quarta-feira, 17 de outubro de 2007

CANÇÃO DO PALÁCIO DA AJUDA


Versão de Portalegre/Arronches, recitada por Jacinta Garção Cleto, nascida em 1910. Recolhida e transcrita por Nicolau Saião cerca de 1976.


Belo Palácio da Ajuda
palácio de grande altura
casa cheia tem fartura
não sou só eu que o digo
corre a galinha ao trigo
e a fama é dos pardais
albardas sem atafais
e selas sem terem estribos
na praça se vendem figos
p’ra contentar os rapazes
no mar andam alcatrazes
também lá andam gaivotas
menina das pernas tortas
todos lhe chamam canejos
vão-se as sezões com os desejos
e as feridas com unguento
mói o moinho de vento
e tece a teia a aranha
esta cantiga é tamanha
não tem princípio nem fim
um raminho de alecrim
que se dá aos namorados
as armas são pr’ós soldados
também são pr’ós caçadores
triste de quem tem amores
bem ligeiro tem de andar
a gaita é para tocar
o pente é para a cabeça
menina não endoideça
que se pode dar por feliz
tem um tamanho nariz
que lhe chega até ao seio
que tem mais de palmo e meio
criado com tanto vigor
que muita gente lho tem gabado
pr’á bigorna dum ferrador.

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