Lenda da igreja de São Sebastião
(Carreiras)
Versão de Carreiras (Portalegre), recolhida e publicada por Ruy Ventura (1993) – “Notas Histórico-Etnográficas sobre a Freguesia das Carreiras – A igreja paroquial”, in O Distrito de Portalegre, de 1 a 22 de Janeiro.
Segundo a lenda, junto à porta principal d[a] igreja de São Sebastião das Carreiras, estão enterrados, lado a lado, dois potes: um cheio de ouro, outro cheio de veneno. Segundo o povo, quem, ao tentar desenterrá-los, encontrar primeiro o que contém o dinheiro em ouro, ficará rico, caso contrário morrerá imediatamente.
sexta-feira, 8 de janeiro de 2010
Lenda da imagem do Mártir Santo
(Carreiras)
Versão de Carreiras (Portalegre), contada em 1992 por Ana Fernandes Martins (n. 1913), recolhida e publicada por Ruy Ventura (1996) – “Algumas Lendas da Serra de São Mamede”, separata de Ibn Maruán – Revista Cultural do Concelho de Marvão, nº 6, Dezembro: 38.
Diziam as pessoas antigas que há muitos séculos um cabreiro achou entre umas rochas (no local onde hoje são as Carreiras) uma imagem do Mártir Santo em pedra. Como morava lá para o pé do Veloso, onde era antigamente o povo, resolveu colocar aí o santo. Só que, no dia seguinte, ele estava de novo entre as pedras da serra. O cabreiro tentou levá-lo de novo, mas ele voltava sempre. Então as pessoas fizeram uma ermida a São Sebastião, no local onde a sua imagem tinha aparecido.
Anos passados, começaram a construir casas neste sítio, e assim nasceu também a aldeia.
(Carreiras)
Versão de Carreiras (Portalegre), contada em 1992 por Ana Fernandes Martins (n. 1913), recolhida e publicada por Ruy Ventura (1996) – “Algumas Lendas da Serra de São Mamede”, separata de Ibn Maruán – Revista Cultural do Concelho de Marvão, nº 6, Dezembro: 38.
Diziam as pessoas antigas que há muitos séculos um cabreiro achou entre umas rochas (no local onde hoje são as Carreiras) uma imagem do Mártir Santo em pedra. Como morava lá para o pé do Veloso, onde era antigamente o povo, resolveu colocar aí o santo. Só que, no dia seguinte, ele estava de novo entre as pedras da serra. O cabreiro tentou levá-lo de novo, mas ele voltava sempre. Então as pessoas fizeram uma ermida a São Sebastião, no local onde a sua imagem tinha aparecido.
Anos passados, começaram a construir casas neste sítio, e assim nasceu também a aldeia.
Lenda da fundação de Carreiras
Versão de Carreiras (Portalegre) contada por Ana Fernandes Martins (n. 1913) em 1992. Recolhida e publicada por Ruy Ventura (1996) – “Algumas Lendas da Serra de São Mamede”, separata de Ibn Maruán – Revista Cultural do Concelho de Marvão, nº 6, Dezembro: 25.
A aldeia das Carreiras foi feita pelos moradores da cidade da Aramenha. Há muitos, muitos anos, quanto aquele povo foi arrasado pelos mouros, as pessoas tiveram que abandonar as suas casas: umas fugiram para Marvão e fundaram lá a vila; outras vieram para este lado da serra e aqui fundaram a nossa terra. Diziam os antigos que tiveram que vir às carreiras (a fugir), e por isso deram à aldeia o nome que hoje tem.
Versão de Carreiras (Portalegre) contada por Ana Fernandes Martins (n. 1913) em 1992. Recolhida e publicada por Ruy Ventura (1996) – “Algumas Lendas da Serra de São Mamede”, separata de Ibn Maruán – Revista Cultural do Concelho de Marvão, nº 6, Dezembro: 25.
A aldeia das Carreiras foi feita pelos moradores da cidade da Aramenha. Há muitos, muitos anos, quanto aquele povo foi arrasado pelos mouros, as pessoas tiveram que abandonar as suas casas: umas fugiram para Marvão e fundaram lá a vila; outras vieram para este lado da serra e aqui fundaram a nossa terra. Diziam os antigos que tiveram que vir às carreiras (a fugir), e por isso deram à aldeia o nome que hoje tem.
Lenda da Herdade da Cabaça
(Portalegre)
Versão de Portalegre, registada em 2001 por Rita de Jesus Cordas Barroqueiro (n. Reguengo, 1934) e transcrita por Ruy Ventura (2005) – Contos e Lendas da Serra de São Mamede, antologia breve, Almada, Associação de Solidariedade Social dos Professores: 87.
Em tempos não muito distantes no olival da herdade da Cabaça era dado o azeite para a capela de Nossa Senhora do Socorro, para iluminar a santinha todo o ano.
E quando mudou o dono, deixaram de dar o azeite para a capela. No ano seguinte as oliveira, em vez de darem azeitona, deram bagas vermelhas e as folhas ficaram com o feitio das folhas das beldroegas.
Assim continuaram por alguns anos a dar bagas vermelhas.
Então os donos voltaram a dar o azeite para a capela de Nossa Senhora do Socorro. No entanto as oliveiras nunca mais voltaram a dar azeitona como davam dantes. E passados tantos anos ainda em algumas oliveiras aparecem folhas e bagas esquisitas.
(Portalegre)
Versão de Portalegre, registada em 2001 por Rita de Jesus Cordas Barroqueiro (n. Reguengo, 1934) e transcrita por Ruy Ventura (2005) – Contos e Lendas da Serra de São Mamede, antologia breve, Almada, Associação de Solidariedade Social dos Professores: 87.
Em tempos não muito distantes no olival da herdade da Cabaça era dado o azeite para a capela de Nossa Senhora do Socorro, para iluminar a santinha todo o ano.
E quando mudou o dono, deixaram de dar o azeite para a capela. No ano seguinte as oliveira, em vez de darem azeitona, deram bagas vermelhas e as folhas ficaram com o feitio das folhas das beldroegas.
Assim continuaram por alguns anos a dar bagas vermelhas.
Então os donos voltaram a dar o azeite para a capela de Nossa Senhora do Socorro. No entanto as oliveiras nunca mais voltaram a dar azeitona como davam dantes. E passados tantos anos ainda em algumas oliveiras aparecem folhas e bagas esquisitas.
quinta-feira, 7 de janeiro de 2010
Lenda da Serra da Penha
(Portalegre)
1
Versão de Portalegre, recolhida (em 1984) e publicada por Maria Tavares Transmontano (1997) – Subsídios para uma Monografia de Portalegre, Portalegre, Câmara Municipal de Portalegre: 136.
Conta-se que nesta Serra, muito próximo da cidade, um feiticeiro encantou uma princesa moura e a transformou em rochedo. À noite ela sai, e do alto brada pelo pai. Quem conseguir entrar pelo buraco, sem que a cobra que a guarda o veja, casa com a princesa, que dizem chamar-se Catarina.
2
Versão de proveniência desconhecida, talvez de Portalegre. Publicada em: http://209.85.229.132/search?q=cache:N8wUMLlkKqsJ:www.cm-portalegre.pt/page.php%3Ftopic%3D20+%22lenda%22+%22portalegre%22&cd=2&hl=pt-PT&ct=clnk&gl=pt (página consultada em 14/1/2010).
Dizem que há muitos anos os mouros moravam na Rua da Mouraria. Um dia em que estavam em guerra com outro povo, um rei mouro fugiu para a Serra da Penha, e se escondeu ali com os fidalgos, as jóias e uma filha.
Mas o outro rei descobriu-o e foi para a Serra para o matar.
Então, o rei para salvar a filha encantou-a e ela ficou escondida com as jóias, numa gruta que ali se encontrava. Ainda hoje chamam a essa gruta "A Cova da Moura".
Algumas pessoas mais velhas dizem que nas noites de luar se via uma princesa vestida de tule branco passando no alto da Serra a chorar com saudades dos pais, que viu a matar, sem os poder ajudar.
3
Versão literária escrita por António Torrado: http://www.historiadodia.pt/pt/Historias/05/23/imprimir.pdf
Um chefe mouro, reconhecendo que não tinha tropas que chegassem para enfrentar um aguerrido exército invasor dos seus domínios, abandonou o amuralhado da cidade e refugiou-se com a família e a corte nos brejos da serra. Carregadas por escravos iam, no meio do apressado cortejo em fuga, as arcas cheias de tesouros, para serem depostas em lugar seguro, longe da cobiça dos agressores.
Mas um escravo escapou-se do emboscado acampamento e foi avisar o comandante inimigo. A partir daí, já nada podia salvar os foragidos. Ouvindo o grito da soldadesca que, de lanças e alfanges em punho, trepava as faldas da montanha, o chefe dos sitiados percebeu que ele e os seus não podiam esperar clemência. Chamou de parte a sua filha, linda menina moura, e disse-lhe, contendo as lágrimas:
- Tu és a jóia mais preciosa dos meus tesouros. Junto deles vou encantar-te, para que nenhumas mãos impuras aflijam a tua inocência.
E assim fez. Ele, que tinha poderes mágicos, transformou a filha e as arcas carregadas de riquezas em pedras de uma gruta. Depois, ainda tentou usar da mesma magia para ele próprio e os seus mais próximos, mas já não foi a tempo. Uma lança interceptou-lhe as palavras mágicas que ia proferir.
Contam os mais velhos que aquele sítio se chama Cova da Moura, porque, em noites de luar, ainda há quem veja a menina vestida de branco, a andar sem rumo pelo alto da serra. Ouvem-na lamentar-se em língua estranha e chorar os pais e a felicidade que perdeu. Impressão será ou o sussurro do vento pelo meio da folhagem dos castanheiros...
Seja do que for, os mais velhos acreditam que a moura encantada da Serra da Penha guarda arcas e arcas de tesouros por desencantar. Vale a pena ir lá de propósito, em passeio, que mais não seja porque do alto da colina, onde a meio da encosta, alveja uma ermidinha, se abrange todo o casario da cidade
de Portalegre, o perfil do Castelo, as torres da Sé e, longe, a Serra de S. Mamede e a imensa planura alentejana. É outra forma de encantamento.
(Portalegre)
1
Versão de Portalegre, recolhida (em 1984) e publicada por Maria Tavares Transmontano (1997) – Subsídios para uma Monografia de Portalegre, Portalegre, Câmara Municipal de Portalegre: 136.
Conta-se que nesta Serra, muito próximo da cidade, um feiticeiro encantou uma princesa moura e a transformou em rochedo. À noite ela sai, e do alto brada pelo pai. Quem conseguir entrar pelo buraco, sem que a cobra que a guarda o veja, casa com a princesa, que dizem chamar-se Catarina.
2
Versão de proveniência desconhecida, talvez de Portalegre. Publicada em: http://209.85.229.132/search?q=cache:N8wUMLlkKqsJ:www.cm-portalegre.pt/page.php%3Ftopic%3D20+%22lenda%22+%22portalegre%22&cd=2&hl=pt-PT&ct=clnk&gl=pt (página consultada em 14/1/2010).
Dizem que há muitos anos os mouros moravam na Rua da Mouraria. Um dia em que estavam em guerra com outro povo, um rei mouro fugiu para a Serra da Penha, e se escondeu ali com os fidalgos, as jóias e uma filha.
Mas o outro rei descobriu-o e foi para a Serra para o matar.
Então, o rei para salvar a filha encantou-a e ela ficou escondida com as jóias, numa gruta que ali se encontrava. Ainda hoje chamam a essa gruta "A Cova da Moura".
Algumas pessoas mais velhas dizem que nas noites de luar se via uma princesa vestida de tule branco passando no alto da Serra a chorar com saudades dos pais, que viu a matar, sem os poder ajudar.
3
Versão literária escrita por António Torrado: http://www.historiadodia.pt/pt/Historias/05/23/imprimir.pdf
Um chefe mouro, reconhecendo que não tinha tropas que chegassem para enfrentar um aguerrido exército invasor dos seus domínios, abandonou o amuralhado da cidade e refugiou-se com a família e a corte nos brejos da serra. Carregadas por escravos iam, no meio do apressado cortejo em fuga, as arcas cheias de tesouros, para serem depostas em lugar seguro, longe da cobiça dos agressores.
Mas um escravo escapou-se do emboscado acampamento e foi avisar o comandante inimigo. A partir daí, já nada podia salvar os foragidos. Ouvindo o grito da soldadesca que, de lanças e alfanges em punho, trepava as faldas da montanha, o chefe dos sitiados percebeu que ele e os seus não podiam esperar clemência. Chamou de parte a sua filha, linda menina moura, e disse-lhe, contendo as lágrimas:
- Tu és a jóia mais preciosa dos meus tesouros. Junto deles vou encantar-te, para que nenhumas mãos impuras aflijam a tua inocência.
E assim fez. Ele, que tinha poderes mágicos, transformou a filha e as arcas carregadas de riquezas em pedras de uma gruta. Depois, ainda tentou usar da mesma magia para ele próprio e os seus mais próximos, mas já não foi a tempo. Uma lança interceptou-lhe as palavras mágicas que ia proferir.
Contam os mais velhos que aquele sítio se chama Cova da Moura, porque, em noites de luar, ainda há quem veja a menina vestida de branco, a andar sem rumo pelo alto da serra. Ouvem-na lamentar-se em língua estranha e chorar os pais e a felicidade que perdeu. Impressão será ou o sussurro do vento pelo meio da folhagem dos castanheiros...
Seja do que for, os mais velhos acreditam que a moura encantada da Serra da Penha guarda arcas e arcas de tesouros por desencantar. Vale a pena ir lá de propósito, em passeio, que mais não seja porque do alto da colina, onde a meio da encosta, alveja uma ermidinha, se abrange todo o casario da cidade
de Portalegre, o perfil do Castelo, as torres da Sé e, longe, a Serra de S. Mamede e a imensa planura alentejana. É outra forma de encantamento.
Lenda da fundação de Portalegre
Versão de proveniência desconhecida, recolhida em finais do século XVI ou princípios do século XVII por Diogo Pereira Sotto Maior (1984) – Tratado da Cidade de Portalegre, (introdução, leitura e notas de Leonel Cardoso Martins), Lisboa, INCM / Câmara Municipal de Portalegre: 45.
[U]m Vesperaldo, nobre cavaleiro e fidalgo, que era de nação inglês, ou de Bretanha, veio a estas partes da Lusitânia e, chegando a este sítio, se apousentou em o alto de um outeiro, por cima do mosteiro de Sam Francisco, onde agora está S. Cristóvão, e neste lugar edificou ũa fortaleza que não devia ser muito pequena, conforme o mostram suas ruínas, porque ainda parecem pedaços de muros e isquinas de torres.
Ali dizem que edificou aquela ermida e nela fez muita penitência, e dizia que este foi o primeiro edifício que houve nesta cidade.
Versão de proveniência desconhecida, recolhida em finais do século XVI ou princípios do século XVII por Diogo Pereira Sotto Maior (1984) – Tratado da Cidade de Portalegre, (introdução, leitura e notas de Leonel Cardoso Martins), Lisboa, INCM / Câmara Municipal de Portalegre: 45.
[U]m Vesperaldo, nobre cavaleiro e fidalgo, que era de nação inglês, ou de Bretanha, veio a estas partes da Lusitânia e, chegando a este sítio, se apousentou em o alto de um outeiro, por cima do mosteiro de Sam Francisco, onde agora está S. Cristóvão, e neste lugar edificou ũa fortaleza que não devia ser muito pequena, conforme o mostram suas ruínas, porque ainda parecem pedaços de muros e isquinas de torres.
Ali dizem que edificou aquela ermida e nela fez muita penitência, e dizia que este foi o primeiro edifício que houve nesta cidade.
Lenda da Maia
(Portalegre)
Versão literária, de proveniência desconhecida, publicada na Grande Enciclopédia Portuguesa-Brasileira, volume II: 551. [Divisão em parágrafos da nossa responsabilidade.]
[D]epois de em vão procurar um recanto onde pudesse acabar os restos da tormentosa vida que levara, Lísias, filho ou capitão de Baco – alguns querem também que fosse Lísio ou Líseo, filho de Sumule – já de avançada idade, ali foi ter 1300 anos a. C. e, achando-o do seu agrado, a este local se acolheu e com sua gente o povoou, edificando-lhe um forte e templo, consagrado a Dionísio ou Baco, seu deus, e dando à serra o nome de uma sua filha chamada Maia. Ali vivendo em paz e liberdade, apascentando os gados e cultivando os campos, de cujas sementes e frutos se alimentava […]. Estava o referido templo no local onde actualmente se ergue a ermida de S. Cristovão, a cujo sopé corre um arroio, que pelas gentes é conhecido pelo ribeiro de Baco.
Ora reza a tradição que nas margens deste pequeno ribeiro se encontrava a malhada da pastora Maia – filha de Lísias – que pela sua bondade e formosura era adorada por todos quantos a rodeavam. Levava uma vida alegre e pacífica, guardando o rebanho de brancas ovelhas e encontrando-se diariamente em Tobias, que idilicamente e junto a ela se quedava horas sem fim, tocando na sua flauta pastoril.
E, assim, feliz e descuidadamente decorria o viver dos dois jovens, até que Dolme, um miserando que por ali vagabundeava, embalado pelos toques maviosos da flauta de Tobias e entusiasmado pelos dotes físicos da linda Maia, numa tarde primaveril interrompeu os dois pastores, amedrontando-os com a sua aparição. Foi Tobias esconder-se atrás de um rochedo, enquanto que, levantando-se como que envergonhada, Maia fixa no chão os seus formosos olhos. Mas levada a isso pela doçura do seu coração e, possivelmente, para assim quebrar os instintos maus que adivinhava no intruso, desce para a borda do ribeiro, enche a sua cabacinha e bondosamente lhe oferece de beber a cristalina água que nela recolhera. Finge Dolme aceitar a gentil oferta mas, ao recebê-la, propositadamente deixa cair a cabaça e em seus musculosos braços tenta enlaçar a jovem que, estupefacta com tal gesto, aflitivamente chama por Tobias. Acorre ele e com Dolme trava sanguinolenta luta, que só termina quando este crava no peito do pobre rapaz o machado de pedra de que vinha munido, arremessando-o já moribundo de encontro aos rochedos. Horrorizada pretende Maia fugir mas não o consegue, pois Dolme a agarra e só a larga depois de ser cadáver.
Desceu a noite nas abas daquela serra e Maia não voltara à malhada, pelo que, tardando-lhe o regresso, o velho pai a procura por toda a parte. Sobe aos outeiros vizinhos e chama repetidas vezes, mas o seu chamamento fica sem resposta. Assustadamente corre à malhada e, acendendo um toco de pinho, vai em procura da desaparecida. Passados instante o cão uiva lugubremente junto do cadáver da formosa Maia e o pobre pai, correndo para o pé do animal e deparando com a filha descomposta e morta, mede a grandeza da tragédia havida e instantaneamente perde a razão.
Durante sessenta luas por ali arrasta a sua triste vista, acocorado junto à malhada, onde julga ver aparecer a filha guardando as ovelhas, agora sem pastora. E, durante esse espaço de tempo, não pronuncia senão o nome de Maia, ele a quem os viandantes passaram a tratar pelo louco de Baco. Ao cabo de tão tormentoso sofrimento, ao velho ancião se afigura certo dia o aparecimento da filha que, sã e escorreita, lhe estendia os braços e, então, num fugidio lampejo de alegria, exclama:
“Maia, minha filha, morro feliz.”
(Portalegre)
Versão literária, de proveniência desconhecida, publicada na Grande Enciclopédia Portuguesa-Brasileira, volume II: 551. [Divisão em parágrafos da nossa responsabilidade.]
[D]epois de em vão procurar um recanto onde pudesse acabar os restos da tormentosa vida que levara, Lísias, filho ou capitão de Baco – alguns querem também que fosse Lísio ou Líseo, filho de Sumule – já de avançada idade, ali foi ter 1300 anos a. C. e, achando-o do seu agrado, a este local se acolheu e com sua gente o povoou, edificando-lhe um forte e templo, consagrado a Dionísio ou Baco, seu deus, e dando à serra o nome de uma sua filha chamada Maia. Ali vivendo em paz e liberdade, apascentando os gados e cultivando os campos, de cujas sementes e frutos se alimentava […]. Estava o referido templo no local onde actualmente se ergue a ermida de S. Cristovão, a cujo sopé corre um arroio, que pelas gentes é conhecido pelo ribeiro de Baco.
Ora reza a tradição que nas margens deste pequeno ribeiro se encontrava a malhada da pastora Maia – filha de Lísias – que pela sua bondade e formosura era adorada por todos quantos a rodeavam. Levava uma vida alegre e pacífica, guardando o rebanho de brancas ovelhas e encontrando-se diariamente em Tobias, que idilicamente e junto a ela se quedava horas sem fim, tocando na sua flauta pastoril.
E, assim, feliz e descuidadamente decorria o viver dos dois jovens, até que Dolme, um miserando que por ali vagabundeava, embalado pelos toques maviosos da flauta de Tobias e entusiasmado pelos dotes físicos da linda Maia, numa tarde primaveril interrompeu os dois pastores, amedrontando-os com a sua aparição. Foi Tobias esconder-se atrás de um rochedo, enquanto que, levantando-se como que envergonhada, Maia fixa no chão os seus formosos olhos. Mas levada a isso pela doçura do seu coração e, possivelmente, para assim quebrar os instintos maus que adivinhava no intruso, desce para a borda do ribeiro, enche a sua cabacinha e bondosamente lhe oferece de beber a cristalina água que nela recolhera. Finge Dolme aceitar a gentil oferta mas, ao recebê-la, propositadamente deixa cair a cabaça e em seus musculosos braços tenta enlaçar a jovem que, estupefacta com tal gesto, aflitivamente chama por Tobias. Acorre ele e com Dolme trava sanguinolenta luta, que só termina quando este crava no peito do pobre rapaz o machado de pedra de que vinha munido, arremessando-o já moribundo de encontro aos rochedos. Horrorizada pretende Maia fugir mas não o consegue, pois Dolme a agarra e só a larga depois de ser cadáver.
Desceu a noite nas abas daquela serra e Maia não voltara à malhada, pelo que, tardando-lhe o regresso, o velho pai a procura por toda a parte. Sobe aos outeiros vizinhos e chama repetidas vezes, mas o seu chamamento fica sem resposta. Assustadamente corre à malhada e, acendendo um toco de pinho, vai em procura da desaparecida. Passados instante o cão uiva lugubremente junto do cadáver da formosa Maia e o pobre pai, correndo para o pé do animal e deparando com a filha descomposta e morta, mede a grandeza da tragédia havida e instantaneamente perde a razão.
Durante sessenta luas por ali arrasta a sua triste vista, acocorado junto à malhada, onde julga ver aparecer a filha guardando as ovelhas, agora sem pastora. E, durante esse espaço de tempo, não pronuncia senão o nome de Maia, ele a quem os viandantes passaram a tratar pelo louco de Baco. Ao cabo de tão tormentoso sofrimento, ao velho ancião se afigura certo dia o aparecimento da filha que, sã e escorreita, lhe estendia os braços e, então, num fugidio lampejo de alegria, exclama:
“Maia, minha filha, morro feliz.”
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- Lenda da imagem do Mártir Santo (Carreiras - Portalegre)
- Lenda da Maia (Portalegre)
- Lenda da moura do Reguengo
- Lenda da moura dos Fortios
- Lenda da Pedra da Moura (Caia - Urra)
- Lenda da ponte da Portagem (Marvão)
- Lenda da serra da Penha (Portalegre)
- Lenda da Serra de Frei Álvaro
- Lenda da Serra de Matamores (Fortios)
- Lenda das santas da Aramenha (Marvão)
- Lenda das Sete Irmãs da Senhora da Estrela de Marvão
- Lenda de Marvão
- Lenda de Nossa Senhora da Alegria (Alegrete)
- Lenda de Nossa Senhora da Penha (Castelo de Vide)
- Lenda de Nossa Senhora da Penha (Portalegre)
- Lenda de Nossa Senhora dos Prazeres (Castelo de Vide)
- Lenda do ataque dos mouros a Marvão
- Lenda do castelo de Carreiras (Portalegre)
- Lenda do Mártir Santo (Fortios)
- Lenda do poço sem fundo do castelo de Marvão
- Lenda do Porto da Espada (Marvão)
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- Vocabulário da freguesia de Carreiras (Portalegre)
Fotografias
Património Religioso
- Alminhas da Outra Rua (Carreiras, Portalegre)
- Capela de Nossa Senhora das Dores (Reguengo, Portalegre)
- Capela de Nossa Senhora de Belém (Covas de Belém, Portalegre)
- Capela de São Bento (Quinta de São Bento, Ribeira de Nisa, Portalegre)
- Capela ou oratório de Nossa Senhora das Calçadas (Monte de Santo António, Portalegre)
- Capelas de São Bento e do Senhor da Forca (Portalegre)
- Convento de Santa Clara (Portalegre)
- Cruzeiros (fotografias)
- Igreja de S. João Baptista (Alegrete)
- Igreja de S. Tomé (Monte da Penha, Portalegre)
- Igreja de Sant' Iago Menor (Santiago de Caiola, Portalegre)
- Igreja de Santa Maria ou de Santa Ana (Alegrete)
- Igreja de Santo André (Portalegre)
- Igreja de Sta. Maria a Grande (Portalegre)
- Igreja de Sta. Maria Madalena (Portalegre)
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- Igreja de São Lourencinho (Portalegre)
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- Igreja de São Paulo (Serra de São Paulo, Castelo de Vide)
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- Igreja de São Sebastião (Carreiras, Portalegre)
- Igreja e convento de Sta. Clara (Portalegre)
- Mosteiro da Provença de Vale de Flores (Ribeira de Nisa)
- Mosteiro de São Mamede (Reguengo, Portalegre)
- O Menino Jesus das Carreiras
- Património religioso do concelho de Portalegre (inventário)
- Pintura mural (fotografias)
- Pinturas murais da Matriz de Arronches (artigo de Patrícia Monteiro e Maria João Cruz)
- Retábulos (fotografias)
- Santo António na região de Portalegre
Património Militar
Património Civil
- Chaminés tradicionais (Carreiras, Portalegre)
- Habitação na Outra Rua (Carreiras, Portalegre)
- Habitação tradicional da Serra de São Mamede
- Habitação tradicional em Calçadinha (Carreiras, Portalegre)
- Habitação tradicional em Pomares (Carreiras, Portalegre)
- Herdade de João Martins (Carreiras, Portalegre)
- Monte da Gente (Carreiras, Portalegre)
- Torres senhoriais da freguesia de Carreiras (Portalegre)
Cancioneiro
Lendas e outras narrativas
- Lenda da construção do castelo de Marvão
- Lenda da Cova da Moura (Porto da Espada, Marvão)
- Lenda da Escusa (Marvão)
- Lenda da Fonte do Capitão (Ribeira de Nisa)
- Lenda da Fonte do Martinho (Castelo de Vide)
- Lenda da Fonte dos Cães (Castelo de Vide)
- Lenda da fundação de Carreiras
- Lenda da fundação de Portalegre
- Lenda da herdade da Cabaça (Portalegre)
- Lenda da igreja de São Sebastião (Carreiras)
- Lenda da imagem de Nossa Senhora da Estrela (Marvão)
- Lenda da imagem de S. Pedro (Alegrete)
- Lenda da imagem do Mártir Santo (Carreiras)
- Lenda da Maia (Portalegre)
- Lenda da Moura do Reguengo
- Lenda da moura dos Fortios
- Lenda da Pedra da Moura (Caia, Urra)
- Lenda da ponte da Portagem (Marvão)
- Lenda da serra da Penha (Portalegre)
- Lenda da Serra de Frei Álvaro
- Lenda da Serra de Matamores (Fortios)
- Lenda das santas da Aramenha (Marvão)
- Lenda de Marvão
- Lenda de Nossa Senhora da Alegria (Alegrete)
- Lenda de Nossa Senhora da Penha (Castelo de Vide)
- Lenda de Nossa Senhora da Penha (Portalegre)
- Lenda do ataque dos mouros a Marvão
- Lenda do castelo de Carreiras (Portalegre)
- Lenda do Mártir Santo (Fortios)
- Lenda do Porto da Espada (Marvão)
- Lenda do poço sem fundo do castelo de Marvão
- Lenda do rio Sever
- Lenda do tesouro da igreja de São Domingos (Fortios)
- Lenda do tesouro da Serra de São Mamede
- Lendas da Provença (Ribeira de Nisa)
Orações e outros textos religiosos
Romanceiro Tradicional
Romanceiro Religioso
Romanceiro Vulgar
- A sala do meu recreio
- Despique entre dois pretendentes
- Despique entre marido e mulher (1)
- Despique entre marido e mulher (2)
- Diálogo entre dois jovens na colha da azeitona
- Joaninha e o estudante
- Jovem enganada pelo namorado suicida-se ("A costureira")
- Jovem espera pelo namorado que morreu na guerra
- Jovem parte para a tropa nos Açores
- Jovem põe namorada à prova
- Jovem seduzida convence namorado a casar
- Jovem seduzida é desprezada pelo pretendente
- João Silva da Costa
- Juramento amoroso
- Maria Fernandes Pereira
- Mariquinhas
- O patrão e a criada
- Soldado esquecido pela noiva expõe-se à morte na batalha
- Vida de soldado
Toponímia e outros vocábulos
O Norte Alentejano na Literatura
Outros patrimónios materiais
Documentos
- Carreiras (Portalegre), alguns topónimos
- Carreiras (Portalegre), outros topónimos
- Carreiras (Portalegre), segundo Maria Guadalupe (1)
- Carreiras (Portalegre), segundo Maria Guadalupe (2)
- Carreiras (Portalegre), segundo Maria Guadalupe (3)
- Carreiras (Portalegre), segundo Maria Guadalupe (4)
- Carreiras (Portalegre), segundo Maria Guadalupe (5)
- Carreiras (Portalegre), segundo Maria Guadalupe (6)
- Censos 2011 (Portalegre)
- Da realidade quotidiana (Avelino Bento / Nicolau Saião)
- Fanal, memória dum suplemento cultural no Alentejo
- História da freguesia de São Simão da Serra (Nisa) (J. D. Murta)
- Ibn Maruán (on line)
- Igreja da Senhora da Penha (Castelo de Vide) (Tarsício Alves)
- Memórias paroquiais de Castelo de Vide (1)
- Memórias paroquiais de Castelo de Vide (2)
- Memórias paroquiais de Castelo de Vide (3)
- Memórias paroquiais de Castelo de Vide (4)
- Memórias paroquiais de Castelo de Vide (5)
- Memórias paroquiais de Castelo de Vide (6)
- Memórias paroquiais de Castelo de vide (7)
- Memórias paroquiais de Castelo de Vide (8)
- Normas para a defesa do património diocesano
- Portalegre vista por D. Antonino Dias
- Primeira República em Carreiras (Portalegre)
- Raízes indoeuropeias
- Raízes semitas
- Sobre a Ordem Terceira da Penitência de Portalegre (artigo de Fernando Correia Pina)
- Sobre as lendas religiosas (in INVENIRE nº 2, 2011)
- Sobre as origens de Santo António das Areias (Jorge de Oliveira)
- Sobre o hidrónimo "Xévora"
- Sobre o topónimo "Ammaia"
- Sobre o topónimo "Carreiras" (Maria Guadalupe Alexandre)
- Sobre o topónimo "Larou"
- Sobre os nomes "Urraca" e "Urra"
- Toponímia moçárabe
- Topónimos derivados de "burj"
- Topónimos derivados de AGER ou AGGER
- Topónimos derivados de KAR
Opiniões
- A arquitectura e o seu uso
- Aclarar a memória [s/ livro de Bonifácio Bernardo]
- Humilhar José Duro, exaltar D. João III
- Portalegre, alguns exemplos
- Ressurreição? [s/ nº 15 d' A Cidade]
- Um amigo e uma exposição [s/ pintura de João Salvador Martins]
- Um comércio moribundo
- Um exemplo discreto [s/ João Ribeirinho Leal]
- Um livro humilde e rigoroso [s/ livro de Rosário Salema de Carvalho]
Outras páginas de Ruy Ventura:
MILAGRE QUE FEZ Ex-voto do Senhor dos Aflitos reaparece mais de 40 anos depois de “perdido” Nunca estaremos suficien...
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Torres senhoriais da freguesia de Carreiras (Portalegre) Existentes um pouco por todo o país, mas com maior incidência no território a n...
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Lenda da Serra da Penha (Portalegre) 1 Versão de Portalegre, recolhida (em 1984) e publicada por Maria Tavares Transmontano (1997) – ...
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Lenda da Maia (Portalegre) Versão literária, de proveniência desconhecida, publicada na Grande Enciclopédia Portuguesa-Brasileira , vo...