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segunda-feira, 11 de janeiro de 2010

Lenda da Pedra da Moura

(Caia, Urra)



Versão, de proveniência desconhecida, recolhida por Maria Guadalupe Transmontano Alexandre e publicada por Ruy Ventura (2005) – Contos e Lendas da Serra de São Mamede, antologia breve, Almada, Associação de Solidariedade Social dos Professores: 102.



No sítio em que o rio Caia se aproxima da ribeira de Arronches, fica uma grande pedra que está sempre rodeada por água. Nela está uma moura encantada.

O pai da moura, que era rei, queria que ela casasse com um nobre escolhido por ele, mas a princesa não quis casar, porque gostava de um príncipe mouro que estava na guerra. Por isso foi encantada na pedra.

Nas noites de São João, a moura senta-se na pedra a cantar canções delicadas ao jovem guerreiro.

Quem passar nessa noite pela pedra da moura, morre. Mesmo quem não acredita na lenda não passa pela pedra da moura na noite de São João.

quinta-feira, 3 de dezembro de 2009


IGREJA DE SANT' IAGO MENOR
(Santiago de Caiola - Urra)



A referência mais antiga que conhecemos à igreja de Sant' Iago Menor data de 11 de Agosto de 1565. Trata-se de um assento de casamento, registado pelo padre Jorge Soares nos livros de São Martinho de Portalegre, pelo qual ficamos a saber que nesse dia "Recebeo o padre joão serra [coadjutor da mesma paróquia] em samtiago de caiola a joão martins e a graçia miranda do monte da Vrra por marido & molher". Não sabemos qual seria a antiguidade deste templo nessa data. Deduzimos no entanto deste documento que o mesmo seria filial da sobredita freguesia citadina. Este facto parece confirmado por um acordo celebrado em 1501 entre os párocos de Portalegre, no qual atribuiram ao prior de São Martinho o encargo de administrar os sacramentos aos que moravam "do caminho do Cratto levando o termo ao redor ate o caminho de Arronches" (S/A, 1983).
O edifício que se podia observar até há poucos anos parecia confirmar uma edificação que remontaria a meados do século XVI, embora interiormente tenho sofrido grandes modificações. Esta datação é confirmada por Luís Keil (cf. Keil, 1943: 152).
A fachada principal - bastante simples - parecia ser, com poucas alterações, a original. Virada a sudeste, era ladeada por uma pequena sineira em alvenaria. Possui uma porta com guarnição granítica, ainda com vestígios da primitiva moldura chanfrada, e uma janela de iluminação no mesmo alinhamento. Modernamente, haviam sido aí colocados dois pequenos registos de azulejo, representando imagens veneradas no interior (o orago e Nossa Senhora das Mercês).
O interior, de uma só nave, havia sido quase completamente remodelado durante a segunda metade de setecentos e restaurado já no século XX. Luís Rodrigues Galego, pároco em Sant' Iago de Caiola no ano de 1758, descreve o templo com as seguintes palavras:
"O orago, ou padroejro da mesma Igreja he sãao Thiago menor tem altar mór, e dois Colatrais; o mór tem hua imagem de Christo Cruxificado em vulto, Nossa Senhora das Mercês, são Thiago Menor, são Pedro, e são Ioão Baptista tãobem em vulto; o altar do lado do Evangelho sancto Antonio; e o da Epistola Nossa senhora dos Prazeres; hua e outra a Imagem tão bem em vulto; toda a Igreja não tem repartição alguma, e Consta sò de huma Nave" (Galego, 1758 in Ventura, 1995: 117).
Com coro sustentado por um arco abatido e pia baptismal à esquerda de quem entrava, a imagem até há pouco tempo não era muito diferente. Apenas algumas das imagens expostas à veneração haviam mudado, seguindo o gosto da época. Os retábulos, principal e colaterais, eram todos em alvenaria dourada e pintada, seguindo o estilo comum na região durante da segunda metade do século XVIII: nicho central ladeado por colunas, frontão elevado ou interrompido. O púlpito era da mesma época e construído nos mesmos materiais e com decoração semelhante. Merece realce no entanto o frontal do altar-mor, "de gesso dourado, tipo espanhol do século XVII" (Keil, 1943: 153). Na capela-mor encontravam-se ainda dois baldaquinos, em madeira pintada e dourada, no estilo neo-gótico oitocentista.
De entre as diversas imagens expostas na igreja, merecem referência as que representam Sant' Iago Menor e São Pedro, esculturas "redondas" situadas na transição do século XVI para o seguinte - infelizmente desvalorizadas por restauros executados sem nenhum critério.
Pequeno para a população da freguesia da Urra, há poucos anos o corpo da igreja foi completamente reconstruído, a partir de uma iniciativa do padre Marcelino Marques, passando a ter três naves. A nova fachada, completamente nova, reproduz num tom contemporâneo a antiga.

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