segunda-feira, 22 de novembro de 2010




Vista do afloramento a partir do sul.

Pormenor do afloramento.

Afloramento visto do norte.

Vista nordeste do afloramento.

Vista nordeste do afloramento.

Vista nascente do afloramento, sendo evidente a aparência fálica dotada de "testículos".


Vista norte do afloramento.


Vista do "monumento" a partir do sul.


Vista sul do "monumento".




 

MENIR OU BÉTILO (?) DO FRAGUIL
(Carreiras, Portalegre)

O afloramento natural apresentado nas fotografias - que tive oportunidade de visitar pela segunda vez em Abril de 2009 com Joaquim Baptista Ventura, meu pai (cheguei lá depois das conversas com Ana Fernandes Martins, carreirense falecida com mais de 80 anos no início do século XXI) - situa-se a cerca de 500 metros a noroeste do Rossio da aldeia de Carreiras, no concelho de Portalegre.
Está envolvido por lendas de bruxas, quase "interditado", razão pela qual poucos o conhecem na povoação. Tem a rodeá-lo um recinto duplo em pedra seca, com uma espécie de banco com lajes na parte sul e duas estruturas que parecem pequenas lareiras, com laje de granito no fundo e outras à volta mais pequenas.

O bloco de granito tem algum tratamento grosseiro na parte superior, mas não dá bem para ver bem o que é (parecendo no entanto pequenas covetes). Tem cerca de três metros, três metros e meio de altura. Situa-se no alto de um cabeço rochoso, o que lhe daria uma enorme visibilidade em qualquer direcção (hoje está meio encoberto pela ramagem dos sobreiros que o rodeiam): a olho nu hoje apenas se vê do lado nascente, mas a origem ver-se-ia de qualquer lado, mesmo da serra de Castelo de Vide ou de alguns monumentos megalíticos da região, nomeadamente das antas do Sobral e do João Martins.
O maciço rochoso em cujo cume se levanta (o "Fraguil"), está ao fundo da "Azinhaga das Bruxas" - tendo um carácter misterioso, ao ser um lugar envolvido por interditos; ainda conheci pessoas de idade a afirmarem que ali se reuniam as feiticeiras.
A norte do monolito, duas rochas mais pequenas adossadas dão-lhe uma configuração completamente fálica, em que são visíveis inclusivé dois testículos.
Um manto de folhas muito espesso tem impedido, até ao momento, a descoberta de cerâmicas datáveis.
Ao cabeço, muito elevado a poente, acede-se ainda por uma espécie de vereda por entre os rochedos, a qual conduziria à grande pedra e/ou à estrutura que a rodeia. Esta vereda parte de um minúsculo pego da "Ribeira do Casépio", onde se eleva um muro de pedra dotado de um baixo pórtico sem qualquer tratamento, que dá para um espaço minúsculo que não poderia servir como abrigo de pastores, tão diminutas as suas dimensões.
Pela sua configuração e pelo seu contexto, ouso a hipótese de que este monumento tanto pode ser mais um exemplo no Norte Alentejano de um afloramento rochoso transformado em menir quanto uma manifestação, mais tardia, dos cultos orientalizantes, que se dirigiam frequentemente a este tipo de acidentes naturais, com carácter numinoso evidente.

(Todas as fotos são de RV e foram tiradas em Abril de 2009.)


Vista sul do afloramento e de um dos muros de pedra seca que o rodeiam.

"Banco" com lajes de pedra a sul do afloramento.

Muro com pórtico existente sobre o Ribeiro do Casépio, a sul do afloramento.


"Lareira" (?) existente a nascente do monumento (há outra a sul).

1 comentário:

Anónimo disse...

Podes estar certo ou as bruxas não querem nada comigo, ou já desapareceram, pois passo por ali os dias e algumas partes das noites, e a única coisa que ouço são os gatos bravos que naquele monte há dezenas de anos que fazem lá criação, digo-te a ti com medo que algum "chico esperto" os vá lá caçar, porque por incrivel que pareça, com algum cuidado conseguem-se ver.

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