IGREJA DE SANTA MARIA MADALENA
(Portalegre)



Segundo uma velha tradição, a igreja de Santa Maria Madalena foi sede da mais antiga paróquia de Portalegre. Situada no actual largo Serpa Pinto (antigo largo da Madalena, próximo do castelo), já existia em 1259, ano em que o rei D. Afonso III terá dado foral a Portus Alacer.
Nesse mesmo ano o monarca bolonhês fez doação do Padroado da Madalena ao mosteiro de São Jorge de Coimbra, pertencente aos Cónegos Regrantes de Santo Agostinho, como agradecimento pelo nascimento de sua filha D. Branca, garantindo-lhe assim a protecção divina. Em 1541 passou para a posse do mosteiro de Santa Cruz, da mesma ordem, transitando, em 1564, para as mãos da Companhia de Jesus, ficando ligado ao Colégio do Espírito Santo, de Évora, que possuía assim o direito de apresentar o prior desta igreja portalegrense. Com a expulsão dos Jesuítas em 1759 o padroado de Santa Maria Madalena regressou à Coroa - até 1774, ano em que D. José faz doação do mesmo à Universidade de Coimbra, que dele toma posse em 1788.
A freguesia, pela escassez de paroquianos, foi extinta em 1834, integrando-se na Sé cinco anos depois. Em 1858 tomou posse da igreja a Câmara Municipal de Portalegre que, por Carta de Lei de 14 de Agosto do mesmo ano, procedeu à sua demolição para, em seu lugar, ser construído um chafariz.
Desaparecida no terceiro quartel do século XIX, a igreja de Santa Maria Madalena - segundo nos indicam os documentos escritos - tratava-se de uma obra erguida no espírito da arte barroca, com planta centralizada. Assim é descrita em 1758 pelo seu prior, Manuel Jerónimo de Velez (Vellez, 1758 in Ventura, 1995: 132):
"[...] consta de tres altares, que he o mór, em o qual da parte do Evangelho está Santa Maria Magdalena, e da parte da Epistola o Appostolo São Pedro; Os outros dous altares estão no [c]orpo da Igreja, hum da parte do Evangelho, em que está [co]llocada huma Imagem de IESVS Christo assentado [e]m huma pianha e encostando a face sobre sua mão [di]reita com o titulo, ou invocação de Senhor da Paciencia, o outro da parte da Epistola em que está collo[ca]da huma Imagem de Nossa Senhora com a invocação [de] Senhora dos Prazeres, digo dos Prazeres; e na [b]anquetta deste altar da parte do Evangelho está // [...] huma Imagem de São Francisco, e da parte da Epistola outra de Santo Antonio.
Não tem esta Igreja naves, he toda de abobe[da] a sua architectura he destas Outavadas, e mode[r]nas, a que chamão à romana [...]."
Esta descrição vai ao encontro de algumas das palavras de F. A. Rodrigues de Gusmão, publicadas cem anos depois (Gusmão, 1858: 7 - 8):
"Tantas foram as alternativas, porque passou, no correr dos annos, o Padroado da Magdalena, quantas as mudanças, que soffreu, em diversas epochas, o seu templo.
Não podemos determinar a da primeira reedificação, em que se transferiu o altar mór do poente para o nascente, e depois para o norte, e para o sul a porta principal. A ultima operou-se, com toda a certeza, em 1732. Ficou, então, octogono o templo, e foi todo construido de abobeda, em tres altares, o mór com um formoso retabulo, e os dous lateraes de simples, mas elegante fabrica.
Tinha torre, côro, duas sachristias, e duas portas. // Sobre a principal estava um quadro, que representava, em azulejo, o Orago.
"
Segundo Maria Tavares Transmontano, depois da demolição os dois sinos da Madalena foram levados para igrejas de Carreiras e da Ribeira de Nisa (cf. Transmontano, 1997: 64). A imagem da padroeira, barroca, é hoje venerada na Sé de Portalegre (ver foto).

1 comentário:

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- Norman