sexta-feira, 4 de dezembro de 2009



MOSTEIRO DE SÃO MAMEDE
(Reguengo)



São escassíssimas as informações existentes sobre a história do convento de São Mamede, situado a pouca distância do ponto cimeiro da serra do mesmo nome, na freguesia do Reguengo.
Sem indicar as fontes documentais ou lendárias em que se baseou, Galiano Tavares veicula no Album Alentejano a opinião de que se trata de um edifício bastante antigo, mosteiro "de monges beneditinos, fundado no VI ou VII século e destruído pelos mouros" (Tavares, 1934: 918). Por sua vez, Maria Tavares Transmontano dá conta da opinião de José Maria Cardoso, segundo a qual os habitantes do convento eram frades anacoretas (cf. Transmontano, 1997: 37). Destes dados, podemos apenas confirmar que no início do século XIX o cenóbio era ainda habitado por quatro ou cinco religiosos, que viviam como os do convento capucho da serra da Arrábida. Achados arqueológicos nas proximidades no pico da serra dão no entanto muito peso à possibilidade de este edifício ser o herdeiro indirecto de um ribat muçulmano que aí terá existido. (Lembremos que o antropónimo “Mamede” é, frequentemente, uma forma aportuguesada do nome do profeta do Islão, Maomé.) Não devemos esquecer ainda a hipótese de o culto de São Mamede neste local ter uma origem moçárabe, dada a inclusão deste santo nos seus calendários litúrgicos.
Se tivermos em conta a sua localização em sítio ermo e as características da arquitectura do pequeno mosteiro, somos da opinião de que estamos talvez em presença de um antigo ermitério. Lembremos que existem referências a este tipo de construções no concelho de Portalegre pelo menos desde inícios do século XIV. Embora não saibamos em que ordem religiosa estava filiado, não seria estranho se num determinado momento da sua vida (séc. XVI?) se tivesse ligado de alguma forma à dos Carmelitas, dada a existência de vários indícios iconográficos na decoração da igreja que apontam para essa possibilidade.



A sua ocupação não terá sido permanente. Se no princípio de oitocentos lá estavam frades, em meados do século XVIII (1758) o convento estava desabitado, sendo então apenas uma ermida filial da paróquia de que ainda hoje faz parte, alvo de um culto fervoroso. Assim afirma o padre Francisco Xavier Freire na "Memória Paroquial" da freguesia de São Gregório do Reguengo: "Na Ermida de são Mamede se fás a sua festa no dia dezassete de Agosto a que concorre (sic) muytas pessoas de varias partes com suas ofertas de que se ajuda a tal festa" (Freyre, 1758 in Ventura, 1995: 108).
A fachada do convento de São Mamede é muito simples, remontando talvez a finais do século XVI, princípios do seguinte, embora com algumas modificações em época posterior. Ampla, possui três portas, que correspondem às três partes do edifício. Duas pequenas, a sul e a norte, pelas quais se acede à zona destinada aos frades e ao espaço dos romeiros, respectivamente. E a porta da igreja ao centro, em granito e de maiores dimensões, ladeada por duas frestas e decorada com uma cornija e uma cruz. No alinhamento desta entrada estão um óculo de iluminação e um florão; fotografias antigas documentam a existência de um campanário, de pequena dimensão, a coroar a fachada. Existe ainda uma pequena sineira, situada na direcção da porta por onde se entra na zona conventual.



Os compartimentos destinados à vida comunitária situam-se à direita dum longo corredor que dá acesso a quatro celas, cozinha, refeitório, forno e palheiro, tendo, à esquerda, uma porta para o templo e um confessionário.
Ao centro temos a igreja orientada para nascente, com nave e capela-mor, ambas cobertas por abóbadas de berço partindo de cornijas.
O acesso à capela-mor faz-se por um arco de volta perfeita marmoreado que, a partir das impostas, está decorado com volutas entrelaçadas, tendo no centro o emblema da Ordem do Carmo. O altar principal é de alvenaria marmoreada e pintada, com trabalho em massa no estilo barroco/rococó popular comum nos templos da região na segunda metade do século XVIII. Possui, para além de um nicho central que albergava a imagem de São Mamede, duas pequenas peanhas laterais e um sacrário. O tecto da capela possui um fresco de interessante factura com abundante decoração grutesca, tendo ao centro um medalhão onde figura Nossa Senhora do Carmo entregando o escapulário a São Simão Stock. Parece ser obra da segunda metade do século XVII.
Existem ainda dois altares colaterais. O da direita foi modificado no século XVIII, possuindo algum trabalho em massa típico da época. O da esquerda é mais antigo, talvez seiscentista, com decoração contemporânea da ornamentação do tecto da capela-mor. A banqueta deste altar está revestida por azulejos azuis e brancos. A nave possui ainda púlpito, através do qual se acede ao coro.
A norte do edifício temos mais duas salas: a sacristia e a "casa dos ramos". O acesso ao púlpito é feito por este último compartimento.
Nesta igreja tinham culto, para além do padroeiro, Nossa Senhora do Carmo e uma imagem de Jesus preso à coluna.
Assaltado e vandalizado há poucos anos, o edifício está neste momento abandonado, possuindo ainda assim um património interessante. A imagem de São Mamede, peça talvez do século XVI, é neste momento venerada na igreja do Reguengo.

O eremitério de São Mamede antes da sua vandalização (foto de António Mão de Ferro).

Uma fotografia antiga de S. Mamede
Fonte: http://www.facebook.com/groups/132856930151387/#!/photo.php?fbid=2606274323615&set=o.249504805092293&type=1&theater




Notas sobre a
IGREJA DE SÃO PAULO (Castelo de Vide)

A igreja de São Paulo – situada na ponta oeste da Serra de Castelo de Vide, no monte designado no século XII “rostrum de Melrica” – é hoje um edifício arruinado, a que com muita dificuldade se acede, devido à densa vegetação que o rodeia. Localiza-se sensivelmente no sítio onde, em 1509/1510, Duarte Darmas desenhou uma das atalaias de Castelo de Vide. É possível que parte do templo (a capela-mor) tenha aproveitado na sua construção o que restaria da estrutura militar de vigia. Os restos observáveis parecem apontar nesse sentido.
Construída provavelmente na segunda metade do século XVI, a igreja tinha quatro compartimentos de pequena dimensão, reconhecíveis ainda hoje nas ruínas: nave única, capela-mor, sacristia e um outro espaço cuja funcionalidade desconhecemos, talvez a casa do ermitão.
Não existem quaisquer indícios que nos permitam vislumbrar como seria a fachada do templo, virada sensivelmente a nascente, ou a sua cobertura. A capela-mor é quadrangular e era coberta por uma cúpula hemisférica, de que ainda restam vestígios caiados.
Trata-se de uma capela filiável nas cubas mouriscas, de que existem numerosos exemplares por todo o sul de Portugal. Só no concelho de Castelo de Vide existem pelo menos mais dois, infelizmente também arruinados: as ermidas da Senhora das Virtudes (no Vale da Bexiga) e de São Silvestre (junto da estrada para a Póvoa), a que se pode ainda juntar a ousia de Nossa Senhora da Penha, embora seja circular. Perto, no concelho de Portalegre, temos ainda a capela lateral da Senhora da Alegria, na igreja de Carreiras, e as ruínas da pequenina igreja de São Tomé, no cimo do monte da Penha. Sem sabermos até que ponto são apenas emanações tardias da tradição moura ou vestígios antigos de espaços cultuais do islamismo fatimida, depois cristianizados, estas estruturas são de qualquer modo uma reminiscência histórica e arquitectónica das ermidas muçulmanas, relacionadas com cultos populares islamizados ou integráveis num islamismo muito heterodoxo, próximo do sufismo. Nas palavras de Artur Goulart de Melo Borges, são constituídas por “um corpo cúbico com uma cobertura cupular hemisférica, forrada exteriormente ou por simples reboco deixando ver a sua forma característica, ou por telhado de quatro águas escorrendo em curvatura ao jeito da cúpula” (Borges, 1985: 198). Simultaneamente oratórios e postos de vigia militar, neles vivia “um santo asceta – morabito ou marabuto – que aí recebia e orientava os fiéis e onde poderia vir a ser sepultado, continuando assim esse lugar a ser objecto de veneração. O termo morábito passou inclusivamente a significar também o próprio edifício” (Borges, 1985: 200). De acordo com este investigador, estas estruturas podem dividir-se em várias tipologias, dependendo da sua localização estratégica. A igreja de são Paulo de Castelo de Vide pertence à tipologia 1A, dado que tem uma situação estratégia em altitude pronunciada, permitindo abranger vasta panorâmica, associada ao isolamento. As outras tipologias são as seguintes: 1B, se a situação em altitude está ligada a uma localização na periferia dos povoados; 1C, se a altitude se junta a uma localização no interior das povoações; 2, se estão isoladas, mas sem altitude, associadas a estradas, rios ou atalaias; 3A, se não têm situação estratégica aparente e existem na periferia dos povoados; e 3B, se se localizam nos povoados, sem situação estratégica vislumbrável (cf. Borges, 1985: 200-201).
Não se sabe ao certo quando se deram o abandono e a ruína desta pequena igreja de Castelo de Vide (cujas ruínas necessitam de conservação e valorização). Cremos, no entanto, que terão ocorrido já em finais do século XVIII ou no século XIX, dado que em 1758 a ermida de São Paulo ainda era alvo de culto.

Bibliografia consultada:
Borges, Artur Goulart de Melo (1985) – “As ‘kubbas’ alentejanas – Monumentos de origem ou influência muçulmana no Distrito de Évora”. Actas do Congresso sobre o Alentejo – Semeando novos rumos, primeiro volume, Évora, Outubro: 198 – 202.
Cid, Pedro (2005) – As Fortificações Medievais de Castelo de Vide. Lisboa, IPPAR.
Trindade, Diamantino Sanches (1989) – Castelo de Vide – Arquitectura Religiosa, vol. 1. (2ª edição), Lisboa, Câmara Municipal de Castelo de Vide.


IGREJA DE SÃO MATEUS (PORTALEGRE)

Nascida no espírito de renovação artística ocorrido em Portalegre na segunda metade do século XVI, a partir da criação da diocese, a igreja de São Mateus situa-se na antiga Corredoura de Cima, hoje avenida George Robinson, na vizinhança do antigo Mosteiro cisterciense de Nossa Senhora da Conceição, fundado por D. Jorge de Melo.
Templo de pequenas dimensões erigido dentro do espírito renascentista, deve remontar ao último quartel da centúria de quinhentos.
Do programa arquitectónico original resta-nos apenas o pórtico em granito, ao qual se acede por dois lanços de escadas laterais pelos quais se sobe até ao patamar de entrada. Tendo como decoração uma concha, como insígnia da Ordem de Santiago (dada a filiação desta igreja na paróquia de São Lourenço, dos Espatários), é assim descrito por Luís Keil (Keil, 1943: 128):
"O pórtico foi construído no gosto dos fins do Renascimento, com arco de volta redonda com dois medalhões circulares nos cantos, colunelos suportando a arquitrave e, sobre esta, um frontão / com volutas e conchas rematado por uma esfera. Aos lados vêem-se duas esferas maiores."
A restante fachada (completada por uma pequena e singela sineira ligeiramente recuada) é bastante posterior, com destaque para o janelão emoldurado por decoração em massa, obra do século XVIII, época em que São Mateus foi, se não reconstruída, pelo menos remodelada na sua quase totalidade.
Possuía em 1758 os seguintes altares, ainda hoje existentes: "São Matheos como altar mor, e dois colatráis, à parte do Evangelho, a vera Cruz, e à parte da Epistola Santo Antonio [...]" (Sequeira, 1758 in Ventura, 1995: 128).

O interior apresenta a imagem que lhe foi dada no século de setecentos. Nave e capela-mor estão cobertas por abóbadas de berço, com sanca, sendo a do espaço destinado aos fiéis ligeiramente abatida. Os retábulos dos altares são de alvenaria pintada e dourada, com colunas marmoreadas e frontões interrompidos. Desde aqui até aos tectos, passando pelos rodapés, por um janelão oval fingido sobre a porta de entrada e pela moldura do arco que dá acesso ao presbitério, o trabalho decorativo em massa é elegante e abundante. A igreja possui ainda um púlpito destituído de interesse e uma pia de água benta concheada em mármore.
De entre o recheio da igreja de São Mateus são de destacar as seguintes peças, a necessitarem de uma exposição digna:
- a imagem do orago, em madeira pintada e estofada, do século XVII;
- uma escultura representando um santo franciscano (Santo António?), do século XVIII, em madeira e pasta de papel;
- e uma pintura sobre madeira, de razoáveis dimensões, obra com traços maneiristas, talvez de inícios da centúria de seiscentos, representando a Ressurreição de Cristo.
Este templo portalegrense esteve aberto ao culto até há poucas décadas. Está hoje fechado e sem prática religiosa, servindo de arrecadação e de espaço para a realização de algumas actividades de catequese organizadas pela paróquia de São Lourenço. Precisa sobretudo de limpeza e de obras de conservação no interior e no exterior.



IGREJA DE SÃO PEDRO
(Alegrete, Portalegre)


Segundo uma velha lenda conhecida na região, a igreja de São Pedro terá sido na Idade Média a primeira sede paroquial de Alegrete. Se fizermos fé nesta hipótese, ela remontará então ao século XIII, a tempos anteriores ao reinado de D. Dinis, responsável pelo foral dado a Alegrete e pelo urbanismo gótico do espaço situado dentro das muralhas desta vila, antiga sede de concelho, hoje integrada no território de Portalegre.
A construção arruinada que hoje podemos observar não deverá no entanto ir além de finais do século XV, como confirma Luís Keil (cf. Keil, 1943: 150), tendo sido alvo de remodelações nas centúrias seguintes.
A igreja é constituída por galilé, nave, capela-mor e sacristia. Teve ainda uma pequena sineira (de que não restam quaisquer vestígios), como parece indicar um dos sinos existentes na torre do relógio de Alegrete, datado de 1668 e dedicado a São Pedro.
A galilé possui arcos de volta inteira em alvenaria. Deve ser obra de meados do século XVI, embora existam ainda vestígios de uma construção anterior com a mesma função.
A entrada na igreja faz-se por um portal em arco de asa de cesto, em granito aparelhado, com esquinas chanfradas. É ladeado por duas pequenas janelas e sobrepujado por outra de maiores dimensões.
A capela-mor é o espaço mais interessante desta igreja. O arco do cruzeiro é de volta perfeita assente sobre pilastras, em granito aparelhado, co
m esquinas chanfradas, arrancando de impostas decoradas com motivos vegetalistas (quadrifólios) e antropomórficos. É coberta por uma abóbada de berço, com sanca saliente, inteiramente decorada com esgrafitos imitando os tectos apainelados. Possui no centro uma pintura em tons de ocre, posterior, representando um brasão com os atributos de São Pedro (as chaves). Esta parte da igreja foi, até à Primeira República, em grande parte coberta por azulejos de tapete, azuis e amarelos, de que restam hoje apenas parcos vestígios. Com a retirada dos mesmos foi posto a descoberto um importante conjunto de painéis em pintura mural, representando maioritariamente passos da vida do padroeiro da igreja. A decoração mural ocupava a totalidade das paredes laterais e estendia-se ainda à parede fundeira desta capela, onde - para além da banqueta do altar - se situava o nicho que albergava a imagem de São Pedro, sobrepujado por um óculo, hoje cego.
No corpo da igreja existem restos de dois pequenos retábulos colaterais, elaborados em alvenaria, dentro do estilo comum na região durante o século XVIII, na linha do barroco / rococó populares. Esta parte do templo era coberta por um tecto de madeira, hoje desaparecido com o púlpito, de que restam ainda vestígios. É possível que as paredes laterais desta parte do edifício tivessem também decoração em pintura mural, entretanto coberta pela cal, que ainda subsiste. A entrada lateral para a nave, situada à direita de quem olha para a capela-mor, é guarnecida no exterior por um pequeno pórtico em cantaria com arco abatido e esquinas chanfradas, típicos do século XVI, em cujo alinhamento existe ainda uma cruz esculpida em granito.
A igreja de São Pedro, aberta ao culto até ao início do regime republicano, foi em grande parte destruída e vandalizada nas décadas seguintes. Quando em 17 de Março de 1945 se lavrou o auto de entrega e restituição deste templo à comissão fabriqueira da paróquia de Alegrete, estava já "em completo estado de ruinas" (Maçãs, 1991: 26). Os azulejos do século XVII tinham desaparecido em mãos desconhecidas. O restante recheio fora recolhido na igreja paroquial.

A mais notável de todas as peças pertencentes a esta igreja é a imagem do padroeiro, hoje venerada no antigo altar de São Miguel na igreja matriz de Alegrete. Envolta em lendas, certamente relacionadas com a sua beleza escultórica, era considerada em 1758 como "Angelical" (Rebello, 1758 in Ventura, 1995: 100). Trata-se de uma imagem sedente de São Pedro investido na função papal, escultura gótica em mármore policromado, datada de finais do século XV, segundo proposta de Luís Keil (cf. Keil, 1934: 150).
IGREJA DE SÃO BARTOLOMEU (PORTALEGRE)

Já existente no século XVI, a igreja de São Bartolomeu foi construída extramuros no local onde a tradição coloca o nascimento de Portalegre, denominado "Portelos" em 1304. É no entanto difícil precisar quer a época da sua construção. Pertencente à freguesia de São Lourenço, é estranho que dela não faça menção o padre Gregório Pegado Sequeira.
Alguns documentos permitem-nos afirmar que este templo portalegrense foi certamente demolido depois da implantação do regime republicano em Portugal, pois ainda em 1911 estava aberto ao culto, com comissão de festas que tinha como objectivo honrar São Bartolomeu apóstolo.
O arrolamento dos seus bens, ocorrido a 4 de Agosto do ano referido, veio dar cumprimento à Lei de 20 de Abril de 1911, vulgarmente chamada Lei da Separação da Igreja do Estado, que nacionalizou os bens eclesiásticos. Este documento, existente em duas versões ambas guardadas no Arquivo Distrital de Portalegre, é assinado na sua versão mais reduzida por Luís de Sousa Gomes, Jorge Maria de Macedo e Francisco Fino. Na sua versão mais completa é subscrito por João José Cabecinha, presidente da comissão dos festejos a S. Bartolomeu.
É este último que nos permite termos uma imagem, ainda que imperfeita, da arquitectura e da decoração deste edifício religioso de que nos resta apenas uma memória toponímica.
A igreja era constituída por nave, capela mor e sacristia. No altar principal estava a imagem do apóstolo São Bartolomeu, acompanhada por estátuas representando São Francisco Xavier, Santo Inácio de Loyola, São Joaquim e São Macário. À entrada deste espaço estavam dois anjos, provavelmente ceruferários.
No corpo do templo existia, para além do púlpito, um oratório representando o Calvário, onde adivinhamos interessante factura, se atendermos à descrição elaborada por João José Cabecinha: "colocado dentro da parede da Egreja, com duas portas de madeira ordinaria, tendo as mesmas portas no entrior umas imagens pintadas a oleo, o oratorio é uma espece de capella em ponto piqueno com colunas todo dourado, dois castiçaes de vidro, um Christo ao sentro, de madeira com cruz tambem de madeira, o Christo tem um diadema de práta com uma pedra sem valor, com Nossa Senhora e S. João aos lados".
No exterior a igreja tinha uma torre sineira com um único sino, o qual - segundo se diz - foi fundido com outros para a construção do monumento aos mortos da Grande Guerra.
Ao seu recheio pertenciam peças certamente interessantes, a avaliarmos pelo inventário: um cálice de prata lavrada com patena, dois relicários em prata de São Bartolomeu e de São Francisco Xavier, diversos paramentos, duas pirâmides de madeira para as relíquias e para a colocação de uma imagem do orago, uma imagem de são João (Baptista?) em barro de Portalegre, etc.. De nenhuma delas existe rasto seguro. Seriam sua pertença algumas das imagens hoje presentes nas colecções dos museus da cidade?
Demolida a igreja em data que não podemos precisar, os seus bens transitaram para mãos que por agora não estão identificadas. Foi esta a sorte de muito do património religioso de Portalegre e do seu concelho.
CAPELAS DE SÃO BENTO E DO SENHOR JESUS DA FORCA (PORTALEGRE)

São até agora escassas as fontes que nos falam das capelas de São Bento e do Senhor Jesus da Forca. Desconhecemos portanto quer a data a sua construção quer a do seu desaparecimento.
A primeira situar-se-ia ao cimo da actual Rua do Comércio, junto à Travessa de São Bento. Nela era rezada missa para os presos, estando defronte da cadeia da cidade.
Para dar assistência aos sentenciados com a pena capital, perto do Ribeiro de Baco situava-se a capela do Senhor Jesus da Forca. Abolida a pena de morte em Portugal em meados do século XIX, terá sido abandonada e utilizada com outras funções. Consta que há poucas décadas, quando foi construída uma nova rede viária na zona onde se situava, foi demolido um casarão que ameaçava ruína, tendo então aparecido vários fragmentos de azulejo. Seriam últimos vestígios da capela do Senhor Jesus da Forca?

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