Mostrar mensagens com a etiqueta Galeria de Arte. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Galeria de Arte. Mostrar todas as mensagens

terça-feira, 2 de novembro de 2010


Casas Nogueiras (Carreiras, Portalegre)



Fonte Nova (Carreiras, Portalegre)



Rua de Baixo (Carreiras, Portalegre)



Casas Nogueiras (Carreiras, Portalegre)



Arco da Fonte Nova (Carreiras, Portalegre)



Igreja de São Sebastião e adro (Carreiras, Portalegre)



Choça na Fonte Fria (Carreiras, Portalegre)



Rua Nova (Carreiras, Portalegre)



Travessa do Cimo da Rua (Carreiras, Portalegre)



Chaminé na zona da Fonte Nova (Carreiras, Portalegre)


Aguarelas de João Salvador Martins
a partir de fotografias antigas de Carreiras (Portalegre)

(Aguarelas pertencentes à colecção da Junta de Freguesia de Carreiras.)

quinta-feira, 15 de janeiro de 2009



João Filipe Bugalho
(texto e pintura)


FRONTEIRA E MEMÓRIA



Sever, fronteira da minha memória.
Rio que separa e une duas margens.
Eterno contrabandista.
Tranquilo, bravo, solitário, na paisagem dura de xisto, quase deshabitada.
Rio que seca e deixa apenas pegos onde se retempera e refresca a bicharada.
Sombras sadias de amieiros e choupos, seixos soltos, margens tranquilas.
Memórias das tardes quentes que refrescávamos com uma talhada de melancia, sob o laranja intenso do antepôr do sol.






Com pó e suor na pele mas uma sensação quente de bem estar, sensual, inesquecível.
Ainda hoje revisitada.
Como o canto apelativo dos abelharucos, voando por cima.
Luz do fim da tarde que foi abrazadora,luz inseparável dos sons vagos dos chocalhos de um rebanho quase perdido na distância.
Bravura agreste do rio, correndo no próprio leito de pedra, por si talhada.
Silêncio estival, apenas rasgado pelo vôo azul do guarda-rios,
de onde em quando pontuado pelo triste e escasso piar da cotovia.
Peso do calor que nos faz buscar a quietude e o silêncio na protecção da sombra.
Que acalma.
Mas que nos fórça a contemplar.
A sentirmo-nos ínfimos na imensidão do espaço.
Serras distantes, onde se espraiam laivos laranja-azulados de poentes que fazem ressaltar os brancos casarios.
Austeros. Às vezes sós, sombrios.
Mas que, uma vez dentro, se nos revelam e nos acolhem.
Que nos desvendam, nos recantos e nos pátios, os seus mais antigos e íntimos segredos. Até mesmo as suas gentes.
Envoltos em planuras infindas, cortadas por escassas rectas de muros,
intermináveis...Vagamente cobertas de restolho amarelecido, queimado pelo Sol.
Ou alqueives, de pó vermelho e sêco, tingindo o horizonte.
Com danças de sobreiros sobre a paisagem.
Ou linhas e linhas de colinas sedentas, como corpos de mulher.
Céus sempre diferentes, carregados de imagens ditadas por nuvens,
imparáveis,
brancas, sépias, às vezes cinzento-chumbo quase negras,
de ameaçadoras trovoadas.
Além dos infinitos espaços, apenas a ímpar, indescritível, solidão da azinheira.
Cujo tronco, revelando a cicatriz do tempo, é a própria resistência.







A vida.
Sever memória, fronteira, esperança.
Sever, de contrabando e de partida.



O texto fez parte do catálogo da exposição de 30 telas, inspiradas em “paisagens comuns de ambos os lados do Sever”, apresentada no Museo Provincial de Cáceres em 23 de Novembro de 2007.

sexta-feira, 25 de julho de 2008


RETRATO DE CONTRABANDISTA


Não tenho a completa certeza. Mas, com 95% de probabilidades, esta contrabandista presa na cadeia de Castelo de Vide na década de 1930 e retratada por Cora Gordon no seu livro Portuguese Somersault, deve tratar-se de Rosária da Conceição, minha tia-bisavó, natural de Carreiras (Portalegre).

quinta-feira, 20 de setembro de 2007

Sapiência
[Portalegre]

do coordenador deste blogue

(Na imagem: "Claustro de Santa Clara", aguarela de João Tavares.)

quinta-feira, 6 de setembro de 2007


O texto era já meu conhecido,
mas é sempre bom relê-lo,
para relembrar que existe uma outra Portalegre...
(Na imagem: "Retábulo Portalegrense", de João Garção.)

terça-feira, 3 de julho de 2007

Portalegre: alguns exemplos

PROVENÇA – Visita às ruínas da Provença, ao fim de vários anos de interesse e de investigação (um dia hei-de escrever a partir de quanto já recolhi...). Felizmente, a adaptação a hotel não parece ter mexido muito no espaço monacal. Respeitaram-se os vestígios, ainda importantes, da cerca e da igreja. Conservou-se a nudez da pedra incerta de algumas construções ainda habitáveis. Mantida nas traseiras do espaço de lazer, a sombra anímica do velho mosteirinho há muito desabitado permanece no sopé da Serra de Frei Álvaro. Nas cantarias lavradas fina mas simplesmente respiram as mãos e os passos dos homens “da pobre vida”. É, contudo, quando olhamos para a mata de carvalhos a subir a encosta que encontramos o verdadeiro espírito eremítico, de isolamento e de contemplação.

RUI CARDOSO MARTINS – Li o romance de Rui Cardoso Martins, E se eu gostasse muito de morrer. Aproveitando as suas capacidades jornalísticas, conseguiu – ao misturar, na linha de algum Lobo Antunes, ficção com realidade/memória – escrever uma nova página da crónica negra portalegrense. Herdeiro de Trindade Coelho, Marta de Lima, José Régio, Castelo Júnior e Nicolau Saião e, ainda, dos poemas de Carlos Garcia de Castro, põe em carne viva as feridas da cidade que, mesmo remodelada fisicamente com dinheiros de fora, continua a existir com a mesma brutalidade, mesquinhez, pequenez e inveja, com a mesma violência (mais psicológica do que física) que conduz à perda da mais elementar dignidade, logo ao suicídio. Um livro permanece enquanto objecto artístico representativo e/ou como documento importante. Tendo qualidades de arte apreciáveis, tenho a certeza de que a narrativa de Cardoso Martins será também objecto de uma atenta leitura histórica no futuro.

CONDECORAÇÕES - Quando vi a fotografia, não quis acreditar, tão grande o despropósito. Seria talvez uma montagem. Só quando vi o facto registado em toda a imprensa citadina me deixei vergar pelas circunstâncias. A vereação actual de Portalegre resolvera mesmo atribuir a medalha de mérito municipal ao indivíduo que, há poucos meses, fora castigado pelo Estado por actos reprováveis, descritos no Diário da República. A “homenagem” tapou-se com um pacote dirigido a antigos presidentes de junta (alguns com obra pouco ou nada visível, como um meu conhecido). Estas e outras são bem a imagem de certa Portalegre (que Cardoso Martins descreveu no seu romance), onde cidadãos com características éticas nada recomendáveis são apresentados como exemplos e outros são chutados para o caixote do lixo cívico.
Felizmente, na mesma cerimónia (maculada pela situação descrita), foram homenageados outros cidadãos que merecem ser vistos como bons exemplos. Entre eles, permito-me destacar a figura de Maria Flora Garção, funcionária municipal que, antes de se aposentar, descreveu assim a sua acção: “Devoção pelos colegas que ao longo dos anos me acompanharam irmanados na vontade de bem servir esse tal público que parece sempre me estimou e apreciou na minha forma de o atender.” Quem quer que tenha contactado com ela na sua acção diária sabe quão verdadeiras são estas palavras.

AUGUSTO RAÍNHO – Entra-se no Museu de Tapeçaria e esquecemo-nos de uma certa Portalegre. Não que a cidade não possua outras belezas e qualidades (que as tem e singulares), mas nesse espaço suspende-se o ar de amadorismo e de inabilidade (de descuido, mesmo) que sobressai em tanto local belo, assim diminuído. Fui ver a exposição nova de Augusto Raínho. Mais uma vez, a sua pintura interessou-me muito, tanto na sua capacidade representativa e interpretativa, quanto nos conceitos vivenciais e filosóficos que sustentam os quadros. Há uma (in)certa esperança em tudo – e não desagrada, por ser fundada e consciente.

terça-feira, 5 de junho de 2007

UM AMIGO
E UMA EXPOSIÇÃO
Conheço João Salvador Martins desde que me lembro de ser gente. Colega de brincadeiras de um sobrinho seu, recordo uma sala em cuja parede estava um dos seus cavalos. Lembro ainda os seus passeios, por vezes solitários, pelas ruas e campos das Carreiras e, sobretudo, alguns retratos que, com singular rapidez, ia fazendo nas costas de calendários de pendurar, onde apareciam figuras típicas da nossa aldeia comum (o taberneiro e cantador Domigos Sobreira, Chico Pragana, surdo-mudo e cadeireiro, e alguns outros) e permaneciam expostos, entre garrafas e copos de vinho, numa tasca da Rua da Igreja.
Foi o primeiro pintor que conheci – e por isso, em jeito de homenagem, lhe dediquei um pequeno poema (recentemente publicado na revista Saudade, em Amarante), no qual recordei as bolandas que levaram à execução e reexecução do retrato a carvão do ti’ António Afonso do Adro, hoje na posse da família deste –, imediatamente antes de Maria Lucília Moita que, nos anos ‘70/’80, era presença constante na aldeia (falsamente chamada “presépio”).
Sem nada perguntar, observando o trabalho de João Salvador quando podia – e, também, os retábulos da igreja do Mártir São Sebastião, obra anónima do século XVII – ia criando consciência do que são a arte e a pintura: não somente representação, mas transfiguração; mais do que visão, imaginação; mais do que conteúdo, matéria plástica (cores e traços numa parcela simulada do espaço).
Trinta anos de diferença nos separavam na minha infância; era natural que os nossos contactos se limitassem a uma breve passagem da sua mão pela minha cabeça e a um olhar meu de admiração. Trinta anos nos separam ainda hoje. Ambos capricornianos de vinte e tantos de Dezembro, são agora mais frequentes as nossas conversas no café do Rossio, nas ruas das Carreiras ou noutro lado; nem sempre estamos de acordo, mas entendemo-nos como amigos – e isso basta.
Só esta amizade e gratidão que me ligam a João Salvador Martins e à sua pintura me convenceram a romper por momentos o afastamento voluntário em relação à maior parte das actividades desenvolvidas na Biblioteca Municipal de Portalegre. Desgostoso com a estranha e perigosa mistura feita nesse espaço entre cidadãos com qualidade humana, cívica, artística e/ou literária e outros sem dimensão estética e/ou ética (para não falar noutras “coisas” que por ali ocorrem ou dali partem) – fui obrigado a reconhecer que a melhor maneira de demonstrar amor pela terra em que nasci e vivi é voltar as costas a tudo quanto macula o seu bom nome de cidade e de centro de uma região.
Os quadros que pude observar na exposição de João Salvador Martins eram, na sua maioria, meus conhecidos. Tive até o privilégio de acompanhar a execução de alguns deles, nomeadamente as aguarelas carreirenses. Independentemente do motivo que apresentam (na pintura não interessa a vista ou o rosto retratado, mas a capacidade de interpretação e de transformação do pintor, conseguida através do desenho e da disposição das cores – tudo o resto está de fora, pertence às circunstâncias, não interessa ao quadro enquanto objecto artístico), confirmei o interesse que sempre me suscitaram.
Nem a descuidada montagem da exposição, nem o catálogo lamentável, nem o insensível emolduramento das obras carreirenses (propriedade da Junta de Freguesia local) conseguem diminuir a qualidade dos quadros. Trouxe no olhar, entre outras obras, os retratos muito conseguidos de Maria Tavares Transmontano e de Nuno Oliveira. Valem por si, independentemente de quem representam. Transfiguram a realidade, animando-a. Toda a boa pintura deveria ser assim…


(in O Distrito de Portalegre)

Pesquisar neste blogue

Etiquetas

Arquivo do blogue

PORTALEGRE: CLASSIFICAR PATRIMÓNIO, APAGAR PATRIMÓNIO             Segundo noticiou o jornal “Alto Alentejo”, na sua edição ...