quinta-feira, 3 de dezembro de 2009


IGREJA DE SANT' IAGO MENOR
(Santiago de Caiola - Urra)



A referência mais antiga que conhecemos à igreja de Sant' Iago Menor data de 11 de Agosto de 1565. Trata-se de um assento de casamento, registado pelo padre Jorge Soares nos livros de São Martinho de Portalegre, pelo qual ficamos a saber que nesse dia "Recebeo o padre joão serra [coadjutor da mesma paróquia] em samtiago de caiola a joão martins e a graçia miranda do monte da Vrra por marido & molher". Não sabemos qual seria a antiguidade deste templo nessa data. Deduzimos no entanto deste documento que o mesmo seria filial da sobredita freguesia citadina. Este facto parece confirmado por um acordo celebrado em 1501 entre os párocos de Portalegre, no qual atribuiram ao prior de São Martinho o encargo de administrar os sacramentos aos que moravam "do caminho do Cratto levando o termo ao redor ate o caminho de Arronches" (S/A, 1983).
O edifício que se podia observar até há poucos anos parecia confirmar uma edificação que remontaria a meados do século XVI, embora interiormente tenho sofrido grandes modificações. Esta datação é confirmada por Luís Keil (cf. Keil, 1943: 152).
A fachada principal - bastante simples - parecia ser, com poucas alterações, a original. Virada a sudeste, era ladeada por uma pequena sineira em alvenaria. Possui uma porta com guarnição granítica, ainda com vestígios da primitiva moldura chanfrada, e uma janela de iluminação no mesmo alinhamento. Modernamente, haviam sido aí colocados dois pequenos registos de azulejo, representando imagens veneradas no interior (o orago e Nossa Senhora das Mercês).
O interior, de uma só nave, havia sido quase completamente remodelado durante a segunda metade de setecentos e restaurado já no século XX. Luís Rodrigues Galego, pároco em Sant' Iago de Caiola no ano de 1758, descreve o templo com as seguintes palavras:
"O orago, ou padroejro da mesma Igreja he sãao Thiago menor tem altar mór, e dois Colatrais; o mór tem hua imagem de Christo Cruxificado em vulto, Nossa Senhora das Mercês, são Thiago Menor, são Pedro, e são Ioão Baptista tãobem em vulto; o altar do lado do Evangelho sancto Antonio; e o da Epistola Nossa senhora dos Prazeres; hua e outra a Imagem tão bem em vulto; toda a Igreja não tem repartição alguma, e Consta sò de huma Nave" (Galego, 1758 in Ventura, 1995: 117).
Com coro sustentado por um arco abatido e pia baptismal à esquerda de quem entrava, a imagem até há pouco tempo não era muito diferente. Apenas algumas das imagens expostas à veneração haviam mudado, seguindo o gosto da época. Os retábulos, principal e colaterais, eram todos em alvenaria dourada e pintada, seguindo o estilo comum na região durante da segunda metade do século XVIII: nicho central ladeado por colunas, frontão elevado ou interrompido. O púlpito era da mesma época e construído nos mesmos materiais e com decoração semelhante. Merece realce no entanto o frontal do altar-mor, "de gesso dourado, tipo espanhol do século XVII" (Keil, 1943: 153). Na capela-mor encontravam-se ainda dois baldaquinos, em madeira pintada e dourada, no estilo neo-gótico oitocentista.
De entre as diversas imagens expostas na igreja, merecem referência as que representam Sant' Iago Menor e São Pedro, esculturas "redondas" situadas na transição do século XVI para o seguinte - infelizmente desvalorizadas por restauros executados sem nenhum critério.
Pequeno para a população da freguesia da Urra, há poucos anos o corpo da igreja foi completamente reconstruído, a partir de uma iniciativa do padre Marcelino Marques, passando a ter três naves. A nova fachada, completamente nova, reproduz num tom contemporâneo a antiga.

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