IGREJA DE SÃO BARTOLOMEU (PORTALEGRE)

Já existente no século XVI, a igreja de São Bartolomeu foi construída extramuros no local onde a tradição coloca o nascimento de Portalegre, denominado "Portelos" em 1304. É no entanto difícil precisar quer a época da sua construção. Pertencente à freguesia de São Lourenço, é estranho que dela não faça menção o padre Gregório Pegado Sequeira.
Alguns documentos permitem-nos afirmar que este templo portalegrense foi certamente demolido depois da implantação do regime republicano em Portugal, pois ainda em 1911 estava aberto ao culto, com comissão de festas que tinha como objectivo honrar São Bartolomeu apóstolo.
O arrolamento dos seus bens, ocorrido a 4 de Agosto do ano referido, veio dar cumprimento à Lei de 20 de Abril de 1911, vulgarmente chamada Lei da Separação da Igreja do Estado, que nacionalizou os bens eclesiásticos. Este documento, existente em duas versões ambas guardadas no Arquivo Distrital de Portalegre, é assinado na sua versão mais reduzida por Luís de Sousa Gomes, Jorge Maria de Macedo e Francisco Fino. Na sua versão mais completa é subscrito por João José Cabecinha, presidente da comissão dos festejos a S. Bartolomeu.
É este último que nos permite termos uma imagem, ainda que imperfeita, da arquitectura e da decoração deste edifício religioso de que nos resta apenas uma memória toponímica.
A igreja era constituída por nave, capela mor e sacristia. No altar principal estava a imagem do apóstolo São Bartolomeu, acompanhada por estátuas representando São Francisco Xavier, Santo Inácio de Loyola, São Joaquim e São Macário. À entrada deste espaço estavam dois anjos, provavelmente ceruferários.
No corpo do templo existia, para além do púlpito, um oratório representando o Calvário, onde adivinhamos interessante factura, se atendermos à descrição elaborada por João José Cabecinha: "colocado dentro da parede da Egreja, com duas portas de madeira ordinaria, tendo as mesmas portas no entrior umas imagens pintadas a oleo, o oratorio é uma espece de capella em ponto piqueno com colunas todo dourado, dois castiçaes de vidro, um Christo ao sentro, de madeira com cruz tambem de madeira, o Christo tem um diadema de práta com uma pedra sem valor, com Nossa Senhora e S. João aos lados".
No exterior a igreja tinha uma torre sineira com um único sino, o qual - segundo se diz - foi fundido com outros para a construção do monumento aos mortos da Grande Guerra.
Ao seu recheio pertenciam peças certamente interessantes, a avaliarmos pelo inventário: um cálice de prata lavrada com patena, dois relicários em prata de São Bartolomeu e de São Francisco Xavier, diversos paramentos, duas pirâmides de madeira para as relíquias e para a colocação de uma imagem do orago, uma imagem de são João (Baptista?) em barro de Portalegre, etc.. De nenhuma delas existe rasto seguro. Seriam sua pertença algumas das imagens hoje presentes nas colecções dos museus da cidade?
Demolida a igreja em data que não podemos precisar, os seus bens transitaram para mãos que por agora não estão identificadas. Foi esta a sorte de muito do património religioso de Portalegre e do seu concelho.

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