quarta-feira, 19 de setembro de 2007

DONZELA GUERREIRA

Versão de Fortios, Portalegre. Transcrição de Ruy Ventura.


CANTIGA

"Deitei sortes à ventura para ver o qual se havia de matar,
Logo foi cair a sorte no capitão-general."
"Não te mates, ó meu pai, não te mates meu pai, não, não.
Dai-me espadas e cavalos que eu quero ser capitão."
"Não te dou, ó minha filha, não te dou, filha, não, não.
Por esse teu lindo cabelo a ti te reconhecerão."
"Não conhecem, ó meu pai, não conhecem, pai, não, não.
Cabeleireiros há na terra que mo possam pôr no chão.
Dai-me espadas e cavalos, que eu quero ser capitão."
"Não te dou, ó minha filha, não te dou, filha, não, não.
Por esses teus lindos olhos, ó filha, te reconhecerão."
"Não conhecem, ó meu pai, não conhecem, pai, não, não,
que, quando eu andar na guerra, ponho meus olhos no chão.
Dai-me espadas e cavalos, que eu quero ser capitão."
"Não te dou, ó minha filha, não te dou, filha, não, não.
Por esses teus lindos peitos, ó filha, te reconhecerão."
"Não conhecem, ó meu pai, não conhecem, pai, não, não.
Costureiros há na terra que me façam um algibão
[...................................] que me aperte o coração.
Dai-me espadas e cavalos, que eu quero ser capitão."
"Não te dou, ó minha filha, não te dou, filha, não, não.
Por esse teu lindo andar, ó filha, te reconhecerão."
"Não conhecem, ó meu pai, [.......................................]
Que eu quando andar na guerra faço passos de ganhão.
Dai-me espadas e cavalos, que eu quero ser capitão."
(Já na guerra.)
"[..........................................] [.......................................]
Ó que lindos olhos aqui há, são de mulher não são d' hombre."
"[..........................................] convidamo-la para ir jantar.
Se ela for mulher pelos bancos altos há-de passar
[............................................] e pelos baixos se há-de assentar."
D. Marcos não era parvo, pelos altos passou
[............................................] e pelos baixos se assentou.
"[..........................................] [.........................................]
Ó que lindos olhos aqui há, são de mulher não são d' hombre."
"[..........................................] convidamo-la para ir nadar,
Se ela for mulher não se há-de descalçar."
D. Marcos não era parvo [............................................]
Puxou por uma carta, pôs-se a ler e chorar.
"O que tens, ó D. Marcos? Por que estás a ler e chorar?"
"Tenho o meu pai morto, minha mãe vai-se enterrar.
Ao meu comandante peço se me pode dispensar."

(Nota: Os dois primeiros hemistíquios pertencem ao romance "Nau Catrineta".)

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