
na calçada (medieval?) que ligava Portalegre a Castelo de Vide

(Foto de RV.)

segunda-feira, 6 de dezembro de 2010

Pormenor de habitação situada no início da Rua da Carreirinha.

Habitação situada a meio da Ladeira
(infelizmente o meio-arco está hoje tapado por uma feia porta de alumínio...)

Carreiras (Portalegre):
aspecto de duas habitações tradicionais com varandas suportadas por abóbadas.

quinta-feira, 2 de dezembro de 2010




Carreiras (Portalegre):
estrutura em pedra seca junto à praça de touros
encostada a vestígios de uma eventual cerca.

(Demasiado grande e com uma situação demasiado estranha para ser um morouço apenas.)

(Fotos de RV.)

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